Vacinas russas em troca de israelita presa na Síria

Israelitas terão pago quase um milhão de euros à Rússia para que esta dê a Sputnik V aos sírios, que libertaram a jovem.

O governo israelita terá usado vacinas contra a covid-19 como moeda de troca para garantir a libertação de uma jovem que estava detida na Síria. O acordo entre os dois inimigos foi feito graças à mediação da Rússia, que terá recebido cerca de um milhão de euros de Israel para fornecer a sua vacina Sputnik V aos sírios.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, agradeceu ao presidente russo, Vladimir Putin, a sua ajuda na libertação da mulher de 25 anos, que os media dizem terá cruzado a fronteira com a Síria nos Montes Golã. "Eu pedi ajuda dele e ele agiu", disse Netanyahu, apelidando Putin de "meu amigo".

Num comunicado, o gabinete do primeiro-ministro disse que a jovem já estava a caminho de casa, tendo sido enviada da Síria para a Rússia, antes de regressar a Israel. Mas a sua libertação foi apresentada como uma troca de prisioneiros, com a devolução de dois pastores sírios que também teriam cruzado ilegalmente a fronteira.

Na realidade, o acordo implica a compra de um número não revelado de vacinas russas, que serão entregues por Moscovo ao regime de Bashar al-Assad. Israel já vacinou com uma dose da vacina da Pfizer mais de 45% dos seus nove milhões de habitantes, sendo que a Síria ainda não começou a campanha de vacinação contra a covid-19. Respondendo às notícias de que teria comprado vacinas russas para os sírios, Netanyahu limitou-se a responder que "nem uma dose das vacinas israelitas foi usada".

O acordo secreto está a ser alvo de críticas, não só por transformar as vacinas numa moeda de troca - e há relatos não confirmados que Netanyahu poderá estar a pensar usar este método para melhorar as relações com países árabes -, mas também porque não há garantias sobre a forma em que a vacina será distribuída na Síria.

Além disso, chama ainda mais a atenção para o facto de Israel não estar disposto a fornecer vacinas aos palestinianos que vivem sob o seu controlo, mas está a dá-las a um país inimigo. Israel permitiu que a Autoridade Palestiniana enviasse duas mil doses de vacina para a Faixa de Gaza (que mantém sob bloqueio) e transferiu cinco mil vacinas para os funcionários de saúde na Cisjordânia, ocupada, mas nada mais.

Há ainda críticas porque os censores israelitas bloquearam inicialmente os relatos sobre o uso de vacinas como moeda de troca, só levantando a restrições depois de os media internacionais terem relatado o caso.

Netanyahu, que enfrenta um julgamento por corrupção, conta com o sucesso da campanha de vacinação como argumento na campanha para as eleições legislativas do próximo mês. Este domingo, o país deu mais um passo no desconfinamento, com a abertura do comércio de rua, mercados ao ar livre, centros comerciais, bibliotecas e museus. As escolas também já começaram a reabrir.

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