O primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, colocou ontem um travão em torno da possibilidade de os países europeus estarem a preparar o envio de milhares de tropas para a Ucrânia após um cessar-fogo com a Rússia. Na quarta-feira, o jornal polaco Rzeczpospolita tinha noticiado que Paris e Varsóvia estariam a discutir o envio de uma força de manutenção da paz de 40 mil militares composta por tropas de países estrangeiros. “Quero acabar com as especulações sobre a presença de tropas deste ou daquele país na Ucrânia após um possível acordo de paz ou no caso de um cessar-fogo”, declarou o líder polaco após o seu encontro com presidente francês, Emmanuel Macron..Falando no caso concreto da Polónia, país que ocupará a presidência rotativa do Conselho da UE em janeiro de 2025, Tusk garantiu que não tencionam enviar tropas para a Ucrânia caso seja declarado um cessar-fogo, sublinhando que “as decisões sobre as ações polacas serão tomadas em Varsóvia e apenas em Varsóvia”. .“Cooperaremos com a França, não só com a França, mas sempre com a França, em soluções que, sobretudo, proporcionem segurança à Europa, bem como à Ucrânia, e contra o reinício do conflito, se conseguirmos chegar a acordo para uma trégua e possivelmente para a paz”, prosseguiu o polaco, salientando que Kiev deve estar sempre presente no debate sobre a paz e qualquer proposta deve ser aceite pelo governo ucraniano. Na terça-feira, Tusk já havia admitido que as negociações de paz poderão começar até ao final do ano..Macron tinha ido a Varsóvia com a intenção de discutir com Tusk a questão da força de manutenção de paz, segundo o Politico, mas no final do encontro disse ter discutido com o polaco a situação na Ucrânia e o “dia seguinte” ao final da guerra, enfatizando a necessidade de uma paz duradoura, negociada pelos ucranianos e com segurança a longo prazo. “Não haverá paz na Ucrânia sem os ucranianos”, disse Macron, referindo que “a administração Trump mostrou a sua vontade de mudar a trajetória do conflito, e devemos trabalhar com a Ucrânia e a Europa, para ter em conta os interesses europeus e ucranianos”. .O francês lançou pela primeira vez a ideia de enviar tropas da NATO para a Ucrânia em fevereiro, tendo, segundo o Rzeczpospolita, proposto, a 27 de novembro, aos líderes de alguns países europeus, incluindo a Polónia, o envio de cerca de 40 mil soldados para a nova linha fronteiriça entre a Ucrânia e a Rússia, um contingente que estaria sob comando polaco.