Pam Bondi.
Pam Bondi.EPA/ALEX BRANDON / POOL

Trump demite a procuradora-geral Pam Bondi

Imprensa norte-americana fala na frustração do presidente dos Estados Unidos com a forma como lidou com o caso Epstein e as investigações aos seus "inimigos" políticos.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, demitiu esta quinta-feira (2 de abril) a sua procuradora-geral, Pam Bondi.

Trump terá expressado a sua frustração com a advogada, com a NBC a dizer que o presidente gosta dela como pessoa, mas não acha que ela tenha "executado a sua visão" da forma que ele deseja.

De acordo com a AP, em causa está a forma como lidou com os ficheiros de Jeffrey Epstein e os obstáculos que o Departamento de Justiça enfrentou nas investigações contra aqueles que Trump considera inimigos.

Segundo as mesmas fontes, o presidente terá equacionado substituí-la pelo administrador da Agência de Proteção Ambiental (EPA), Lee Zeldin.

O atual vice-procurador e antigo advogado pessoal de Trump, Todd Blanche, vai assumir o cargo máximo de forma interina.

Numa sua mensagem nas redes sociais, Trump faz rasgados elogios Bondi, que também sempre se referiu ao Presidente de forma enaltecedora, apesar de tensões na relação entre ambos que foram emergindo no último ano.

"Adoramos a Pam, e ela fará a transição para um novo emprego muito necessário e importante no setor privado, cuja data será anunciada em breve", afirmou o Presidente norte-americano.

"Pam Bondi é uma grande patriota americana e uma amiga leal, (...) tem feito um trabalho excecional ao supervisionar um combate maciço do crime em todo o país, com os homicídios a descerem para o nível mais baixo desde 1900", adiantou.

A ex-procuradora-geral da Florida, de 60 anos, tomou posse no ano passado prometendo que não faria política com o Departamento de Justiça (DoJ, na sigla em inglês), mas rapidamente iniciou investigações contra adversários de Trump, sujeitando-se a críticas de que a agência era utilizada como instrumento de vingança para promover a agenda política e pessoal do Presidente.

Bondi, refere a agência AP, subverteu a cultura de independência do DoJ relativamente à Casa Branca, supervisionando despedimentos em massa de funcionários de carreira e agindo de forma agressiva para investigar os adversários percebidos do Presidente republicano.

O sucessor Todd Blanche, de 51 anos, representou como advogado várias figuras muito próximas de Trump, como Rudy Giuliani, ex-presidente da Câmara de Nova Iorque, e também o agora Presidente no caso relacionado com os pagamentos secretos à atriz pornográfica Stormy Daniels.

Como procurador-geral adjunto, Blanche liderou o interrogatório na prisão de Ghislaine Maxwell, ex-companheira e principal cúmplice de Epstein.

Durante a sua campanha eleitoral do ano passado, Trump expressou repetidamente o seu desejo, uma vez de regresso ao poder, de procurar vingança contra todos aqueles que considera inimigos pessoais.

Numa publicação nas redes sociais a 20 de setembro de 2025 - que, segundo o Wall Street Journal, era uma mensagem privada para Bondi publicada por engano e que foi posteriormente apagada - Trump expressava insatisfação por não ver qualquer ação legal concreta contra os seus rivais políticos, incluindo o ex-diretor do gabinete federal de investigação criminal (FBI, na sigla em inglês) James Comey e outros.

Comey, de 64 anos, foi o primeiro destes indivíduos a ser acusado desde início do segundo mandato do republicano, a 20 de janeiro de 2025.

Referindo-se ao facto de ele próprio ter sido acusado e submetido a processos de destituição várias vezes, Trump exigia "justiça, agora!".

Trump afirmava ainda na mensagem que nomearia Lindsey Halligan, conselheira da Casa Branca, para exercer as funções de procuradora no Distrito Leste da Virgínia, substituindo Erik Seibert, que acreditava não ter reunido provas suficientes para sustentar acusações criminais contra a procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James, após entrevistar dezenas de testemunhas.

James ganhou em 2024 em Nova Iorque um processo civil por fraude contra Trump, os seus filhos adultos e a sua imobiliária, tendo o julgamento sido marcado por acesas trocas de palavras entre o então pré-candidato presidencial republicano e a procuradora nova-iorquina.

Sem experiência como procuradora federal, Halligan apressou-se a apresentar o caso de Comey a um grande júri poucos dias após ser nomeada.

Letitia James foi acusada de fraude hipotecária pela procuradoria federal, mas o processo não chegou a julgamento.

Posteriormente, o antigo conselheiro de segurança nacional de Donald Trump, John Bolton, foi alvo de acusações judiciais por uso indevido de informações confidenciais.

O DoJ abriu também uma investigação ao senador democrata da Califórnia Adam Schiff, que promoveu o processo de destituição presidencial pelo Congresso, após o assalto ao Capitólio em janeiro de 2021, do agora reeleito Presidente.

Além de não ter tido sucesso no processo contra James, a procuradoria não conseguiu também levar a tribunal seis congressistas democratas que instaram as Forças Armadas a desobedecer a ordens ilegais, nem o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell.

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