Durante um ano disseram um do outro o que Mafoma não disse do toucinho. A administração Trump impôs sanções ao presidente colombiano Gustavo Petro, à sua mulher Verónica Alcocer e ao filho Nicolás. O seu visto de entrada nos Estados Unidos foi revogado. Depois da operação militar de sequestro do líder venezuelano Nicolás Maduro, Donald Trump ameaçou Petro de vir a ter o mesmo destino. Na terça-feira, o norte-americano recebeu o antigo guerrilheiro de esquerda na Casa Branca, onde mantiveram uma reunião durante mais de duas horas. No final, não houve conferência de imprensa conjunta, mas a publicação da fotografia, por parte da presidência colombiana, da breve mas calorosa mensagem de Trump a Petro no livro de recordações (“Gustavo – uma grande honra”, e uma frase dirigida ao país: “Eu amo a Colômbia”) demonstram que a crise bilateral – ou melhor, a crise pessoal – terá sido erradicada. Questionada no final da reunião sobre a possibilidade de a relação entre ambos se recompor, a porta-voz da Casa Branca Karoline Leavitt disse que o facto de o seu presidente ter recebido o homólogo em Washington “fala por si só”. Leavitt adiantou ainda que Trump estava “bem-humorado imediatamente antes da reunião e com muita vontade de falar com o presidente Petro”. .A pedido do colombiano, o encontro não se realizou com a presença da comunicação social. Do lado norte-americano acompanhavam Trump o vice-presidente J. D. Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, e o senador republicano de origem colombiana Bernie Moreno. Do lado colombiano, ao lado de Petro estavam a ministra dos Negócios Estrangeiros Rosa Villavicencio, o ministro da Defesa Pedro Sánchez, e o embaixador em Washington Daniel García-Peña..Reunião de alto risco entre Trump e Petro após ameaças e críticas nas redes sociais.O encontro tinha como objetivo ultrapassar a relação conflituosa entre os dois líderes e discutir as políticas de luta contra o tráfico de drogas e a cooperação de segurança. “De algum modo, após a incursão venezuelana, ele tornou-se muito cordial. Mudou muito a sua atitude”, disse Trump aos jornalistas na véspera da visita. Já Petro, que acusou Trump de “cúmplice de genocídio” na Faixa de Gaza, ou que classificou a captura de Maduro como um rapto, tomou a iniciativa e no dia 7 de janeiro ligou para a Casa Branca. Da sua conversa de uma hora saiu o convite para a reunião em Washington. Petro modulou o discurso, mas continuou a criticar a ação em torno do ex-autocrata venezuelano.Minutos antes de a reunião bilateral começar, num vídeo partilhado pelo seu gabinete, Petro descreveu-se como um político com um largo currículo de luta contra o narcotráfico. Acompanhado por uma das suas filhas e pela sua neta, lamentou que a maioria dos seus filhos viva exilado devido à luta que tem travado contra o tráfico de drogas. “Sofremos verdadeiramente os seus efeitos de forma direta”, disse. Depois do raid em Caracas, Trump acusou Petro de ser um “homem doente que gosta de fazer cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”, mas que isso não iria “continuar por muito tempo”.. A Colômbia é ao mesmo tempo o principal aliado dos EUA na América do Sul e o maior produtor de cocaína. Petro, cujo mandato – único como é de lei – se aproxima do fim, aposta numa política de confisco, na redução da procura e em projetos económicos alternativos para os pequenos cultivadores de coca, enquanto os EUA defendem a destruição das culturas de coca e o controlo da oferta.