O que dizem as sondagens para as eleições autonómicas de Castela e Leão que se realizam no próximo domingo?A última sondagem das sondagens, divulgada pela RTVE na passada segunda-feira, mostra que o Partido Popular (PP), que atualmente governa a região com Alfonso Fernández Mañueco, vai vencer e eleger 31 procuradores (o nome dado aos representantes das Cortes de Castela e Leão, o parlamento autonómico). A confirmar-se esta previsão, repetirá o mesmo resultado que nas eleições de 2022, voltando a ficar aquém da maioria de 42. Os socialistas, que apostam na candidatura de Carlos Martínez, arriscam perder dois representantes, ficando nos 26 procuradores. Já a extrema-direita do Vox, com Carlos Pollán, deverá conquistar mais cinco lugares do que há quatro anos, chegando aos 18. Três partidos regionais devem continuar nas Cortes - União do Povo Leonês (três procuradores), Soria Ya (perde um, ficando com dois) e Por Ávila (um procurador) - enquanto Ciudadanos e Unidas Podemos desaparecem do parlamento, entrando a Esquerda Unida-Sumar com um representante.Por que é que este cenário parece familiar?O cenário de vitória do PP, aquém da maioria absoluta, com a queda do PSOE e a ascensão do Vox tem-se repetido nas eleições autonómicas realizadas nos últimos meses em Espanha. Foi assim a 21 de dezembro, na Extremadura, e em Aragão, já a 8 de fevereiro. Nesses dois casos, as eleições foram antecipadas pelos respetivos líderes regionais do PP, numa tentativa de se livrarem da pressão da extrema-direita do Vox - que tinha rompido em 2024 as alianças regionais, devido à diferença de opinião em relação à política de acolhimento de imigrantes menores não acompanhados. Mas acabaram por ficar mais dependentes do partido liderado a nível nacional por Santiago Abascal..Extremadura: PP fica aquém da maioria absoluta e depende de um Vox que sai reforçado. Descalabro no PSOE.E o que aconteceu nessas duas regiões?O cenário tanto na Extremadura como em Aragão é de bloqueio, com a contagem decrescente para a repetição das eleições na primeira região já a contar (faltam menos de dois meses para conseguir um acordo) depois de María Guardiola não ter conseguido os apoios para ser eleita presidente desta autonomia nas duas votações a 4 e 6 de março. Em Aragão, Jorge Azcón ainda não se submeteu à primeira votação - tem que o fazer até 3 de maio..Espanha. PP ganha em Aragão, mas volta a ficar dependente do Vox para governar.O que é que os partidos estão a fazer em Castela e Leão para evitar esse cenário?Os partidos à direita estão a apelar ao voto dos quase dois milhões de eleitores nesta comunidade, culpando-se mutuamente pelo bloqueio após as outras eleições autonómicas. À esquerda, os socialistas estão a tentar mostrar que PP e Vox são a mesma coisa, esperando escapar às perdas que têm sofrido a cada noite eleitoral. O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, acusa o Vox de “dar alegrias ao sanchismo” (referência ao primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez) ao bloquear os governos autonómicos - na Extremadura, a abstenção da extrema-direita teria sido suficiente para eleger Guardiola, mas o Vox votou contra. E avisou que é possível que o cenário se mantenha assim até às próximas eleições regionais, na Andaluzia (ainda não têm data, mas a expectativa é que sejam em junho). Por seu lado, Abascal culpa Feijóo pela falta de acordo, depois de o PP ter criado um documento com propostas para dialogar que considerou básicas, defendendo antes negociar detalhe a detalhe. Sánchez entrou na campanha reiterando a sua postura contra a guerra no Irão, esperando que essa posição defendida pela maioria dos espanhóis garanta votos para o PSOE e impeça outro desaire..Mas a eleição não é entre Feijóo, Abascal e Sánchez. Quem são os principais candidatos nas eleições de Castela e Leão?O atual presidente da Junta de Castela e Leão é Alfonso Mañueco, que está há sete anos no cargo e concorre pela terceira vez como candidato do PP (será a última, a não ser que haja novas eleições até 2027, quando atinge o limite legal de oito anos). Tem 60 anos e está há três décadas na política, tendo sido autarca de Salamanca (a sua cidade natal) e também conselheiro nos executivos de Juan Vicente Herrera (que governou a região de 2001 a 2019, sempre com maioria absoluta). Mañueco precisou sempre de fazer alianças, primeiro com o Ciudadanos e em 2022 com o Vox. Desde que a extrema-direita rompeu o acordo, em 2024, que a região não tem um novo orçamento. O candidato do Vox é Carlos Pollán, que por causa do acordo com o PP, foi presidente das Cortes. Tem 59 anos e, tal como Mañueco, é formado em Direito. O candidato socialista é Carlos Martínez, de 52 anos, que aposta na ideia de ser “um autarca para Castela e Leão” - desde 2007 que é presidente da câmara da sua cidade natal, Soria, contando atualmente com uma maioria absoluta (a única do PSOE numa capital de província). Propôs ao PP um pacto para deixar governar o candidato mais votado, mas Mañueco rejeitou..Não há mulheres na corrida?Há uma única mulher na corrida à liderança da Junta de Castela e Leão, Alicia Gallego, da União do Povo Leonês, que na realidade defende uma divisão desta comunidade e autonomia própria para Leão (que incluiria as províncias de Leão, Zamora e Salamanca). A comunidade foi formada pela união histórica dos dois reinos. Aqueles que defendem a autonomia de Leão alegam que isso permitiria uma melhor gestão dos recursos nessa região, podendo ajudar a travar o despovoamento. Muitos municípios da região já aprovaram uma moção a defender a criação de uma comunidade Autónoma da Região Leonesa, começando logo com a câmara de Leão em dezembro de 2019. Outros partidos regionais ou locais vão a votos, nomeadamente o Soria Ya, para lutar contra a ideia de Espanha vazia, causada pelo despovoamento do interior. Já o Por Ávila é uma cisão do PP.O que caracteriza Castela e Leão?Castela e Leão é atualmente a maior comunidade autónoma de Espanha, com uma área de mais de 94 mil quilómetros quadrados (ligeiramente maior do que Portugal). Mas, apesar de representar 20% do território espanhol, representa apenas 5% da população (são 2,4 milhões de pessoas) assim como do PIB, com o despovoamento, o envelhecimento e a falta de dinamismo económico e o peso do setor primário a serem chave. O desemprego ronda os 8,4% (abaixo da média espanhola de 9,9%, mas com muita dependência de empregos públicos), com a idade média da população a ser de 48,6 anos e os maiores de 65 anos a representar 27,3% da população. Os estrangeiros não chegam a 9% (a média nacional são 14%).Quais foram os temas desta campanha?O segundo debate entre os três principais candidatos, na terça-feira, ficou marcado pelo choque entre PP e Vox por causa precisamente da imigração, com o candidato da extrema-direita a exigir que Mañueco retifique as acusações de que o partido de Abascal quer abandonar os seres humanos no mar. O candidato do PP recusou, citando o próprio Abascal que disse que os barcos das organizações humanitárias que resgatam migrantes no Mediterrâneo deviam ser confiscados e afundados. Já o socialista defendeu que não há problema nenhum com a chegada de pessoas, mas com a sua saída da comunidade. O despovoamento é a maior preocupação da população. Com a dependência do setor primário, outro tema da campanha foi o acordo com o Mercosul, com PP e Vox a lutarem pelo “voto do campo”.