Cascais oferece teleconsultas e entrega de medicamentos ao domicílio

Cascais Vida. Projeto pretende complementar os cuidados de saúde prestados pelo SNS e apoiar o envelhecimento ativo no concelho. As teleconsultas serão nas áreas de pediatria e medicina geral.

"Este serviço levará a que muitos dos munícipes de Cascais não necessitem de acorrer aos centros de saúde." A frase é do presidente da autarquia, Carlos Carreiras, e resume a ambição que norteia o programa Cascais Vida. A iniciativa, disponível a todos os cidadãos e integrada nos Serviços Locais de Saúde e Solidariedade Social (SL3S), pretende disponibilizar teleconsultas e entrega de medicamentos ao domicílio sem qualquer custo. Um passo mais, acredita o autarca, no reforço da qualidade de vida dos munícipes.

Desde o início de 2020 que todos os residentes, trabalhadores e estudantes de Cascais têm direito à utilização gratuita dos transportes públicos do concelho e agora, mais de um ano depois, também o acesso generalizado e mais facilitado à saúde é uma preocupação do executivo.
Este projeto assenta em três pilares fundamentais - oferta de teleconsultas durante todos os dias do ano, a instalação de cabinas-consultórios em cada uma das nove paróquias e acesso universal a médicos de família. "Apesar de tudo, somos dos concelhos que maior cobertura [de medicina geral] tem, mas ainda existem cerca de 15 mil cidadãos sem médico de família", diz ao DN Carlos Carreiras.

Para "colmatar o défice" na oferta garantida pelo Estado, o município juntou esforços com a União das Misericórdias e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT) para criar o Bata Branca. Desta forma, os habitantes locais têm acesso a consultas presenciais de medicina geral e familiar, enquanto o executivo termina o "forte investimento" em novos centros de saúde.

No caso das consultas médicas à distância, com 30 minutos de duração máxima, estão disponíveis nas áreas da pediatria e de medicina geral, bastando ser portador do cartão Viver Cascais para usufruir. Adicionalmente, os medicamentos que forem prescritos no âmbito deste atendimento serão entregues, sem qualquer taxa adicional, em casa dos utentes. "Uma iniciativa sem precedentes na história do poder local e que nos anima no desígnio de erguer um verdadeiro Estado de providência local", afirma o autarca, que ao longo da pandemia tornou a saúde um eixo prioritário do município. A outra vertente do Cascais Vida diz respeito aos idosos, a quem serão dirigidas medidas relacionadas com o exercício físico e de combate à solidão. "Queremos garantir qualidade de vida aos mais velhos", atesta.

O acesso mais facilitado à prestação de cuidados de saúde é possível, ainda, com a instalação de cabinas-consultórios nas nove paróquias de Cascais. Além de ajudar a aliviar a pressão sobre centros de saúde e hospitais da região, estes espaços contam com equipamento de diagnóstico que permite, entre outros exames, realizar testes oftalmológicos, auditivos ou eletrocardiogramas. É "um programa muito ambicioso" que arranca com a primeira experiência no Complexo Desportivo da Abóboda, já disponível.

Sobre o montante total investido, o autarca explica que é preciso distinguir entre despesa corrente e investimento. "Em termos globais, incluindo a construção de novos centros de saúde e a compra de equipamento, o investimento andará, nos próximos quatro anos, na ordem dos 40 milhões de euros", esclarece. Por outro lado, Carlos Carreiras relembra a promessa feita durante a campanha eleitoral para a redução da taxa municipal de IMI, hoje fixada em 0,34%, e diz pretender usar o valor correspondente a uma baixa de 0,01% por ano para financiar o programa agora lançado. São 1,5 milhões de euros por ano de despesa corrente, totalizando seis milhões de euros no quarto ano de execução do projeto.

Alargar a outros concelhos

O caminho percorrido por Cascais tem sido preenchido de iniciativas em torno da digitalização do município, da melhoria da qualidade de vida dos habitantes e da sustentabilidade ambiental. Contudo, a realidade de cada um dos 308 concelhos portugueses é díspar, pelo que nem todos terão capacidade de replicar este modelo de governança. "Depende do tipo de município", começa por dizer o autarca, detalhando que "a extensão territorial não é igual" e que a literacia tecnológica das populações, essencial para a utilização dos serviços digitais, é diferente em cada local do país. "Cabe a cada presidente de câmara perceber o que pode ou não fazer", remata.

dnot@dn.pt

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