Von der Leyen quer assegurar a  "verdadeira soberania aos europeus" e criar frota de combate a incêndios
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Von der Leyen quer assegurar a "verdadeira soberania aos europeus" e criar frota de combate a incêndios

Presidente da Comissão Europeia chega à conclusão de que "o estado da nossa União é o mais forte de sempre, mas o estado da nossa União pode também parecer tão precário como nunca".
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A presidente da Comissão Europeia afirmou esta quarta-feira, 16 de setembro, no seu discurso do Estado da União, que apenas a União Europeia "pode proporcionar verdadeira soberania aos europeus”, numa altura em que o bloco está ameaçado por fatores como a guerra, os ataques híbridos e a ascensão dos extremismos.

Ursula von der Leyen disse que, ao olhar para a Europa de hoje, chega à conclusão de que "o estado da nossa União é o mais forte de sempre, mas o estado da nossa União pode também parecer tão precário como nunca".

"Estas duas afirmações podem parecer incompatíveis, mas ambas são verdadeiras e refletem estes tempos excecionais, esta era complexa de grandes possibilidades e grandes perigos, que todos os países procuram navegar”, explicou, na sessão plenária do Parlamento Europeu, na cidade francesa de Estrasburgo, naquele que é o seu segundo discurso do Estado da União do novo mandato.

A líder do executivo comunitário disse que "a Europa escolheu traçar o seu próprio caminho”, estando agora a “emergir mais forte e independente”, ao garantir a própria prosperidade, reduzir a dependência dos combustíveis fósseis russos, reforçar a posição de potência comercial, transformar a política industrial e aumentar a capacidade de defesa.

“Tudo isto prova uma coisa: a Europa está aqui para os europeus. E, perante a fragilidade do mundo atual, apenas a Europa pode proporcionar verdadeira soberania aos europeus”, frisou von der Leyen, que elencou “ameaças” como a guerra no continente europeu, a concorrência industrial global, a desinformação, a ascensão dos extremismos e as divisões internas, agravadas pelo custo de vida, pela habitação e pelo impacto da tecnologia.

"Queremos uma Europa forte e independente, que defenda os seus valores neste mundo? Ou permitiremos que as divisões e as dependências nos impeçam de avançar? Queremos unir-nos em torno da nossa ideia europeia de que, juntos, podemos decidir o nosso próprio destino? Ou permitiremos que as nossas democracias sejam fragilizadas pelos representantes e pelos fantoches de regimes autoritários?”, questionou a presidente da Comissão Europeia.

“Quer se trate dos ultranacionalistas ou dos antieuropeus, quer se trate da interferência russa ou da desinformação, os nomes podem ser diferentes, mas o objetivo é o mesmo. Desprezam os nossos valores e querem destruir a nossa unidade europeia. Por isso, não nos limitemos a combater essas forças; lutemos juntos pela nossa ideia europeia”, exclamou.

Combate aos incêndios

Um dos destaques do sexto discurso sobre o Estado da União de Von der Leyen foi a intenção de criar uma frota de combate aos incêndios, tendo convidado bombeiros e operacionais de emergência para liderar o projeto.

Esse grupo de trabalho irá analisar “todos os aspetos da preparação e da prevenção” e apresentar propostas, “incluindo para uma futura frota europeia de combate a incêndios”.

“Estes foram os meses de verão mais quentes de sempre, mas provavelmente os mais frescos dos anos vindouros”, lembrou a líder do bloco comunitário, realçando que “a Europa está a aquecer ao dobro do ritmo global”, pelo que em outubro será apresentado "um novo quadro para a resiliência climática".

Em breve também será apresentado um plano para as vagas de calor e uma iniciativa sobre a água.

Este discurso surge numa altura em que a União Europeia enfrenta desafios como as ameaças híbridas atribuídas à Rússia, a recente crise migratória em Ceuta e os riscos associados ao desenvolvimento da inteligência artificial.

O contexto também é marcado pela preparação das negociações sobre o próximo orçamento de longo prazo, para 2028-2034. Sobre essa matéria, Von der Leyen salientou que “qualquer orçamento moderno” da União Europeia (UE) “precisa de novos recursos próprios”.

"Temos de criar as condições para que as nossas empresas possam atrair investimento e crescer", vincou. "As necessidades das nossas empresas são urgentes e, por isso, precisamos de um sistema bancário concebido para o crescimento, não apenas para a estabilidade. É por isso que apresentaremos um novo Pacote Bancário, centrado na simplificação e no combate à fragmentação. Sabemos que existe procura de capital, mas precisamos de uma maior capacidade e de uma maior apetência pelo risco", acrescentou.

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O discurso sobre o Estado da União é proferido anualmente pela presidente da Comissão Europeia perante o Parlamento Europeu, na primeira sessão plenária após as férias, na cidade francesa de Estrasburgo, e serve para fazer um balanço da atividade comunitária e apresentar as prioridades para o ano seguinte.

Instituído em 2010, após a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, o discurso é seguido de um debate com os eurodeputados.

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