A alta-representante da União Europeia para a diplomacia, Kaja Kallas
A alta-representante da União Europeia para a diplomacia, Kaja KallasEMIL NICOLAI HELMS/EPA

UE rejeita devolver à Rússia dinheiro proveniente dos recursos congelados

Kaja Kallas lamentou que não tenha sido possível consensualizar posições na reunião deste sábado em Copenhaga.
Publicado a
Atualizado a

A alta-representante da União Europeia (UE) para a diplomacia disse este sábado, 30 de agosto, que "é impensável" devolver à Rússia o dinheiro proveniente dos recursos russos congelados, a menos que Moscovo recompense a Ucrânia pela invasão.

"É impensável que a Rússia algum dia veja este dinheiro, a não ser que recompense a Ucrânia pela destruição que provocou", disse Kaja Kallas, em conferência de imprensa no final de uma reunião ministerial informal, no âmbito da presidência dinamarquesa do Conselho da UE, em Copenhaga.

A ex-primeira-ministra da Estónia considerou que, apesar dos esforços diplomáticos feitos para tentar alcançar um cessar-fogo, "é óbvio que a Rússia não se está a preparar para a paz, está a preparar-se para mais guerra".

No entanto, Kaja Kallas lamentou que não tenha sido possível consensualizar posições nesta reunião: "Não chegámos à discussão de que precisávamos, mas vamos fazê-lo nos próximos meses."Nas próximas semanas, os Estados-membros vão enviar para a alta-representante para os Negócios Estrangeiros as propostas para o próximo pacote de sanções à Rússia, revelou a representante da diplomacia da UE.

A alta-representante da União Europeia para a diplomacia, Kaja Kallas
Ataque russo faz um morto e 24 feridos. Zelensky insiste que são necessárias medidas reais

No que respeita ao conflito no Médio Oriente, a União Europeia pediu aos Estados Unidos da América (EUA) que reconsiderem a rejeição dos vistos das autoridades palestinianas, que iam participar na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

"À luz dos acordos entre a Organização das Nações Unidas (ONU), pedimos aos EUA que reconsiderem esta decisão, considerando a lei internacional e como foi construída a ONU", disse Kaja Kallas, considerando que a construção de mais colonatos israelitas na Cisjordânia, território que é palestiniano, "é ilegal" e que a Faixa de Gaza "precisa de menos guerra, não de mais".

Lamentando que ainda não há um consenso entre os 27 países da UE sobre medidas concretas para pressionar Israel a parar a invasão ao enclave palestiniano, Kaja Kallas considerou positivo que esteja a crescer os números de nações do bloco comunitário europeu a querer endurecer a posição com Telavive.

A alta-representante da União Europeia para a diplomacia, Kaja Kallas
Governo começa na próxima semana a ouvir partidos sobre reconhecimento da Palestina em setembro

A Dinamarca é um dos países favorável à suspensão de partes do acordo comercial com Israel, e o ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês disse que "é preciso combater a narrativa falsa de Israel" de que os esforços para um cessar-fogo só fortalecem o movimento radical Hamas.

Mas a Alemanha, por exemplo, é contra esta e quaisquer medidas. Apesar de admitir que é necessário pressionar Israel, Berlim não apresentou quaisquer caminhos.

Kaja Kallas, ex-primeira-ministra da Estónia, revelou que "é difícil" ser o rosto "a culpa" pelo falhanço na consensualização de posições sobre Gaza, mas advertiu que as suas posições são resultado da vontade de 27 países, ou da falta dela.

A alta-representante da União Europeia para a diplomacia, Kaja Kallas
Cruz Vermelha afirma que retirada em massa da população da Cidade de Gaza é impossível

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt