Mostafa, Meysam e Masoud Khamenei rezaram junto do caixão do pai Ali Khamenei e de outros quatro familiares mortos no dia 28 de fevereiro. Porém, o seu irmão Mojtaba, herdeiro do título de guia supremo da República Islâmica do Irão, primou pela ausência numa cerimónia que pretende mostrar um país unido em torno de um regime que sobreviveu ao bombardeamento que matou o ayatollah e às semanas de guerra que se seguiram. Mas também união no objetivo de Teerão clamar vingança. Depois de um dia em que esteve em câmara ardente para que dirigentes iranianos e dignitários de mais de 30 países pudessem visitar o caixão de Khamenei, este foi exibido no sábado no exterior, encapsulado em vidro, juntamente com os da sua filha, genro, nora e neta de 14 meses. .Ali Khamenei - o enigmático Guia Supremo do Irão.Mais do que luto e pesar pela morte do segundo líder do regime instaurado em 1979, vingança foi o sentimento que transpirou das reportagens junto da Grande Mesquita Imã Khomeini, na capital iraniana. As preces eram interrompidas por cânticos de “Morte à América” e “Morte a Israel”. Não por acaso, a cor das bandeiras maioritárias eram vermelhas, em apelo à retaliação. E, para não haver dúvidas, vários cartazes faziam o apelo, em inglês, à morte do presidente dos Estados Unidos no dia enquanto este celebra os 250 anos da independência do seu país. “Vim aqui para gritar e procurar vingança. Mataram o nosso imã, devemos matar o líder deles, Trump”, disse à Al Jazeera Gholamreza Sabooni, de 29 anos. .Três filhos de Ali Khamenei no funeral, mas não o sucessor.Teerão diz que o metropolitano registou sete milhões de viagens entre as 5h30 de sábado e as 7h de domingo, embora não tenha informado qual é a média num sábado comum. O secretário do Conselho Supremo de Segurança do país aproveitou as imagens das multidões para fazer passar a mensagem de um regime unido e legitimado. “Mantenham os olhos no Irão nestes dias. Este é o mesmo Irão que pensavam poder pôr de joelhos em apenas alguns dias”, escreveu no X Bagher Zolghadr. Este dirigente destacou ainda as duas frases de ordem entoadas, de “resistência contra os inimigos e de vingança pelo sangue do líder martirizado do Irão”.Já sobre a ausência de Mojtaba Khamenei nem uma palavra de justificação, nem de Zolghadr nem de qualquer outra figura da teocracia xiita. E as centenas de milhares que se deslocaram à mesquita não esconderam a desilusão ou a incompreensão sobre o facto de o guia supremo, que estará vivo, mas a recuperar do bombardeamento, não ter comparecido. Quem se mostrou pela primeira vez em público desde que assumiu o controlo do todo-poderoso Corpo dos Guardas da Revolução foi Ahmad Vahidi. Este substituiu Mohammad Pakpour, morto nos primeiros dias da guerra iniciada pelos EUA e Israel.Nesta segunda-feira é feriado em Teerão, por onde passeia o cortejo funerário de Khamenei. Na terça-feira segue para a cidade de Qom, para prosseguir pelas cidades iraquianas de Najaf e Kerbala antes de ser enterrado, na quinta-feira, em Mashhad, sua terra natal..Milhares no arranque das cerimónias fúnebres do antigo líder supremo Ali Khamenei