Ucrânia acusa Rússia de ser "pior do que o Estado Islâmico"

Vídeo que circula nas redes sociais mostra alegados soldados russos a decapitar preso ucraniano. Kremlin diz que imagens são "horríveis", mas alega ter que "verificar" a autenticidade.
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A Ucrânia acusou esta quarta-feira a Rússia de ser "pior do que o Estado Islâmico", depois de começar a circular nas redes sociais um vídeo onde alegados soldados russos decapitam um prisioneiro ucraniano. O Kremlin admite que as imagens são "horríveis", mas diz que é preciso "verificar" a autenticidade, alegando que "vivemos num mundo de fakes", isto é, de falsificações. Kiev está a investigar para tentar identificar a alegada vítima, além dos responsáveis.

"Há algo que ninguém no mundo pode ignorar: quão facilmente estes monstros matam", disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, numa mensagem no Telegram. "Este é um vídeo da Rússia tal como ela é", acrescentou, alegando que este não é "um acidente" ou "um episódio isolado" - ainda no mês passado, outro vídeo mostrava um soldados a ser abatido após gritar "Slava Ukraini" (Glória à Ucrânia). Na sua mensagem, Zelensky diz que este caso também não será esquecido, prometendo que os responsáveis serão levados à justiça. "A derrota do terror é necessária", acrescentou.

O vídeo, cuja autenticidade não foi comprovada independentemente, mostra alegados soldados russos a decapitarem, com uma faca, um prisioneiro que usa uma braçadeira amarela como os militares ucranianos. Um segundo vídeo, que também está a circular, mostra os cadáveres decapitados e sem mãos de dois soldados ucranianos ao lado de um veículo militar destruído. Não se sabe onde e quando ambos foram filmados.

"É absurdo que a Rússia, que é pior do que o ISIS, esteja a presidir ao Conselho de Segurança das Nações Unidas [presidência rotativa, durante o mês de abril]", escreveu no Twitter o chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba. Os militantes do Estado Islâmico (ISIS, na sigla em inglês), que controlaram partes do Iraque e da Síria, usaram a divulgação de vídeos de decapitações para desumanizar as suas vítimas e gerar terror. "Os terroristas russos têm que ser expulsos da Ucrânia e da ONU e têm que ser responsabilizados pelos seus crimes", acrescentou Kuleba.

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A ONU, num comunicado da Missão de Monitorização de Direitos Humanos na Ucrânia, disse estar "chocada com os vídeos particularmente horríveis" que estão a ser partilhados nas redes sociais. Já a União Europeia (UE) prometeu que os responsáveis por crimes de guerra serão levados à justiça. "Não temos mais informação sobre a veracidade do vídeo. Tendo dito isto, se confirmada, esta é mais uma lembrança brutal da natureza desumana da agressão russa", disse a porta-voz da UE, Nabila Massrali.

Um jornalista da televisão estatal russa, Andrei Medvedev, especulou, segundo a AP, que a divulgação do vídeo é "bastante oportuna" para o exército ucraniano. Isto porque pode ajudar a "incendiar o pessoal ideologicamente" antes da esperada contraofensiva da primavera. O conselheiro do presidente ucraniano, Mykhailo Podolyak, alega que a divulgação do vídeo agora visava, pelo contrário, "desmoralizar a opinião pública ou pelo menos a perceção psicológica da guerra" nesta altura. Mas, reiterou no Telegram, "nenhuma das ações da Rússia desmoraliza os ucranianos, porque não temos outro caminho a não ser alcançar a vitória".

Entretanto, a Rússia aprovou uma lei que autoriza o envio de ordens de recrutamento e mobilização através de meios eletrónicos, e não apenas pessoalmente como até agora. Isso tornará mais difícil aos russos escaparem à mobilização, proibindo ao mesmo tempo que aqueles que tenham sido mobilizados possam sair do país. A lei foi aprovada em apenas dois dias. Apesar de o Kremlin ter desmentido estar a preparar uma segunda leva de recrutamento - em setembro de 2022 houve uma primeira que envolveu 300 mil reservistas - muitos russos estão preocupados com essa possibilidade para fazer frente à esperada contraofensiva da primavera da Ucrânia.

Esta estará a ser preparada, apesar de Washington (segundo os documentos secretos que vieram a público) não estar confiante de que terá sucesso. O ministro da Defesa da Ucrânia, Oleksii Reznikov, disse que estes documentos contêm informação falsa e desatualizada e que está em causa uma "operação psicológica especial" para dividir os aliados de Kiev. Os EUA continuam a investigar a origem da fuga de informação.

susana.f.salvador@dn.pt

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