Presidente dos EUA, Donald Trump
Presidente dos EUA, Donald TrumpSamuel Corum / EPA

Trump anuncia "acordo histórico" para desarmamento total do Hamas

O acordo permitirá que Gaza fique sob o controlo de "um novo governo palestiniano", afirma o presidente dos EUA.
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O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou esta quinta-feira, 30 de julho, que o Conselho de Paz chegou a um acordo para o "desarmamento total" do Hamas e de outros grupos armados em Gaza.

O republicano descreveu este passo como histórico rumo à criação de um novo Governo palestiniano no enclave.

Trump adiantou através da sua rede social, Truth Social, que "o acordo será implementado em fases cuidadosamente estruturadas" e que, uma vez concluído o desarmamento, "as forças israelitas retirarão".

Com a saída das forças israelitas do enclave, uma Força Internacional de Estabilização atuará ao lado de uma nova força policial palestiniana para garantir a segurança de Gaza, acrescentou.

O chefe de Estado norte-americano realçou que o acordo permitirá que Gaza fique sob o controlo de "um novo governo palestiniano" e agradeceu ainda ao Egito, ao Qatar e à Turquia pelos seus esforços de mediação, bem como à sua equipa de negociação por ter alcançado o pacto.

Segundo o portal de notícias Axios, a pressão externa e a crescente crise económica na Faixa de Gaza, pela qual o Hamas é responsabilizado, levaram o grupo a aceitar o acordo de desarmamento.

O presidente dos EUA descreveu o acordo como um "marco importante" na implementação do seu plano de 20 pontos para Gaza, apresentado a 29 de setembro de 2025, juntamente com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

O plano traça um roteiro para pôr fim à guerra, libertar reféns, estabelecer uma estrutura de segurança para Israel e avançar para uma administração palestiniana tecnocrática no enclave.

Uma fonte diplomática e outra ligada ao grupo islamita palestiniano Hamas já tinha adiantado na quinta-feira que as negociações de paz na Faixa de Gaza, a decorrer no Cairo, registaram progressos sobre o desarmamento do Hamas.

Há semanas que decorrem negociações no Egito para implementar a segunda fase do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que entrou em vigor em outubro do ano passado e visa pôr fim definitivo à guerra no enclave palestiniano.

Fonte do Hamas tinha destacado à AFP uma "ampla convergência" em vários pontos relacionados com o armamento e disse que o grupo palestiniano apresentou alterações ao roteiro proposto por Washington aos mediadores e aguarda a resposta de Israel.

"Continuamos a avançar com o roteiro", comentou uma fonte diplomática familiarizada com as negociações, que pediu à AFP para não ser identificada.

A mesma fonte reiterou que o plano estipula o "desmantelamento de todas as armas", especificando que não haverá exceções, de forma a "transferir toda a autoridade para o governo tecnocrático".

De acordo com o plano de paz, a gestão corrente da Faixa de Gaza no período pós-conflito será assegurada por um organismo de tecnocratas palestinianos, o Comité Nacional para a Administração de Gaza (CNAG).

A transferência de armas para o CNAG será realizada, segundo a fonte diplomática, em coordenação com a Força Internacional de Estabilização (FIE), uma estrutura destinada a reunir tropas multinacionais sob os auspícios do Conselho de Paz proposto pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

Do lado israelita, uma fonte política disse à AFP que "não haverá retirada israelita da 'linha amarela' até que o Hamas esteja completamente desarmado e a Faixa de Gaza totalmente desmilitarizada".

A "linha amarela" é o nome dado por Israel à demarcação entre as áreas controladas pelo Hamas e pelo exército israelita no enclave palestiniano.

Israel reclama o controlo atual de mais de 60% do território.

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