Zelensky diz que Moscovo empurra Kiev para a NATO

Presidente reuniu com o secretário-geral da Aliança Atlântica, que rejeitou a exigência russa de fechar a porta à adesão da Ucrânia.

O secretário-geral da NATO rejeitou ontem os apelos da Rússia para que a Ucrânia seja excluída de uma futura adesão à aliança e denunciou como uma "provocação" o aumento da presença militar de Moscovo junto à fronteira com este país. "Não vamos comprometer o direito da Ucrânia a escolher o seu próprio caminho. Não vamos comprometer o direito da NATO de proteger e defender todos os seus aliados", disse Jens Stoltenberg após uma reunião com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Este alega que é Moscovo que está a empurrar Kiev para a aliança.

"Desde 2014, desde o início da guerra, acredito que a Rússia empurrou a Ucrânia para a NATO", disse o líder ucraniano. "Acredito basicamente que hoje a própria Rússia está a abrir o difícil caminho da Ucrânia para a NATO", acrescentou Zelensky, defendendo que Kiev já se vê como membro da Aliança há vários anos.

Na quarta-feira, a Rússia entregou uma lista de exigências em matéria de segurança à secretária de Estado adjunta norte-americana, Karen Donfried, que as discutiu depois com Stoltenberg na sede da NATO, em Bruxelas. Entre essas exigência está a de que a Aliança Atlântica deve fechar a porta, oficialmente aberta em 2008, a uma possível adesão ucraniana. Apesar de Kiev ainda parecer longe de estar preparada para tal gesto, Moscovo alega que só a possibilidade de adesão representa um risco para a sua segurança nacional.

O secretário-geral insiste contudo que qualquer decisão sobre este tema cabe à Ucrânia e aos 30 países da Aliança, sem contudo se comprometer com um calendário. Stoltenberg defendeu "o direito das democracias de trabalhar em estreita colaboração com um parceiro próximo como a Ucrânia", referindo que a relação entre ambos é "defensiva" e que "não é de maneira alguma uma ameaça para a Rússia". O secretário-geral da NATO alega que em tudo isto "o agressor é a Rússia", porque "está a usar a força militar contra a Ucrânia, a anexar ilegalmente parte da Ucrânia, a Crimeia, em 2014, e a continuar a desestabilizar o leste da Ucrânia".

Na véspera da reunião com Stoltenberg, Zelensky esteve reunido com os líderes europeus, dizendo que a maioria apoia a posição de Kiev neste conflito. O presidente ucraniano mostrou-se contudo frustrado pela recusa dos europeus em empreender ações preventivas contra a Rússia, preferindo ameaçar com uma resposta caso Moscovo passe à ação - tanto a União Europeia como os EUA ameaçam com sanções económicas "massivas" no caso de uma eventual invasão.

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