Funcionários governamentais da Venezuela e dos Estados Unidos estão já a discutir o reinício das exportações de crude venezuelano para refinarias em solo norte-americano. Segundo cinco fontes do governo, da indústria e do setor de navegação que falaram à Reuters sob anonimato a medida surge como uma tentativa de escoar milhões de barris de petróleo retidos em petroleiros e tanques de armazenamento.O ponto central destas negociações é redirecionar o fluxo de petróleo que, na última década, teve a China como destino preferencial. Pequim tornou-se o maior comprador de Caracas, especialmente após 2020, quando as sanções impostas pelos EUA afastaram a maioria das empresas ocidentais. Mas o bloqueio total imposto pela administração de Donald Trump em meados de dezembro de 2025 -- que culminou no passado sábado na captura de Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas em Caracas -- deixou o petróleo venezuelano sem saída.Crise de armazenamento na empresa estatal de extraçãoA empresa estatal PDVSA já se viu obrigada a reduzir a produção devido ao embargo, uma vez que está a ficar sem espaço físico para armazenar o crude. Uma das fontes da Reuters alertou que, se não for encontrada uma rota de exportação urgente, a produção terá de sofrer cortes ainda mais drásticos. O envio para as refinarias da Costa do Golfo dos EUA, que têm capacidade técnica para processar o crude pesado da Venezuela, surge como a solução imediata para evitar o colapso operacional da petrolífera.Embora as refinarias americanas importassem cerca de 500.000 barris por dia (bpd) antes das primeiras sanções energéticas, ainda não é claro como é que a PDVSA receberá os lucros destas vendas, dado que a empresa continua sob pesadas restrições financeiras. Nem a Casa Branca nem os representantes da PDVSA emitiram comentários oficiais sobre estas conversas.