União Europeia abre a porta ao acordo de investimentos com a China

Na reunião dos embaixadores dos 27, não terá havido "sinal de rejeição" de ninguém e poderá haver um anúncio oficial até ao final da semana.

Os países da União Europeia (UE) deram o seu apoio político ao acordo de investimentos com a China, abrindo o caminho para um entendimento entre os dois gigantes económicos após vários anos de negociações.

De acordo com uma fonte diplomática europeia, numa reunião dos representantes permanentes dos 27 na União Europeia, nenhum dos participantes "levantou um sinal de rejeição" e, dessa forma, "foi aberto o caminho para um apoio político".

Os diplomatas apontaram os "desenvolvimentos positivos recentes" nas negociações com a China alegadamente a responder às preocupações sobre o suposto uso de trabalho forçado nas suas quintas.

Isto depois de o chefe da diplomacia chinesa dizer, na semana passada, em Bruxelas, que "as negociações entraram na reta final" -- e um segundo diplomata disse que um acordo poderá ser anunciado formalmente esta semana.

"Precisamos de ter cuidado, mas desde que a China esteja de acordo, poderá haver um anúncio oficial de Bruxelas e Pequim no final desta semana", disse o diplomata à AFP.

Nenhum estado membro interveio na reunião para bloquear o acordo, mas depois o embaixador polaco, Andrzej Sados, disse ter "expressado as nossas dúvidas" após a Alemanha (que ocupa a presidência rotativa da UE) ter adicionado o tema à agenda.

Este acordo daria um grande impulso para ambas as partes e fortaleceria os laços económicos entre os gigantes antes da chegada do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, à Casa Branca.

O atual líder dos EUA, Donald Trump, travou uma guerra comercial com a China, e Biden já expressou também a sua preocupação com a posição da UE, apelando a Bruxelas que consultasse Washington.

"A nova administração nos EUA vai começar a trabalhar dentro de três semanas e um acordo com a China deve ter em conta a relação da UE com os EUA", disse Sados à agência de notícias polaca PAP.

"Também dissemos que não devíamos agir tão apressadamente após sete anos de duras negociações. Entretanto, este tema é de repente adicionado à agenda do encontro dos embaixadores da UE em Bruxelas. Nunca se viu isto", referiu.

"Nos últimos dias da presidência alemã estamos a lidar com uma aceleração rápida e injustificada em relação a um tema muito importante, que diz respeito às relações internacionais", acrescentou,

A Alemanha, gigante económica do bloco, que está na presidência rotativa da UE até ao final do ano -- passando depois a pasta a Portugal -- fez deste acordo com a China uma prioridade durante estes seis meses.

A Comissão Europeia, o poder executivo da UE, anunciou antes do Natal que o esboço do "acordo político" estava "95% pronto" e precisava apenas do sinal verde das capitais.

O compromisso da China com os direitos dos trabalhadores continua a ser um obstáculo, mas a Europa há muito tempo que procura um maior acesso das suas empresas ao enorme mercado chinês.

"Rival sistémico"

O chefe da câmara de comércio da UE em Pequim, Joerg Wuttke, disse à AFP este mês que os negociadores "aparentemente fizeram grandes avanços no acesso ao mercado".

Como parte do acordo, a UE também tem pressionado a China para que reforce o respeito pela propriedade intelectual, acabe com as obrigações de transferir tecnologia, reduza os subsídios para as empresas públicas e melhore os seus compromissos climáticos.

Enquanto a administração Trump tem estado envolvida numa guerra de palavras com Pequim, Bruxelas optou por uma abordagem equilibrada.

Os estados europeus tratam a China como um "rival sistémico" e expressaram preocupações em relação ao histórico de direitos na China, nomeadamente no que diz respeito à repressão em Hong Kong e ao tratamento dos uigures.

Berlim queria ter um acordo assinado numa cimeira UE-China em setembro, mas o coronavírus obrigou a realizar o evento online e não houve assinatura de um acordo.

A China ultrapassou os EUA no terceiro trimestre deste ano para se tornar no principal parceiro comercial da União Europeia, à medida que a pandemia de covid-19 afetava a economia norte-americana e a atividade chinesa recuperava do impacto do novo coronavírus.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG