Atropelamentos nas ruas do Porto causaram 13 mortos e 24 feridos graves em cinco anos
Os atropelamentos em meio urbano causaram 13 mortos e 24 feridos graves entre 2019 e 2023 no Porto, concentrando-se sobretudo na Baixa, Boavista, frente marítima e em grandes ruas e avenidas, segundo o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável.
"Dos atropelamentos registados no período de cinco anos em análise resultaram 13 vítimas mortais, 24 feridos graves e 1.177 feridos leves", pode ler-se no documento cuja submissão a consulta pública vai a votação na reunião de Câmara do Porto na terça-feira.
No Porto, segundo o documento, "a distribuição dos sinistros, embora dispersa por todo o território, apresenta particularidades conforme a tipologia de acidentes", estando os atropelamentos "concentrados na baixa e centro histórico, na Boavista, na frente marítima (Avenidas do Brasil e de Montevideu), e no Polo da Asprela, bem como em alguns eixos radiais estruturantes como a Avenida de Fernão de Magalhães, a Rua do Amial, de Costa Cabral e de Fernandes Tomás".
Nos atropelamentos, "é sabido que em muitos casos os mesmos ocorrem em passadeiras", mas dada a ausência de dados sobre passadeiras, o diagnóstico utilizou a localização dos semáforos "para estabelecer uma relação entre a infraestrutura e os comportamentos".
"Cerca de 16% dos atropelamentos ocorreu numa interseção semaforizada e, como tal, com a presença de passadeiras, em especial em vias como a Avenida de Fernão de Magalhães, Ruas da Constituição, de Damião de Góis, de Fernandes Tomás, do Carvalhido e a Praça Mouzinho de Albuquerque [conhecida como rotunda da Boavista]", lê-se.
Assim, nestes casos, a ocorrência de atropelamentos "deve-se, em especial, às situações de excesso de velocidade" ou "à definição de tempos de atravessamento insuficientes nos ciclos semafóricos" para os peões.
O PMUS cruza ainda os dados de atropelamentos com o estacionamento ilegal, já que "locais onde o estacionamento ilegal é recorrente" são "zonas de forte concentração de atropelamentos e acima de tudo, com registo de vítimas mortais incluídas".
"Ainda que não seja possível afirmar que estes são consequência direta do estacionamento ilegal, os 377 atropelamentos que resultaram nestas localizações tiveram como consequência três vítimas mortais, oito feridos graves e 383 feridos leves que poderiam ter sido evitados, ou em grande medida reduzidos, caso se atuasse de forma mais severa na punição do estacionamento ilegal", pode ler-se no documento.
Quanto às colisões, "destacam-se a Estrada da Circunvalação, a Avenida AEP, a Via de Cintura Interna [VCI] como as vias mais problemáticas, situação decorrente dos maiores volumes de tráfego aí registados".
"No que respeita a vias urbanas há a destacar a Avenida da Boavista, as Ruas Manuel Pinto de Azevedo, da Constituição, de Damião de Góis, do Campo Alegre e de Júlio Dinis. Das colisões resultaram 14 vítimas mortais, 34 feridos graves e 3467 feridos leves", refere o documento.
Quanto aos despistes, "são mais frequentes não só nos troços mais sinuosos da VCI bem como nos nós de Francos e da A3, mas também em vários arruamentos na baixa da cidade e na zona da Foz", cuja ocorrência "poderá ser explicada pela prática de velocidades de circulação excessivas".
Os despistes geraram 11 vítimas mortais, 13 feridos graves e 791 feridos ligeiros.
No total, quanto à localização dos acidentes que causaram vítimas, "verifica-se que os acidentes com vítimas mortais tiveram lugar não apenas em vias da rede nacional como a VCI (oito vítimas) mas também em arruamentos como a Avenida da Boavista (três vítimas) e a Avenida de Fernão de Magalhães (quatro vítimas)".
"Destaca-se, igualmente pela negativa, a Estrada da Circunvalação, com cinco vítimas mortais, três delas na zona do Polo Universitário da Asprela. Em apenas três registos se registou mais de uma vítima mortal, tendo estes ocorrido na interseção da Circunvalação com a Rua Roberto Frias, na Rua Morgado Mateus e na Rua de Sobreiras, todos com duas vítimas", pode ler-se no documento.
