Zelensky diz que controlo de territórios vai ser discutido nas negociações em Abu Dhabi
GIAN EHRENZELLER/EPA

Zelensky diz que controlo de territórios vai ser discutido nas negociações em Abu Dhabi

Na véspera desta reunião trilateral, o presidente ucraniano criticou os aliados europeus afirmando que viu uma Europa "fragmentada" e "perdida". Von der Leyen lembra que UE é quem “mais apoiou” a Ucrânia.
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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que a questão fundamental do controlo sobre os territórios no leste ucraniano vai ser abordada pelas delegações ucraniana, russa e norte-americana na reunião trilateral que se vai realizar, a partir desta sexta-feira, 23 de janeiro, em Abu Dhabi.

"A questão do Donbass (território no leste da Ucrânia, incluindo as regiões de Donetsk e Lugansk) é fundamental", declarou esta sexta-feira o presidente ucraniano durante uma conferência de imprensa

A realização da reunião foi anunciada pela presidência russa durante a madrugada, após um encontro em Moscovo entre o Presidente, Vladimir Putin, e o enviado norte-americano Steve Witkoff.

"Ficou acordado que a primeira reunião de um grupo de trabalho trilateral sobre questões de segurança vai realizar-se hoje em Abu Dhabi", disse o conselheiro diplomático russo, Yuri Ushakov.

A equipa russa, liderada pelo general Igor Kostyukov, um alto funcionário do Estado-Maior, vai deslocar-se para Abu Dhabi nas próximas horas, acrescentou.

A Ucrânia vai ser representada pelo secretário do Conselho de Segurança, Rustem Umerov, pelo chefe de gabinete Kyrylo Budanov e pelo vice-chefe de gabinete Serhiy Kyslytsia.

A delegação da Ucrânia é composta ainda pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Andriy Gnatov.

Na quinta-feira, em Davos, Zelensky criticou os aliados europeus afirmando que viu uma Europa "fragmentada" e "perdida" no que diz respeito à influência sobre as posições do Presidente dos Estados Unidos e à falta de "vontade política" do chefe de Estado russo, Vladimir Putin.

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Zelensky arrasa europeus e anuncia reunião trilateral com EUA e Rússia

As críticas em relação aos principais apoiantes políticos e financeiros de Kiev ocorreram após um encontro com Donald Trump em Davos, Suíça, que, segundo Zelensky, resultou num acordo sobre garantias de segurança para a Ucrânia.

O diálogo com o homólogo norte-americano "não foi simples", admitiu o líder ucraniano, embora tenha descrito o encontro como "positivo".

UE é quem “mais apoiou” a Ucrânia, recorda Von der Leyen

Em reação a estas críticas de Zelensky, a presidente da Comissão Europeia reconheceu que a UE "nunca igualará o sacrifício do povo ucraniano", mas recordou que é quem mais apoiou o país, num montante superior a 193 mil milhões de euros.

"Sabemos que nunca igualaremos o sacrifício do povo ucraniano, mas o que podemos fazer é estar ao seu lado e penso que os números [de fundos de apoio à Ucrânia] falam por si, assim como o empenho pessoal de todos nós", afirmou Von der Leyen, relçando que "as ações valem mais do que as palavras".

"Somos quem mais apoiou a Ucrânia: mais de 193 mil milhões de euros e o Conselho Europeu acabou de decidir acrescentar a isso outros 90 mil milhões de euros para os próximos dois anos", referiu.

Por sua vez, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, questionado também sobre as declarações de Zelensky, pediu que o foco quanto à Ucrânia esteja "na questão principal".

"E a questão principal é apoiar os ucranianos a alcançar uma paz justa e duradoura. É isso que temos feito desde o primeiro dia e continuaremos a apoiar a Ucrânia e os ucranianos para que alcancem uma paz justa e duradoura", referiu.

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