Moita investe 748 mil euros em centro de recolha de animais abandonados

Equipamento deverá estar concluído no segundo semestre de 2023 e terá capacidade para acolher um máximo de 120 animais. Projeto receberá um financiamento de 100 mil euros do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

É uma obra que vai pôr fim à inexistência de um centro municipal de recolha de animais abandonados no concelho da Moita. A câmara planeia lançar o concurso da construção do CROAE-Centro de Recolha Oficial de Animais Errantes ainda durante a primeira quinzena deste mês, para que as obras comecem no último trimestre do ano. Este espaço deverá estar pronto na segunda metade de 2023, terá capacidade para albergar 120 animais e representa um investimento de 748 900 euros.

"O que nos levou a avançar rapidamente para esta solução foi termos identificado à nossa chegada que, neste momento, a Moita não possui um centro de recolha de animais errantes. A situação que tinha anteriormente era uma associação que havia na Moita/Barreiro, que construiu a Quinta do Mião, e que à data da sua construção não teria já sequer capacidade de resposta para as necessidades de um só concelho, quanto mais de dois, situação que se veio a verificar aquando da alocação dos animais naquele espaço", refere ao DN Carlos Albino, presidente da Câmara da Moita. "Mais tarde, no anterior mandato, decidiram fazer a dissolução desta associação, com a Quinta do Mião a ficar apenas para o Barreiro, o que veio a obrigar a Moita a encontrar uma rápida solução para esta situação", acrescenta o autarca eleito pelo Partido Socialista. Até ao CROAE estar a funcionar, os animais recolhidos na Moita continuam na Quinta do Mião, sendo que a autarquia paga a alimentação e as despesas dos mesmos.

Em julho do ano passado, o anterior Executivo da autarquia, então liderado por Rui Garcia, lançou um concurso para a construção do centro de recolha de animais deste espaço, mas ficou deserto. Carlos Albino mandou refazer o projeto. "O Executivo da CDU lançou um projeto que, na sua globalidade, ia em valores acima dos 1,2 milhões de euros, sendo que no último concurso que lançaram foi apenas para metade do projeto e o valor já ia na casa dos 780 mil euros para fazer apenas 20 boxes. Nós achámos que o projeto carecia de uma revisão, já que íamos lançar um projeto de raiz, para ter uma capacidade de comportar todas as necessidades do nosso concelho, o que implica fazer 40 boxes", explica o autarca da Moita.

Recurso ao endividamento é hipótese

O novo concurso deverá ser lançado até 15 deste mês, sendo que a construção terá previsivelmente início até ao último trimestre do ano, estando a sua conclusão prevista no espaço de 300 dias. A área total da intervenção será de 3178 metros quadrados, sendo que destes 549 serão para a construção dos edifícios e 285 metros quadrados dedicados aos playgrounds dos 120 animais que o Centro de Recolha Oficial de Animais Errantes da Moita terá capacidade para acolher. "Tivemos também que rever a localização do projeto, para aproximar o espaço da rede de esgotos, mas dentro do terreno que estava previsto inicialmente, que fica numa faixa de terreno que temos na imediação do cemitério municipal do Pinhal do Forno", justifica Carlos Albino.

O projeto prevê a construção de cinco edifícios, sendo que o primeiro, com funções administrativas, será composto por receção, gabinete do médico veterinário/sala de tratamentos, enfermaria/sala de esterilização e instalações sanitárias de apoio a gabinetes e visitantes, com a valência de acessibilidade a pessoas com mobilidade condicionada. O segundo, dedicado a funções operacionais, terá dois gatis orientados e área destinada aos funcionários, composta por balneários, instalações sanitárias e zona de refeições. Um terceiro acolherá duas boxes para quarentena, duas boxes de transição de animais recentemente capturados e zonas de armazenamento. O quarto e o quinto edifícios vão receber, cada um, 20 boxes para cães, com os respetivos playgrounds. Está ainda prevista a construção de uma zona de recreio comum a todos os animais e, na zona exterior, junto à entrada, um pequeno parque de estacionamento.

No que diz respeito aos 748 900 euros de investimento, 100 mil serão comparticipados pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, que serão utilizados logo na primeira fase das obras. O resto será garantido pela Câmara da Moita. "Para fazer um investimento desta natureza vamos certamente ter que nos endividar, ou arranjar recursos de outra forma, mobilizando verbas do orçamento que temos disponíveis de outras obras que ainda não arrancaram para injetarmos nesta", desvenda o presidente da Câmara da Moita.

ana.meireles@dn.pt

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