A Câmara Municipal de Lisboa aprovou esta quarta-feira uma moção do PCP para que o Governo e o Metropolitano adotem "medidas urgentes" para minimizar os constrangimentos nos transportes públicos na cidade devido às obras no metro no Campo Grande e esclareçam ainda o futuro do projeto da linha circular. O documento foi aprovado com os votos contra do PS, a abstenção dos Cidadãos Por Lisboa e o apoio dos restantes vereadores..O executivo municipal quer que o Governo e o Metro de Lisboa esclareçam "cabalmente" as afirmações atribuídas ao ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, que tutela a empresa, de que "a linha circular poderia já não se concretizar e dar lugar, em alternativa, a uma linha em laço"..Na terça-feira, o Ministério do Ambiente, através de um comunicado, avançou com esta possibilidade, mas deixando claro que a decisão cabe ao Metro. A hipótese de transformar a linha circular numa linha em laço já havia também sido transmitida este mês por Duarte Cordeiro numa reunião em que participaram, entre outros, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, e o líder da Junta de Freguesia do Lumiar, Ricardo Mexia, uma das zonas que sai prejudicada com o atual desenho da linha circular, pois obriga quem sai das estações de Odivelas, Senhor Roubado, Ameixoeira, Lumiar, Quinta das Conchas e Telheiras a fazer transbordo no Campo Grande se quiserem ir para outras zonas de Lisboa..O assunto também já chegou ao Parlamento, através do PCP, que entregou esta quarta-feira um requerimento para ouvir na Comissão de Economia "com caráter de urgência" o ministro do Ambiente e da Ação Climática, "sobre a possibilidade de alterações às obras de expansão do Metropolitano de Lisboa e o abandono da Linha Circular", adiantou ao DN fonte comunista..Também o PAN recorda que tem defendido a suspensão do processo de construção da Linha Circular e que, em contrapartida, fosse dada prioridade à expansão da rede do Metro para concelhos como Loures, a continuidade da rede de Odivelas, bem como para Alcântara e a zona ocidental de Lisboa..E lembra que, apesar de ter em 2020 ter sido aprovada a suspensão da Linha Circular pela Assembleia da República, a qual ganhou força de lei com a promulgação do Orçamento de Estado para 2020, "o governo ainda assim decidiu avançar com o processo de construção da Linha Circular, ignorando as votações da Assembleia da República, e indo mesmo contra a lei", afirma ao DN Inês de Sousa Real.."Parece-nos assim fundamental que seja reavaliada a opção da linha circular, seja através do que o Ministro do Ambiente já referiu da circulação em laço, mas principalmente através da urgente expansão do metropolitano aos demais concelhos da área metropolitana de Lisboa. Só assim se poderá dar resposta à pressão que existe decorrente da circulação automóvel na cidade de Lisboa, que diariamente ultrapassa meio milhão de viaturas e promover a descarbonização da mobilidade, bem como mitigar as assimetrias sociais que persistem entre as diferentes cidades e até efetivar uma política de habitação mais eficiente, o que passa também pelas acessibilidades", prossegue a deputada do PAN, em declarações ao DN.