Montagem de fotos de Péter Magyar e Viktor Orbán (com a mulher Aniko Levai) no momento da votação.
Montagem de fotos de Péter Magyar e Viktor Orbán (com a mulher Aniko Levai) no momento da votação. FOTOS: EPA/Robert Hegedus e EPA/AKOS KAISER/Gabinete do Primeiro-MInistro

Eleições na Hungria. Oposição à frente na contagem inicial, com rival de Orbán "cautelosamente otimista"

Húngaros votaram em massa nestas eleições. Mais de 77,8% já tinham depositado o voto até às 18h30 locais (17h30 em Lisboa). Últimas sondagens antes da votação apontam para vitória da oposição.
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As urnas já fecharam na Hungria, mas não há sondagens à boca das urnas e é necessário esperar pela contagem dos votos. Após 16 anos no poder, o primeiro-ministro Viktor Orbán enfrenta nestas eleições o maior desafio, contra um antigo aliado tornado rival, Péter Magyar, líder do Tisza.

Os primeiros resultados começaram a ser revelados uma hora depois do fecho das urnas, que ocorreu às 19h00 locais (18h00 em Lisboa).

Com 45,71% dos votos contados, o Tisza surge nas projeções oficiais como conquistando 135 mandatos no Parlamento (de 199 lugares), alcançando a supermaioria de dois terços (133) com o Fidesz e os aliados do Partido Popular Democrata-Cristão (KDNP, na sigla original) a ter 57. A extrema-direita do Movimento Nossa Pátria (Mi Hazank) elege sete.

Os eleitores húngaros elegem 106 deputados em círculos eleitorais únicos, onde vence o candidato com mais votos, e outros 93 em listas nacionais. O Tisza vai à frente nos primeiros, mas apesar de ter mais votos no segundo, elege menos deputados que o Fidesz na segunda contagem.

Após o fecho das urnas, foram conhecidos os resultados das últimas sondagens feitas antes da votação (e entretanto sob embargo).

Uma sondagem da Median, citada pela Reuters, mostra que o Tisza deverá conquistar 135 dos 199 lugares do parlamento. A sondagem mostra o partido da oposição com 57% dos votos, à frente do nacionalista Fidesz.

Outra sondagem, do 21 Research Centre, apontava o Tisza com 55% dos votos e 132 lugares.

Magyar disse estar "cautelosamente otimista em relação ao resultado".

Participação recorde

A Hungria registou um recorde de participação, com longas filas nos locais de voto. Mais de 74% dos eleitores já tinham votado até às 17h00 (16h00 em Lisboa), mais 12 pontos percentuais do que há mesma hora em 2022. Às 18h30 o número tinha subido para os 77,8%, um recorde.

"A paz e a segurança da Hungria podem depender de um voto hoje. Esta é uma decisão que não pode ser desfeita amanhã. Temos de defender a Hungria hoje! Nenhum patriota deveria ficar em casa hoje!", escreveu Orbán a meio da tarde no Facebook.

"Hoje, o pesadelo que vivemos durante anos vai chegar ao fim", disse Magyar num vídeo partilhado nas redes sociais, comentando a participação elevada e dizendo que "muitos húngaros uniram-se para mudar o sistema".

Candidatos estavam confiantes

O primeiro-ministro votou às primeiras horas da manhã, confiante de que ia "ganhar", deixando claro que é "um jovem" (tem 62 anos) e que só uma "grande" derrota o levaria a demitir-se de líder do Fidesz.

“Estamos a caminhar para grandes crises – não apenas uma, mas várias, a acontecer em simultâneo. Por isso, acredito que precisamos de uma forte união nacional para… resistir à crise energética, à crise financeira e à crise económica que se avizinham.”

Magyar mostrou-se confiante da vitória depois de exercer o seu direito de voto. "A questão é se conseguiremos esse mandato de dois terços ou se teremos de governar com uma maioria simples", disse aos jornalistas, lembrando que com uma "supermaioria" seria mais fácil "desmantelar" o sistema.

Se conseguir ganhar dois terços dos 199 lugares no Parlamento, o Tisza conseguirá reescrever a Constituição da Hungria.

O candidato lembrou que a eleição era uma escolha entre "o Leste ou o Ocidente", entre “propaganda ou discurso público honesto; corrupção ou vida pública íntegra.”

O líder da oposição apelou ainda à calma. “Ninguém deve ceder a qualquer provocação. Sabemos com certeza que, se esta eleição decorrer de forma calma e legal, então esta eleição será ganha por Tisza e pela Hungria”, referiu.

Estas eleições foram seguidas de perto tanto na União Europeia como na Rússia e nos EUA. A eleição de Magyar poderá representar uma nova oportunidade para as relações entre Budapeste e Bruxelas, depois de 16 anos em que Orbán - que não esconde os laços com Vladimir Putin e que conta com o apoio de Donald Trump - corroeu completamente o Estado de direito e, mais recentemente, serviu de travão às sanções contra a Rússia e no apoio à Ucrânia.

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