"O Irão nunca ganhou uma guerra, mas nunca perdeu uma negociação!” A frase é do presidente dos EUA, Donald Trump, e foi escrita no X (na altura ainda Twitter) em junho de 2019 e, de novo, em janeiro de 2020 (no seu primeiro mandato). E está a ser citada diante das muitas críticas ao memorando de entendimento que Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian (que fala num “documento histórico”), assinaram mais cedo do que o previsto - cancelando a cerimónia pensada para esta sexta-feira (19 de junho), na Suíça. . “O petróleo está a fluir, o Irão nunca poderá ter uma arma nuclear (o mundo estará seguro!), as bolsas de valores estão em alta, o emprego está em níveis recorde e os preços estão a descer (acessibilidade!). O nosso país é forte, seguro e respeitado como nunca antes. De nada!”, escreveu ontem Trump na Truth Social, irritado com as críticas feitas ao acordo. “Estes tolos [...] são invejosos, pessoas más ou estúpidos”, disse noutra mensagem.O texto do memorando entre EUA e Irão foi revelado na quarta-feira à noite. Exige o fim imediato e permanente das ações militares em todas as frentes, incluindo Líbano (Israel rejeita e continua os bombardeamentos e a ocupação do sul do país), a remoção do bloqueio naval ao Irão (falava-se num prazo de 30 dias, mas já terá sido levantado) e a garantia de passagem segura para os navios comerciais no Estreito de Ormuz - pelo menos três petroleiros sauditas já passaram esta quinta-feira (18 de junho). O memorando de 14 pontos inclui ainda um plano de reconstrução e desenvolvimento económico para o Irão, avaliado em 300 mil milhões de dólares, assim como isenções para a exportação de petróleo, a libertação dos ativos iranianos congelados e a reafirmação, por parte de Teerão, de que não irá desenvolver armas nucleares (mas o futuro do stock de urânio altamente enriquecido continua por negociar). Abre-se agora um prazo de 60 dias para preparar o acordo final, com o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, a dizer que os militares norte-americanos continuam preparados para agir se Teerão não cumprir o memorando. Mas admitiu também que “não há muita confiança” entre os dois lados..Hegseth crítica aliados da NATO e ameaça Teerão com o regresso da ação militar e do bloqueio naval caso acordo não seja cumprido .As críticas ao memorando não se fizeram esperar, incluindo entre os republicanos. “As ambições nucleares do Irão não foram contidas e eles aprenderam que ameaçar o Estreito de Ormuz funciona e, sem dúvida, continuarão a usar isso a seu favor no futuro”, disse no X o senador Bill Cassidy, escrevendo que o ex-presidente Ronald Reagan “deve estar a dar voltas no túmulo”. Não foi o único. Nikki Haley, que no primeiro mandato de Trump foi embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, falou de um regime que “clama pela morte à América” e acredita que tem a “obrigação” de destruir os EUA. “Agora, planeamos libertar milhares de milhões de dólares e levantar as sanções, com a promessa de ainda mais dinheiro”, indicou. Ainda antes destas críticas, já tinha ressurgido a mensagem antiga de Trump. O próprio foi confrontado com ela na conferência de imprensa no final do G7 - e logo por um jornalista da Fox News, que lembrou as palavras de “um homem sábio”. Trump perguntou quem e, quando o jornalista lhe revelou o seu nome, disse que já desconfiava. Depois alegou que o Irão perdeu militarmente e que se tivesse continuado a guerra os mesmos críticos iam dizer que tinha ficado demasiado tempo... E lançou um ataque aos media, acabando por não falar da sua frase.O vice-presidente dos EUA, JD Vance, alegou também que tem havido muita “deturpação” pelos media - e que o Irão não receberá “nem um só centavo dos EUA”, se não cumprir “integralmente” o acordo e “mudar o seu comportamento”. Numa conferência de imprensa na Casa Branca, JD Vance revelou que tem visto mudanças no comportamento recente de Teerão, dizendo que irá à Suíça para mais negociações, mas ainda não é claro quando.Vance também deixou um aviso aos membros do Governo israelita em relação às críticas que têm feito ao acordo, lembrando que “Trump é o único chefe de Estado em todo o mundo que demonstra simpatia pela nação de Israel neste momento”. Disse ainda esperar que o Hezbollah deixe de atacar Israel, mas que os israelitas também deixem de atuar de forma “desenfreada” no Líbano..Trump assinou o memorando de acordo com o Irão