Moradores do bairro do Condado querem pedir a Carlos Moedas casas mais dignas

A Câmara Municipal prometeu gastar quatro milhões de euros na reabilitação de cinco lotes da antiga zona J de Chelas e as obras até foram antecipadas. Os residentes daquela zona de Marvila agradecem, mas dizem não ser suficiente, pois há outros prédios que não podem esperar mais. É isso que querem explicar na reunião pública da autarquia.

Os moradores do bairro do Condado, em Chelas, querem pedir na próxima reunião pública da Câmara Municipal de Lisboa, marcada para quarta-feira, que sejam feitas obras de fundo nos prédios desta zona da cidade. Para o efeito, Pedro Charters, da Comissão de Moradores de Marvila, inscreveu-se para intervir, mas só próprio dia saberá se poderá expor as queixas, ao presidente Carlos Moedas e aos restantes vereadores. Em causa estão problemas em telhados, ou a falta deles, elevadores avariados e até apartamentos cheios de humidade.

"Na vigília que foi feita a 6 de janeiro, foi aprovada pelos moradores presentes, cerca de 100, uma deliberação com reivindicações que vão no sentido de pedir a manutenção dos prédios. Esteve lá a vereadora da Habitação, Filipa Roseta, e na altura disse que estava em marcha um plano de reabilitação de alguns lotes do bairro do Condado, o que é bom, mas existem muitos outros lotes com problemas bastante graves", revelou Pedro Charters ao DN, acrescentando as reivindicações passam por "certos prédios que não podem esperar mais um ou dois anos", tal como lhes foi dito.

Um dos edifícios a precisar urgentemente de obras é, segundo este membro da Comissão de Moradores de Marvila, o lote 566, "que tem os problemas mais graves, mas não está no plano de renovações da Gebalis", sublinhou, revelando que "o prédio tem os telhados mal construídos, há uma parte que nem sequer existe telhado, o que faz com que tenha infiltrações gravíssimas e situações de humidade".

Além disso, "os lotes 563 e 564 nunca foram pintados" e, como tal, "têm bocados a cair e os os ferros exteriores estão à vista", sendo que dá origem a "infiltrações, pois os ferros oxidam e estalam". "Contudo, se andarmos pelo bairro vê-se que é um problema generalizado", acrescenta.

A situação das infiltrações piorou desde que a Gebalis, a empresa que gere os bairros municipais de Lisboa, realizou intervenções nos telhados de alguns lotes para retirar o amianto. "Os 566, 567 e 568, no centro do bairro, tinham telhados de amianto que foram retirados. Num deles, até nem foi colocado um telhado novo. Nos outros dois foram colocadas telhas que até têm bom aspeto, porque estão novas, mas em vez de estarem em pirâmide para a água escorrer, estão em V, ou seja, empurram a água para o centro do prédio e faz uma espécie de piscina que, eventualmente, acaba por escoar para o interior dos apartamentos", explica.

Intempéries de dezembro pioraram situação

O mau tempo que se fez sentir em Lisboa durante o mês de dezembro também não ajudou quem mora no Condado. "Essas chuvadas puseram a nu os problemas que já existiam. Haviam pequenas infiltrações, mas com aquele temporal os problemas foram multiplicados por dez", refere Pedro Charters.

Etelvina Lucas, que vive no Condado há 42 anos, foi uma das pessoas que viu as condições da sua casa piorarem. "Um dia estava na cama e caiu umas pingas na minha cabeça. Pedi a Deus que não chovesse no quarto. Acordei, era meia-noite e tal, cheguei a cama para lá e pus lá um alguidar", contou a moradora à agência Lusa.

Ao DN, Pedro Charters conta que Etelvina é uma das pessoas, como muitos outras do bairro, "chateadas, revoltadas, mas também já com uma certa resignação". "Na vigília estava a falar com a senhora Etelvina e ela disse-me que já estiveram muitas vezes na sua casa e até tiraram fotografas, mas continua tudo na mesma", disse.

Os elevadores são outro problema comum a quase todos os prédios do bairro do Condado, a antiga zona J de Chelas, onde vivem mais de cinco mil pessoas, em cerca de 90 lotes, com os prédios a dividirem-se entre torres com 14 andares e outros edifícios com oito pisos. "A maior parte dos lotes tem dois ou três elevadores, dos quais apenas um funciona normalmente. Por exemplo, nos lotes 536 e 538 só um elevador é que estava a funcionar e, mesmo esses, avariam dia sim, dia não. Vai lá uma equipa técnica da Gebalis, põe-nos a funcionar e, no dia seguinte voltam a avariar. Estão em situação de avaria permanente, sendo que as pessoas que lá vivem são mais idosas e, como tal, ficam muito limitadas para sair de casa", explicou Pedro Charters.

Nova vigília em fevereiro

No final de dezembro, a vereadora da Habitação anunciou que o pacote de cerca de 40 milhões de euros para as obras de reabilitação nas habitações municipais, geridas pela Gebalis, inclui quatro milhões para serem feitas intervenções em cinco lotes do bairro do Condado, que "já tinham sido identificados como urgências", pelo que estava previsto a antecipação do início das obras para este ano. Aliás, esta foi uma promessa que Filipa Roseta voltou a fazer quando esteve na vigília de 6 de janeiro.

"As pessoas desses lotes estão muito felizes, mas não é suficiente", diz o representante da Comissão de Moradores de Marvila, lembrando que "é difícil aceitar quando dizem a outras pessoas, com casas com problemas graves, que têm de esperar mais um ou dois anos porque o orçamento não chega." Pedro Charters deixa ainda um aviso à autarquia em relação às intervenções que vão ser feitas: "Tem de haver um controlo sobre a execução das obras, porque noutras ocasiões não ficam bem feitas."

No próximo dia 3 de fevereiro, a Comissão de Moradores de Marvila tem marcada uma nova vigília no bairro do Condado, à semelhança do que já tinha acontecido a 6 de janeiro. Enquanto isso, a Associação de Moradores do Condado-Marvila, que não está associada a estas vigílias, irá reunir-se em breve com a vereadora Filipa Roseta.

ana.meireles@dn.pt

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