Lisboa é a 109ª cidade mais cara do mundo para expatriados. Os dados são do estudo "Custo de Vida 2022", da consultora Mercer, que indica que a capital portuguesa desceu 26 lugares relativamente ao ranking do ano passado. No que ao continente europeu diz respeito, Lisboa é a 36ª cidade mais cara para expatriados, revela o mesmo estudo que analisou o custo de vida de 227 cidades mundiais para pessoas que vivem fora do seu país natal..A cidade mais cara do mundo para expatriados é Hong Kong (China), que em 2021 ficou em segundo lugar. Esta posição é agora ocupada por Zurique, na Suíça, seguida de outras três cidades do mesmo país, Genebra, Basileia e Berna, que ficam em terceiro, quarto e quinto lugares, respetivamente..Segundo a Mercer, "o aumento do trabalho remoto e flexível, a guerra na Ucrânia, as variações cambiais e a inflação generalizada", estão a impactar materialmente no pagamento dos trabalhadores, o que poderá vir a ter efeitos negativos para as empresas mundiais na retenção de talento..Como explica o Bussiness Leader de Career da Mercer Portugal, Tiago Borges, "a volatilidade desencadeada pela covid-19 e agravada pela crise na Ucrânia tem alimentado a incerteza económica e política global. Esta incerteza, que anda a par com o aumento significativo da inflação na maioria dos países em todo o mundo, preocupa os expatriados quanto ao seu poder de compra e estabilidade socioeconómica"..Ou seja, os colaboradores que trabalham fora dos seus países de origem recebem, normalmente, um subsídio que lhes permite enfrentar o custo de vida no local onde exercem a sua profissão. Este subsídio, como explica a consultora, "é calculado através da aplicação de um índice de custo de vida sobre parte do salário líquido dos colaboradores, ou seja, o montante que gastam em bens e serviços utilizados diariamente no seu local de acolhimento"..No entanto, a escalada da inflação e consequente aumento do custo de vida estão a impactar o poder de compra dos expatriados. A possibilidade de poder trabalhar remotamente levou muitas destas pessoas a priorizar outras condições (o equilíbrio entre a vida profissional e familiar e a escolha do local de residência) que podem vir a ter repercussões nas empresas. Estas precisam, reforça a Mercer, "de repensar a sua estratégia de mobilidade, para terem uma oportunidade na batalha global pelo talento"..Sugestão secundada por Tiago Borges que alerta que para "as organizações, o bem estar financeiro dos colaboradores é um fator-chave na sua capacidade de atrair e reter talentos de topo". Organizações essas que devem "definir estratégias claras para estruturar os seus pacotes de mobilidade para colaboradores internacionais em tempos instáveis"..Também Marta Dias, Rewards Leader da Mercer Portugal, afirma que "a falta de adaptação das estratégias internacionais de remuneração ao novo mundo do trabalho prejudica a capacidade das organizações em atrair, desenvolver e reter talentos-chave"..Segundo o estudo "Custo de Vida 2022", Copenhaga, Londres, Viena, Amesterdão, Oslo e Munique, são as cidades europeias mais caras para quem trabalha fora do seu país natal, para além das cidades suíças de Zurique, Genebra, Basileia e Berna. A cidade mais cara da Europa de Leste é Praga (Chéquia), que ocupa o 60.º lugar entre 227 cidades..Já Sarajevo, na Bósnia-Herzgovina, que ficou em 209º lugar do ranking mundial, foi considerada a cidade mais barata da Europa de Leste..Para apurar estes resultados, o estudo da Mercer mediu o custo comparativo de mais de 200 fatores, onde se inclui habitação, transporte, alimentação, vestuário, produtos domésticos e entretenimento, em 227 cidades dos cinco continentes. Como explica a consultora, os resultados referentes ao custo de vida e arrendamento de alojamento provêm de um inquérito realizado em março deste ano.