Rússia acusa Ocidente de querer interferir nas eleições

Moscovo nega responsabilidades e continua a pedir provas. A chanceler Angela Merkel encontra-se hoje com o presidente Vladimir Putin.

Um ano depois de o opositor russo Alexei Navalny ter entrado em coma durante um voo entre a cidade siberiana de Tomsk e Moscovo, obrigando a uma aterragem de emergência em Omsk, a Rússia continua a exigir provas de que o Kremlin esteve por detrás do ataque. Análises feitas em laboratórios estrangeiros, depois de Navalny ter sido transferido para um hospital na Alemanha onde viria a recuperar, revelaram que foi envenenado com o gás nervoso Novichok. Moscovo nega responsabilidades e acusa o Ocidente de querer explorar o caso com o objetivo de interferir nos assuntos internos do país e influenciar a campanha eleitoral.

O aniversário do "caso Navalny", como o próprio governo russo o apelida, coincide com a visita hoje da chanceler alemã, Angela Merkel, a Moscovo, onde tem previsto um encontro com o presidente Vladimir Putin. A Alemanha é a principal visada dos ataques de Moscovo, num comunicado divulgado na passada quarta-feira pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros russo. Por causa do envenenamento, a União Europeia impôs novas sanções contra a Rússia.

"As ações tomadas pelo governo alemão e os aliados nos últimos 12 meses indicam claramente que houve uma provocação planeada contra o nosso país", dizia o texto. "O objetivo foi desacreditar a Federação Russa diante da comunidade internacional e prejudicar os interesses nacionais", acrescentava, procurando refutar os argumentos que têm vindo a ser apresentados contra Moscovo pela equipa de Navalny.

O governo russo fala de uma campanha para influenciar as eleições, previstas para setembro, ao tentar criar a imagem de Navalny como um político pró-democracia. "Berlim e os seus aliados estão a aproveitar todas as oportunidades para usar a campanha em torno de Navalny, que foi artificialmente criada com o seu próprio envolvimento direto, como um pretexto para empreender mais ataques contra nós nos fóruns de várias organizações internacionais, como parte de uma estratégia para uma contenção total do nosso país, disfarçada de obscuras "preocupações com os direitos humanos". O "caso Navalny" foi elaborado precisamente com este objetivo em mente", indicava o comunicado.

Após recuperar na Alemanha, Navalny, de 45 anos, regressou em janeiro à Rússia, sendo de imediato detido por violar os termos de uma sentença que o obrigava a apresentações periódicas à justiça. Foi entretanto condenado a mais dois anos e meio de prisão, mas novas acusações entretanto apresentadas - a de ter criado uma organização que "viola a integridade pessoal e os direitos dos cidadãos" - poderão mantê-lo atrás das grades até depois das presidenciais de 2024. Já em setembro são as eleições para a Duma, sendo que nos últimos meses as autoridades russas têm vindo a desmantelar a rede dos seus apoiantes, classificando-os como extremistas.

susana.f.salvador@dn.pt

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