Os moradores de Marvila querem que a freguesia tenha mais e melhores transportes públicos e, para isso, pretendem reunir-se com Carris, Metropolitano e CP para apresentarem as suas queixas e propostas, bem como ouvir as soluções que estas três empresas podem oferecer naquela zona da cidade de Lisboa. Já foi dado o primeiro passo, com a criação de um Grupo de Trabalho dos Transportes, que teve na sua origem várias associações comunitárias. Além disso, foi entregue uma petição na Assembleia Municipal de Lisboa.."O que nos levou a apresentar a petição foram várias conversas que tivemos, no âmbito dos grupos comunitários e ainda tendo em conta o facto de as pessoas comentarem a dificuldade que há nos transportes, sobretudo ao fim de semana, e a conexão entre eles", explica ao DN Ana Leal, membro do associação comunitária Marvila Antiga e do Grupo de Trabalho dos Transportes (GTT)..Este último nasceu no ano passado por iniciativa do grupo comunitário 4Crescente, retomando o trabalho que já tinha sido desenvolvido anteriormente por um conjunto de moradores e as suas associações, tendo sido impulsionado por Bárbara Ferreira, professora no ISPA e especialista em Planeamento Urbano. A eles juntaram-se depois o Marvila Antiga, outros moradores e entidades como a cooperativa Trabalhar com os 99% ou Henrique Chaves, investigador nas áreas da mobilidade ativa e urbana..A petição "Marvila em todas as direções. Uma Freguesia mais móvel, mais coletiva, mais sustentável" é uma iniciativa do GTT que foi entregue na Assembleia Municipal de Lisboa em junho, sendo que os seus responsáveis já tiveram uma reunião com os membros da 8.ª Comissão Permanente, responsável pelas áreas de Mobilidade, Transportes e Segurança..O objetivo desta petição é chegar, através da assembleia municipal, à Câmara de Lisboa, que tutela a Carris e a EMEL, de forma a conseguirem que os serviços destas duas empresas sejam revistos em Marvila, nomeadamente o "tipo de autocarros, os percursos existentes, a sua frequência e ligações entre os vários bairros da freguesia, a criação de novas carreiras (gerais ou de bairro) para operar no território não abrangido por este meio de transporte", como é o caso do bairro da Prodac, algumas vias de Marvila Antiga e ligações ao atual centro de saúde. É ainda pretendido o serviço da rede de bicicletas GIRA.."Marvila é como uma freguesia periférica, apesar de ter o maior parque habitacional do município, especialmente em comparação com algumas freguesias e pontos da cidade. Por exemplo, em relação às bicicletas, não temos a rede GIRA nem outros operadores, pois chegam à fronteira com Marvila e param", revela Ana Leal, acrescentando que "houve uma reunião da câmara, na qual um dos vereadores disse estar pensado criar um ou dois pontos GIRA em Marvila", nomeadamente "na zona mais junto ao rio, Poço do Bispo e Braço de Prata"..No que diz respeito aos outros transportes que servem a cidade de Lisboa, "nomeadamente a Carris", Ana Leal defende que "a conexão é pobrezinha". "A estação do Metro da Bela Vista, por exemplo, tem ali apenas um ou dois autocarros, que fazem circuitos pequenos... não circulam em todos os bairros. A nossa ideia também era que houvesse uma maior conexão entre estes transportes. Nem que houvesse as chamadas carreiras do bairro, que depois ligassem às carreiras principais. Por exemplo, na Infante Dom Henrique passam imensos autocarros", sublinha..A intenção dos signatários desta petição é conseguir igualmente apresentar as suas questões ao Metropolitano de Lisboa, que está na dependência do Ministério do Ambiente, e à CP, tutelada pelo Ministério das Infraestruturas. A primeira por causa das interconexões com a Carris e a segunda devido à estação de Braço de Prata e ao apeadeiro de Marvila.."Marvila tem Carris, Metro e CP. Seria ótimo se a população pudesse usá-los de uma boa forma. No entanto, a estação da CP de Braço de Prata, por exemplo, tem uma circulação de comboios que liga à linha de Sintra e a Santa Apolónia. Já o apeadeiro de Marvila é o parente pobre, pois nem todos os comboios param e ao fim de semana acho que nem param... e as pessoas também trabalham ao fim de semana e precisam de se deslocar", refere a representante do grupo comunitário Marvila Antiga.."Esta é uma luta antiga da população, em especial destes territórios", pode ler-se no texto da petição, que considera ser "da maior importância refletir com os respetivos serviços sobre algumas das justificações que a Carris e a Câmara Municipal" têm dado e que têm tido influência na "insatisfação" sentida "por todos há muito tempo"..A petição refere ainda estar ciente de "que os recursos financeiros da autarquia (e do Estado) são finitos". Ainda assim, os moradores de Marvila alertam ser "premente a revisão da oferta de transportes e dos seus percursos, de maneira equilibrada entre o norte e o sul da freguesia" e isto "atendendo aos pontos de interesse da população" mas também às ligações da freguesia com o resto da cidade de Lisboa, defendendo por isso a "criação de uma rede multimodal"..ana.meireles@dn.pt