Santa Maria Maior alerta para falhas na recolha noturna do lixo

A Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, alertou esta quinta-feira para "várias situações" de falhas na recolha noturna do lixo por parte da câmara, inclusive ao deixar parte dos resíduos nas ruas, o que cria "grandes dificuldades".

"Quando de noite a recolha não é realizada, é incompleta ou mesmo quando é 'maldosamente' feita (sendo várias as denúncias de casos em que os serviços de recolha noturna despejam parte do lixo que deveriam recolher e que está dentro dos contentores), a capacidade da junta para ajudar a câmara fica severamente comprometida", afirmou o executivo da freguesia de Santa Maria Maior, presidido por Miguel Coelho (PS).

Em comunicado, esta junta no centro histórico de Lisboa indicou que essas falhas na recolha noturna do lixo, que é da responsabilidade da câmara, estão a acontecer "presentemente" nesta parte do território, "com várias situações devidamente documentadas em fotografias e vídeos enviados por cidadãos indignados".

"Esta junta tem todos os seus meios mobilizados para continuar a ajudar a câmara - e ajudando a câmara está a ajudar a cidade - na recolha do lixo que é largado durante o dia nas ruas, mas desde já reitera que, se a câmara não fizer corretamente o seu trabalho durante a noite, teremos grandes dificuldades para normalizar a situação", declarou o executivo desta freguesia de Lisboa.

A Junta de Freguesia de Santa Maria Maior refere que, neste momento, tem cinco veículos alocados à recolha diurna de lixo e tem todos os outros meios humanos e materiais mobilizados nas tarefas que competem à junta, nomeadamente a varredura e lavagem das ruas, afirmando que "não compreende porque é que a Câmara Municipal de Lisboa ainda não contratou os trabalhadores que devia ter contratado", nem porque ainda não alargou a rede de contentores enterrados no território e porque não tem horários de recolha adequados às novas atividades comerciais ligadas ao turismo.

Outra das questões incompreendidas pela junta é que "a Câmara Municipal de Lisboa não seja mais exigente em relação aos seus próprios deveres de fiscalização, urgente e determinante para a higiene urbana na cidade".

O executivo da freguesia de Santa Maria Maior, presidida pelo socialista Miguel Coelho, destacou a importância da Reforma Administrativa de Lisboa, indiciando que a mesma "explicita muito bem as competências de cada entidade em matéria de higiene urbana: a câmara municipal, que tem os meios logísticos pesados, recolhe o lixo; as juntas lavam e varrem".

"Porque a Câmara Municipal de Lisboa não consegue, nem nunca conseguiu, implementar um sistema diurno de recolha de lixo (o que poria em causa os milhares de horas extraordinárias pagas durante a noite), algumas juntas de freguesia, nas quais se inclui a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, decidiram apanhar rudimentarmente o lixo colocado na rua durante o dia e entregá-lo diretamente aos depósitos de recolha da câmara que, apesar de algumas dificuldades iniciais, acabou por reconhecer nesse trabalho uma mais-valia", declarou esta junta.

O reconhecimento desse trabalho por parte da câmara foi formalizado com protocolos que permitem às juntas adquirir meios, incrementar a recolha diurna na envolvente dos ecopontos/eco-ilhas e modernizar o equipamento, alargando também os horários das suas equipas, apontou a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, referindo-se aos contratos de delegação de competências, que foram assinados no início de julho, após cerca de nove meses da tomada de posse do atual mandato municipal, com Carlos Moedas (PSD) na presidência da Câmara de Lisboa.

"A Junta de Freguesia de Santa Maria Maior não aceita que a teimosia inicial do sr. presidente da câmara, ao tentar pôr de lado as juntas de freguesia nas tarefas que vinham a desenvolver em matéria de higiene urbana, seja agora pretexto para que outra força política, por razões ideológicas, queira tirar partido dessa circunstância", apontou o executivo socialista, referindo-se à posição do PCP que se tem manifestado contra a Reforma Administrativa de Lisboa.

Na quarta-feira, na reunião pública do executivo municipal, o social-democrata Carlos Moedas assegurou que, como presidente da câmara, está "a fazer o máximo para resolver a situação", inclusive com o pagamento de 18 milhões de euros às juntas de freguesia.

"Neste momento, até 18 de julho já entraram 63 cantoneiros, em 01 de agosto entram 87, até 01 de setembro entram 29 e, depois, 11 durante setembro", revelou o presidente da câmara, referindo-se à contratação de 190 trabalhadores na área da higiene urbana, dos quais 160 novos cantoneiros e outros 30 motoristas de veículos.

O social-democrata destacou o "esforço de todos" na resolução do problema e indicou que é preciso rever a organização estrutural na área da higiene urbana, uma vez que os cidadãos não percebem "quem é que faz o quê", se são as juntas de freguesias ou se é a câmara municipal, defendendo a criação de equipas a trabalhar em conjunto.

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