A Câmara Municipal de Oeiras apresentou esta segunda-feira o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável e o Plano de Acessibilidades. Trata-se de um documento que define as principais linhas estratégicas do município na área da mobilidade, segundo o qual a autarquia liderada por Isaltino Morais pretende, nos próximos dez anos, aumentar em 36,4% a utilização do transporte público e em 24,9% o uso de transportes suaves, a par de uma redução em 43% do recurso ao transporte individual..Com estes objetivos em mente, a autarquia de Oeiras vai apostar em novos meios de transporte público, nomeadamente pela reformulação do SATUO (Sistema Automático de Transporte Urbano), através da sua mudança para um modo de transporte sobre pneus, e a extensão para o Lagoas Park e o Taguspark. Nos planos da autarquia está também a construção da rede de elétrico moderno entre Algés e Falagueira (Amadora), com interfaces com o comboio (estações de Algés e Damaia) e o Metro de Lisboa (Amadora Este). A primeira fase deste projeto deverá contemplar a ligação à interface com a Linha de Sintra na estação da Damaia..Este plano contempla também a construção do primeiro troço do BRT (Bus Rapid Transit) entre Queijas e Carnaxide, a implantar no troço da Via Longitudinal Norte e assegurando, numa primeira fase, a ligação à linha de elétrico moderno Algés/Damaia, na Outurela..O documento agora apresentado anuncia também a requalificação da rede de interfaces: Algés, Paço de Arcos, Oeiras e, em negociação com a Câmara de Cascais, a de Carcavelos, que deverá passar a ter uma importância acrescida com a linha de BRT. Ainda no capítulo das interfaces, existirão três de nível 1 na Linha de Cascais (Algés, Cruz Quebrada e Paço de Arcos) e seis de nível 2 (Caxias, Santo Amaro e Oeiras, na Linha de Cascais), Carnaxide (elétrico rápido), Barcarena (Linha de Sintra) e um sexto na futura extensão do SATUO..Do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável e Plano de Acessibilidades do Município de Oeiras faz ainda parte a "criação de carreiras de bairro que liguem as populações a serviços de proximidade, articulados com os horários de funcionamento das escolas e serviços públicos, como centros de saúde e estações dos correios". Será ainda feita uma avaliação do reforço da oferta no período noturno e fins de semana através de experiências piloto..A aposta na rede ciclável é outro dos projetos da Câmara de Oeiras, nomeadamente com dez intervenções: conclusão do passeio ribeirinho; expansão da ciclovia empresarial até ao Taguspark; ligação da ciclovia empresarial a Caxias; ligação Algés-Avenida dos Bombeiros Voluntários (Miraflores); ligação Miraflores-Lisboa pela Estrada dos Moinhos; ligação Jamor-Linda-a-Velha; ciclovia da margem esquerda do Jamor; ligação Barcarena-Caxias (Ribeiras); ligação Carnaxide-Queijas; ligações Laje-Parque dos Poetas-Escolas-Paço de Arcos..Paralelamente, haverá uma aposta no sistema de bicicletas partilhadas, com a implementação, numa primeira fase, da ciclovia empresarial e depois passar para a expansão ao restante concelho, "à medida que a rede de ciclovias é concretizada", pode ler-se no plano da autarquia. O projeto piloto da ciclovia empresarial terá estações no interface de Paço de Arcos, Quinta da Fonte (duas), Lagoas Parque (duas) e Cacilhas, enquanto que o projeto piloto do Passeio Ribeirinho terá pontos em Algés, Aquário Vasco da Gama, Jamor/FMH, interface da Cruz Quebrada, Caxias, Paço de Arcos, Porto de Recreio de Oeiras, Praia da Torre/Nova SBE e interface rodoferroviário de Oeiras..Na segunda fase de implementação de bikesharing estão previstas estações em Algés, Miraflores (quatro), Escola Secundária de Linda-a-Velha, Senhora da Rocha, Ténis do Jamor, Estação de Santo Amaro de Oeiras e Escola Náutica..Quanto ao estacionamento, depois de a autarquia ter anunciado em setembro a construção de 14 parques num total de 2800 lugares, os planos que agora apresenta apontam para 18 novos parques de estacionamento com um total de 3756 lugares, divididos em categorias que dependem da sua localização: empresarial, interface, residencial, urbano e apoio às praias. Entre estes estão os silos da Praça Manuel Barbosa do Bocage, do terminal rodoviário de Algés e da Cerâmica Montargila, mas também nos interfaces de Cruz Quebrada/Dafundo, Paço de Arcos e Oeiras..A Câmara de Oeiras pretende também desenvolver planos de mobilidade escolar - como circuitos de pedibus para escolas do 1.º ciclo e circuitos de bikebus para as escolas do 2.º e 3.º ciclos e secundárias -, mas também criar zonas de baixas emissões, nomeadamente nas zonas históricas de Paço de Arcos, Oeiras e Barcarena, com a proibição de entrada de veículos anteriores a 2001 e uma tendência para a pedonalização destas áreas.."O ponto de partida deste plano é um inquérito feito à população e que permitiu a caracterização dos padrões de mobilidade dos residentes e empregados do concelho e a elaboração de um modelo de transportes para Oeiras", explica a autarquia..De acordo com Inquérito à Mobilidade do Concelho de Oeiras, são realizadas diariamente 245 100 viagens diárias com origem no concelho, sendo que 57,3% são no município, 26,9% têm como destino Lisboa, 15,4% são para outros municípios da Área Metropolitana de Lisboa e apenas 0,4% são para fora da AML. A maioria destas viagens são realizadas em transporte privado (45,5%), sendo que 31,2% são em transportes públicos (rodoviário e ferroviário) e 20,8% das deslocações são feitas a pé..De referir ainda que o transporte público é particularmente importante nas freguesias servidas pela linha ferroviária de Cascais e que são duas das cinco do concelho - União de Freguesias de Algés, Linda-a-Velha e Cruz Quebrada/Dafundo, União de Freguesias de Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias..No sentido contrário, o mesmo inquérito regista 51 547 viagens externas com destino ao concelho de Oeiras, sendo que 15 127 destas têm origem em Lisboa e 28 835 noutros municípios da Área Metropolitana de Lisboa..ana.meireles@dn.pt