Novo estacionamento da EMEL no Beato também é provisório

Parque com 63 lugares custou 51 mil euros, mas será demolido no futuro para dar lugar a um edifício. Tal como aconteceu no bairro da Graça, não foi divulgado que era temporário.

A EMEL abriu há cerca de um mês um novo estacionamento no Hub Criativo do Beato, mas à semelhança do que aconteceu no bairro da Graça, também este parque é provisório e será desmantelado no futuro. Para aquele mesmo espaço, que tem agora 63 lugares de estacionamento, está prevista a construção de um novo edifício de quatro pisos, integrado no projeto do Hub Criativo do Beato e destinado a espaços de trabalho. O facto de se tratar de um parque temporário não foi divulgado publicamente aquando da inauguração, a 16 de novembro, mas foi confirmado ao DN pela EMEL e pela Câmara de Lisboa.

De acordo com a empresa municipal de estacionamento e mobilidade o novo parque "foi criado para dar suporte ao Hub do Beato e sobretudo para proporcionar mais estacionamento para os residentes e comerciantes da zona". "Pelo seu caráter temporário, foi preocupação da EMEL construir um espaço funcional mas de baixo investimento", acrescenta a empresa, em resposta ao DN. À data da inauguração, a EMEL tinha avançado que a construção daquele espaço representou um "investimento de aproximadamente 51 mil euros". Já sobre o período em que o parque estará em funcionamento e a data prevista para o seu desmantelamento, a empresa nada avança e remete a questão para decisão camarária: "O futuro deste espaço está nas mãos da Câmara Municipal de Lisboa".

A autarquia, por sua vez, diz que "era necessário suprir as necessidades de estacionamento dos edifícios que estão em fase de conclusão" no Hub Criativo do Beato, pelo que foi "necessário avançar com uma solução provisória". Embora também não avance datas, acrescenta que "está previsto que esta solução provisória de estacionamento funcione até à abertura do silo de estacionamento a construir, que está neste momento em negociação nos serviços" da câmara e que deverá ter capacidade para três centenas de lugares.

De acordo com a autarquia a solução final passará pela construção de um "silo de estacionamento a instalar no lote 18" do Hub Criativo do Beato, e que "irá disponibilizar cerca de 300 lugares de estacionamento". A cobertura deste parque ficará nivelada com a rua do Grilo e "deverá funcionar como espaço público com área de jardim e parque infantil, dando resposta a uma necessidade da comunidade envolvente". O novo edifício deverá "assegurar o acesso pedonal entre a rua do Grilo e a rua da Manutenção Militar".

Segundo os serviços liderados por Carlos Moedas só recentemente foram criadas as condições para que que o projeto do silo de estacionamento se venha a concretizar: "A contratualização da solução definitiva de estacionamento estava dependente da aquisição da propriedade plena deste espaço pela Câmara Municipal de Lisboa, o que só aconteceu recentemente".

Projetado como um centro de inovação para empresas criativas e tecnológicas, o Hub Criativo do Beato situa-se nas antigas fábricas de manutenção militar, onde se faziam farinhas, pão, massas, bolachas, na frente ribeirinha oriental. Agora, os 18 edifícios estão a ser reconvertidos para serviços, restauração, indústrias criativas, sede de empresas, um núcleo museológico e habitação. Para o espaço agora ocupado pelo parque de estacionamento provisório, que integra a "terceira e última fase de desenvolvimento do projeto do Hub Criativo do Beato", está prevista a construção de um "novo edifício destinado a espaços de trabalho, com quatro pisos acima da cota de soleira, com uma edificabilidade de cerca de 7000 metros quadrados". Num projeto que sofreu vários atrasos face às datas inicialmente previstas, os primeiros espaços deverão abrir em 2022.

O precedente da Graça

Não é a primeira vez que a EMEL recorre a soluções de estacionamento temporário na capital - e também não é a primeira vez que isso não é divulgado publicamente. Recentemente, no bairro da Graça, os residentes foram confrontados com o encerramento de dois parques de estacionamento, com 146 lugares, que tinham sido abertos em 2017. À data da inauguração - num dos casos com a presença do então presidente da câmara, Fernando Medina, e da presidente da junta de freguesia de São Vicente - nada foi dito sobre o caráter temporário dos espaços. Os residentes só tiveram conhecimento disso há poucos meses quando os dois parques de estacionamento foram entaipados - e, ainda assim, sem qualquer explicação no local.

No caso dos parques de estacionamento da Graça, os dois espaços serão integrados nas obras de reconversão do antigo convento, que vai ser transformado num hotel de cinco estrelas. Para já, apesar de um dos parques estar fechado desde julho, e o segundo desde setembro, as obras ainda não tiveram início. Há algumas semanas os comerciantes da zona da Graça puseram a circular um abaixo-assinado a pedir que a decisão seja reconsiderada, queixando-se do impacto que o encerramento causou no comércio local, dado tratar-se de uma zona no centro histórico onde é difícil estacionar.

susete.francisco@dn.pt

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