Exclusivo Tunísia entre o sonho e a nostalgia dez anos após a queda de Ben Ali

Frágil democracia demora a dar as respostas que os tunisinos, especialmente os jovens, exigem. Covid-19 piorou tudo.

A imolação do vendedor de rua Mohamed Bouazizi, a 17 de dezembro de 2010, desencadeou uma onda de protestos na Tunísia que culminaria, a 14 de janeiro de 2011, com a queda de Ben Ali e consequente fuga para a Arábia Saudita. Mas, uma década após o fim do regime que esteve 23 anos no poder, e apesar de a frágil democracia se aguentar, o descontentamento é crescente. E a celebração do aniversário do maior sucesso da Primavera Árabe deverá ser contido - até porque coincide com um novo confinamento devido à covid-19.

Na Tunísia, o otimismo revolucionário do movimento pró-democracia, que derrubou Ben Ali (que viria a morrer em setembro de 2019 no exílio), deu lugar ao desespero. Um terço dos jovens não têm emprego e são muitos os que optam por partir, diante das dificuldades económicas. O turismo, já atingido fortemente por causa dos atentados de 2015, praticamente colapsou face à pandemia. No ano passado, os tunisinos representaram a maior fatia de imigrantes ilegais que chegaram a Itália (cerca de 12 mil), após arriscar a vida a cruzar o Mediterrâneo.

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