UE irá "alcançar imunidade coletiva" antes do Reino Unido

O comissário do Mercado Interno referiu ainda, e relação ao certificado verde digital da vacinação, que este instrumento "não será obrigatório", mas "deve ser harmonizado" entre os Estados-membros da UE.

O comissário do Mercado Interno, Thierry Breton, disse esta sexta-feira estar "convicto" de que a União Europeia (UE) irá "alcançar a imunidade coletiva" antes do Reino Unido e ao mesmo tempo que os Estados Unidos da América (EUA).

"Eu estou convicto de que vamos alcançar a imunidade coletiva antes dos britânicos e talvez ao mesmo tempo que os americanos. É assim que eu vejo as coisas", sublinhou o responsável pelo grupo de trabalho da UE para as vacinas, que intervinha numa audição na Assembleia da República (AR).

Questionado pela deputada Rita Bessa (CDS-PP) sobre a aplicação do certificado verde digital da vacinação, Thierry Breton esclareceu que este instrumento "não será obrigatório", mas "deve ser harmonizado" entre os Estados-membros da UE, pois "são os próprios países que vão decidir se querem ou não implementar este certificado", lembrou.

"Nós vamos implementar um regulamento, que será um regulamento unificado para que todos os países europeus possam transpor o mesmo regulamento", elucidou o comissário, acrescentando que a ideia é "facilitar" o regresso "ao normal".

Para Thierry Breton, é necessário que os cidadãos percebam, contudo, que "não é porque teremos imunidade coletiva de 70% em julho que devemos deixar de ter precauções", daí que o certificado verde digital seja importante do ponto de vista da retoma de setores como "o transporte, companhias aéreas, locais de espetáculo ou sítios turísticos".

Quanto à aprovação da vacina russa Sputnik, questão que foi também levantada pelos deputados, o comissário disse não ter "nada contra a Sputnik", acrescentando, aliás, que "os cientistas russos são de grande qualidade".

"Mas não há apenas a ciência, há a indústria por trás. Não é por termos mais uma vacina que a iremos receber da noite para o dia. São preciso muitos meses para se produzir uma vacina. São precisos 12 meses, no mínimo, para produzir uma vacina", explicou Breton, garantindo que, juntamente com a sua equipa, está a "envidar todos os esforços" para que a UE combata a pandemia de covid-19.

Atualmente, estão aprovadas quatro vacinas na UE: Comirnaty (nome comercial da vacina Pfizer/BioNTech), Moderna, Vaxzevria (novo nome da vacina da AstraZeneca) e Janssen.

A ferramenta 'online' do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) para rastrear a vacinação da UE, que tem por base as notificações dos Estados-membros, indica que 7,8% da população adulta da UE já está totalmente inoculada (com as duas doses), enquanto 20,4% recebeu a primeira dose da vacina, ainda longe da meta dos 70% estipulada pela Comissão Europeia para final do verão.

Já em termos absolutos, os dados do ECDC referem que 103 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 foram administradas na UE até hoje, de um total de quase 125 milhões de doses entregues aos países.

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