O presidente norte-americano, Donald Trump, partilhou na quinta-feira à noite (5 de fevereiro) um vídeo racista que mostrava o antigo presidente Barack Obama e a mulher, Michelle, como primatas no meio da selva.O vídeo causou polémica (ainda para mais na primeira semana do mês em que se homenageia a história negra nos EUA) e já foi entretanto retirado da Truth Social, com a Casa Branca a apontar um dedo a um funcionário, alegando que foi ele que partilhou o vídeo, mas também a desvalorizar a situação. “Isto é de um meme viral da Internet que retrata o presidente Trump como o Rei da Selva e os democratas como personagens do Rei Leão”, disse a porta-voz Karoline Leavitt à agência de notícias AP, por mensagem de texto, referindo-se ao filme da Disney de 1994. “Por favor, parem com esta falsa indignação e noticiem algo que realmente importa para o público americano", acrescentou.Obama, o primeiro presidente negro dos EUA e que esteve na Casa Branca dois mandatos, de 2009 a 2017, não reagiu ao vídeo de pouco mais de um minuto, partilhado durante a noite por Trump na sua rede social. O vídeo falava sobre a alegada adulteração das urnas nas eleições presidenciais de 2020 e, quase no final, surgiam dois primatas na cena, com os rostos de Barack e Michelle Obama sobrepostos, ao som da música do Rei Leão.Esta cena foi retirada de um vídeo mais longo, previamente divulgado por um influente criador de memes conservador, que coloca Trump como o "Rei da Selva" e retrata diversos líderes democratas como animais, incluindo Joe Biden como um primata a comer uma banana.A mensagem de Trump nas redes sociais foi prontamente criticada, incluindo por aliados do presidente, como o senador republicano Tim Scott (que é negro)."Rezo para que seja falso, porque é a coisa mais racista que já vi vir desta Casa Branca", escreveu Scott no X, defendendo que o presidente devia apagar a publicação. .Trump limitou-se a publicar o vídeo, não escrevendo qualquer comentário. A publicação, lembra a AP, surge na primeira semana do Mês da História Negra e dias depois de uma proclamação presidencial que citava “as contribuições dos afro-americanos para a nossa grandeza nacional e o seu compromisso duradouro com os princípios americanos de liberdade, justiça e igualdade”.Apesar de o vídeo ter sido apagado, nas redes sociais é possível ver várias partilhas do momento mais polémico..Outros, como o jornalista britânico Piers Morgan, publicaram mesmo todo o vídeo, dizendo esperar que Trump não tivesse reparado no final e defendendo também que o devia apagar.