Os rebeldes huthis do Iémen reivindicaram esta sexta-feira a autoria de um ataque com 'drone' contra Telavive, que matou pelo menos uma pessoa durante a madrugada.."A Força Aérea das Forças Armadas do Iémen [como os huthis se autodenominam] levou a cabo uma operação militar qualitativa, que consistiu em atacar um dos alvos importantes na região ocupada de Jaffa, chamada Telavive israelita", afirmou o porta-voz militar dos Huthis, Yahya Sarea, em comunicado..O veículo aéreo não tripulado utilizado "é capaz de evitar os sistemas de interceção do inimigo e não ser detetado pelos radares", acrescentou Sarea, na mesma nota, publicada na rede social X (antigo Twitter).."A operação atingiu com sucesso os objetivos", disse o responsável, alertando que os huthis "declaram a região ocupada de Jaffa uma área insegura e será um alvo principal dentro do alcance das armas" do grupo..O ataque foi realizado "em apoio ao povo palestiniano" e "em resposta aos massacres israelitas em Gaza", indicou.."Vamos concentrar-nos em alcançar a frente interna do inimigo sionista e alcançar as profundezas", sublinhou o porta-voz, declarando que o grupo tem "objetivos sensíveis militares e de segurança" em Israel, que vai continuar a "atacar em resposta aos massacres e crimes do inimigo contra os irmãos em Gaza"..Pelo menos um homem, de 50 anos, morreu numa explosão ouvida pelas 03:15 (01:15 em Lisboa), no centro de Telavive, perto da embaixada dos Estados Unidos..A explosão deixou ainda alguns feridos, com o número divulgado pelas agências de notícias a variar entre dois e 10..Entretanto, o presidente da câmara de Telavive anunciou que a cidade elevou o nível de alerta depois do ataque..O exército israelita disse que o atentado não foi intercetado devido a "erro humano". .O veículo aéreo não tripulado foi detetado pelo exército israelita, mas "um erro humano" fez com que os "sistemas de interceção e de defesa não fossem ativados", explicou.."Nenhum alarme foi ativado. Isso faz parte do que estamos a investigar. Não soou nenhum alarme em Telavive porque não foi ativado", acrescentou..Este tipo de ataque, sublinhou o exército, ocorre "quase diariamente" em Israel.."Desde o início da guerra, estamos a enfrentar uma guerra com múltiplas frentes", explicou, referindo-se ao conflito na Faixa de Gaza e também às tensões na fronteira norte com o Líbano..Os rebeldes, próximos do Irão, que controlam parte do Iémen devastado pela guerra, têm vindo a realizar ataques ao largo da costa do país desde novembro..Defendem que os ataques visam navios que sirvam portos israelitas em solidariedade com os palestinianos, no contexto da guerra entre Israel e o movimento islamita Hamas na Faixa de Gaza..Os Estados Unidos, um aliado próximo de Israel, criaram em dezembro uma força multinacional para proteger a navegação na zona estratégica e lançaram os primeiros ataques no Iémen em janeiro, com a ajuda do Reino Unido..A contraofensiva não dissuadiu os huthis, que dizem estar agora a atacar também navios norte-americanos e britânicos..Os huthis integram o chamado "eixo de resistência", uma coligação liderada pelo Irão de que faz parte também, entre outros, o Hamas e o movimento xiita libanês Hezbollah..A guerra entre Israel e o Hamas foi desencadeada por um ataque do grupo palestiniano em solo israelita, em 07 de outubro, que causou cerca de 1.200 mortos e duas centenas de reféns, de acordo com as autoridades israelitas..Em retaliação, Israel lançou uma ofensiva militar na Faixa de Gaza que provocou mais de 38.600 mortos e a destruição de grande parte das infraestruturas do pequeno enclave palestiniano governado pelo Hamas desde 2007.