Venezuela. Oposição promete pressionar governo para libertar presos políticos, incluindo portugueses
A oposição, em diálogo com o Governo da Venezuela, prometeu trabalhar pela libertação dos presos políticos, uma reivindicação antiga reiterada à margem da primeira ronda de negociações.
"Assumimos este compromisso e o nosso objetivo é trabalhar para a libertação dos presos políticos nos próximos dias", disse Dinorah Figuera, chefe da delegação da oposição no diálogo com o Governo, na rede social X, na quinta-feira.
Figuera indicou que se reuniu separadamente na terça-feira com um grupo de ex-reclusos e familiares de presos políticos que apoiam o diálogo com o regime de Caracas.
As autoridades têm utilizado repetidamente os presos políticos como moeda de troca, observou Benigno Alarcón, analista político e professor universitário especializado em negociações.
"Não representam um perigo real para o Governo", enquanto "para a oposição, obter as centenas de libertações ainda esperadas constituiria um ganho considerável", observou.
De acordo com a organização não governamental Foro Penal, até 03 de agosto estavam detidas por motivos políticos na Venezuela 382 pessoas, das quais 356 homens e 26 mulheres. Do total, 222 são civis e 160 militares, todos adultos.
Entre os detidos encontram-se 40 cidadãos estrangeiros ou com dupla nacionalidade, incluindo cidadãos portugueses.
Em 25 de julho, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português disse à Lusa que Manuel Menezes, um dos quatro presos de nacionalidade portuguesa na Venezuela, passou ao regime de prisão domiciliária, deixando de estar em estabelecimento prisional.
Uma fonte oficial do MNE indicou que a embaixada portuguesa em Caracas tem estado a acompanhar de perto esta situação, continuando a trabalhar para a libertação de todos os portugueses presos por razões políticas.
As delegações, lideradas pelo presidente do parlamento, Jorge Rodríguez, e por Dinorah Figuera, concluíram na quarta-feira a primeira ronda de diálogo, que começou a 06 de agosto em Caracas.
Os dois lados chegaram a acordo para renovar o Supremo Tribunal de Justiça (TSJ, na sigla em castelhano) e recuperar ativos do país, depositados no Banco de Inglaterra, para auxiliar as vítimas do duplo sismo de 24 de junho.
As duas partes concordaram ainda em estabelecer mecanismos de transparência, rastreabilidade e auditoria na utilização eficiente destes recursos, "para garantir o bem-estar de todos os afetados".
Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 6.301 mortos e 73.356 feridos, segundo o mais recente balanço oficial. Entre os mortos, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.
Em 2023, o Governo alegou que a Venezuela possuía 31 toneladas de ouro congeladas no Banco de Inglaterra, o equivalente a cerca de 1,7 mil milhões de euros.

