UNICEF fala em "educação sob ataque" e 100 crianças mortas no mês passado

De acordo com o vice-diretor executivo da UNICEF, desde o início da guerra, centenas de escolas em todo o país foram atingidas por forte artilharia, ataques aéreos e outras armas explosivas em áreas povoadas.

A UNICEF alertou esta quinta-feira que a "educação está sob ataque" na Ucrânia e indicou que cerca de 100 crianças foram mortas no mês passado no conflito.

Numa reunião no Conselho de Segurança na ONU convocada pela França e pelo México para debater os desenvolvimentos da guerra, o Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou ainda que o número de crianças mortas deverá ser superior.

"A cada dia que passa, mais crianças ucranianas são expostas aos horrores desta guerra. (...) Encontramo-nos aqui novamente depois de outro terrível ataque, desta vez numa escola em Lugansk - mais um exemplo gritante de desrespeito pela vida de civis", disse o vice-diretor executivo da UNICEF, Omar Abdi.

"É também um forte lembrete de que na Ucrânia esta quinta-feira, a educação também está sob ataque. Em fevereiro, o ano letivo parou quando a guerra eclodiu. Na semana passada, pelo menos 15 de 89 - uma em seis - escolas apoiadas pela UNICEF no leste da Ucrânia foram danificadas ou destruídas", relatou Abdi.

De acordo com o vice-diretor executivo da UNICEF, desde o início da guerra, centenas de escolas em todo o país foram atingidas por forte artilharia, ataques aéreos e outras armas explosivas em áreas povoadas, enquanto outras escolas estão a ser usadas para outros fins, como abrigos, centros de abastecimento ou para fins militares, o que causará impacto, a longo prazo, no regresso das crianças à educação.

"Esses ataques devem parar. Todas as partes devem honrar a sua obrigação legal e moral de proteger civis e infraestruturas civis, para respeitar o direito internacional humanitário e os direitos humanos, assim como garantir que os direitos das crianças são respeitados", apelou.

Perante o Conselho de Segurança da ONU, Omar Abdi lembrou ainda que a guerra na Ucrânia não atinge apenas crianças deste país, mas também nos países mais pobres do mundo, que pagam agora "um preço mortal" por esta guerra longe das suas portas.

"A guerra na Ucrânia também teve um impacto devastador nas crianças mais vulneráveis a nível global, à medida que os preços mundiais dos alimentos e dos combustíveis atingem máximos históricos. Crianças já afetadas por conflitos e crises climáticas em todo o mundo -- do Afeganistão ao Iémen e ao Corno de África -- estão agora a pagar um preço mortal por outra guerra longe das suas portas", sublinhou.

Após a exposição dos factos feita pela UNICEF, vários diplomatas junto da ONU pediram que a Rússia seja investigada e responsabilizada pelas suas violações de Direitos Humanos e apelaram ao secretário-geral, António Guterres, que faça o que estiver ao seu alcance para garantir os direitos das crianças.

De acordo com o embaixador da Albânia, Ferit Hoxha, uma média de 22 escolas são atacadas por dia na Ucrânia desde o início da guerra, interrompendo a educação de 5,5 milhões de crianças que permanecem no país.

"Apenas há alguns dias, mais de 60 pessoas foram dadas como mortas após uma bomba russa ter destruído uma escola que estava a ser usada como abrigo na vila de Bilohorivka, região de Lugansk. Não há justificação para tamanha imprudência", disse Hoxha, apelando a uma investigação "completa" do incidente e apuramento de responsabilidades.

Também Nicolas de Riviere, embaixador da França, um dos países que convocou a reunião desta quinta-feira, considerou que custo da guerra para as crianças ucranianas "é terrível", condenando os vários ataques a escolas, assassínios e mutilações de crianças, os quais classificou como "graves violações do direito humanitário e dos direitos das crianças".

"A França pede ao Secretário-Geral que utilize todos os mecanismos estabelecidos pelo Conselho de Segurança para verificar os factos e apurar responsabilidades", disse Riviere.

Já o diplomata da Ucrânia, Sergíy Kyslytsya, denunciou que a Rússia continua a "raptar crianças ucranianas", incluindo crianças órfãs, levando-as à força para território russo e colocando-as para adoção.

Kyslytsya, que deu detalhes de várias separações de pais e filhos na Ucrânia e de vários ataques a escolas, afirmou que a Rússia está a cometer várias violações do direito humanitário internacional, apelando a que o país seja devidamente responsabilizado.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de três mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A ofensiva militar causou a fuga de mais de 13 milhões de pessoas, das quais mais de 5,5 milhões para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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