Trump afirma que desconhecia planos de Israel para atacar campo de gás natural iraniano mas ameaça destrui-lo

Presidente dos Estados Unidos avisou que autorizará a destruição do campo de South Pars, no Irão, caso Teerão se atreva a atacar novamente as refinarias do Qatar.
Trump afirma que desconhecia planos de Israel para atacar campo de gás natural iraniano mas ameaça destrui-lo
EPA/ABEDIN TAHERKENAREH

Irão intensificou ataques contra instalações de energia no Golfo

O Irão intensificou hoje os ataques contra infraestruturas de energia dos países do Golfo, incendiando instalações de gás natural liquefeito (GNL) do Qatar e duas refinarias de petróleo do Kuwait.

O agravamento da guerra no Médio Oriente fez disparar novamente os preços globais dos combustíveis, com o preço do gás na Europa a disparar hoje 35%.

Um navio atingido incendiou-se hoje ao largo da costa dos Emirados Árabes Unidos e outro ficou danificado perto do Qatar, numa altura em que se verifica um controlo "de facto" do Estreito de Ormuz por parte do Irão.

O Qatar, importante fornecedor de gás natural para os mercados mundiais, informou hoje que os bombeiros extinguiram um incêndio numa instalação de GNL, depois de ter sido atingida por mísseis iranianos.

A produção já tinha sido interrompida após ataques anteriores, mas o país afirmou que a última vaga de mísseis causou incêndios "consideráveis".

Um ataque com um aparelho aéreo não tripulado (drone) contra a refinaria Mina Al-Ahmadi, no Kuwait, provocou um grande incêndio, segundo a agência de notícias estatal KUNA.

A refinaria é uma das maiores do Médio Oriente, com uma capacidade de produção de petróleo de 730 mil barris por dia.

As autoridades de Abu Dhabi disseram hoje que foram forçadas a interromper as operações na instalação de gás em Habshan e no campo de Bab.

Os países do Golfo condenaram os ataques iranianos contra instalações de prospeção e distribuição de energia.

Lusa

Reaberta fronteira de Rafah entre Gaza e Egito

A fronteira de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito foi hoje reaberta pela primeira vez depois do começo da ofensiva israelo-americana contra o Irão, informaram meios de comunicação social estatais egípcios.

A televisão Al-Qahera News noticiou que a passagem foi retomada "em ambos os sentidos" e transmitiu imagens aéreas de palestinianos a regressar a Gaza - alguns após tratamento médico no Egito —, mas também de ambulâncias à espera para irem buscar feridos ou doentes palestinianos ao enclave.

A fronteira de Rafah tinha sido encerrada, numa primeira fase, durante a ofensiva militar de Israel sobre a Faixa de Gaza, na sequência do atentado terrorista levado a cabo em 07 de outubro de 2023 pelo grupo islamista radical Hamas, sendo o principal ponto de chegada de ajuda humanitária ao território.

A passagem já tinha sido reaberta após o cessar-fogo de 10 de outubro de 2025, mediado pelos Estados Unidos e outros países da região do Médio Oriente, mas sempre com acusações mútuas de violação da trégua por parte de Israel e do Hamas e outras organizações palestinianas.

Lusa

Trump afirma que desconhecia planos de Israel para atacar campo de gás natural iraniano

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta quarta-feira que não tinha conhecimento do ataque que Israel iria realizar contra o campo de gás natural South Pars, no Golfo Pérsico, no Irão.

Numa publicação em que Trump se desligou do ataque, indicou que: "Israel, enfurecido com o que aconteceu no Médio Oriente, atacou uma importante instalação no Irão conhecida como o campo de gás South Pars. Apenas uma pequena parte ficou danificada".

O chefe de Estado insistiu que os Estados Unidos não tiveram "conhecimento prévio do ataque" e que "o Irão, sem conhecer os factos, respondeu atacando injustificadamente uma parte da fábrica de gás natural liquefeito do Qatar".

"Israel não voltará a atacar o campo de gás South Pars, de importância vital, a menos que o Irão decida imprudentemente atacar um país inocente, neste caso o Catar", acrescentou.

"Caso tal aconteça, os EUA, com ou sem a ajuda ou consentimento de Israel, farão explodir massivamente a totalidade do Campo de Gás de South Pars com uma força e potência nunca antes vistas ou testemunhadas pelo Irão. Não quero autorizar este nível de violência e destruição devido às implicações a longo prazo que terá para o futuro do Irão, mas se o GNL do Qatar for novamente atacado, não hesitarei em fazê-lo", vincou Trump.

A agência Associated Press avançou hoje que os Estados Unidos terão sido informados sobre os planos de Israel de atacar o South Pars, mas não participaram na operação. A AP, que cita uma fonte anónima, acrescentou que esta não quis, porém, esclarer se a Administração Trump concordou com a decisão israelita de atacar o campo.

Na manhã de quarta-feira, ataques israelitas, que os meios de comunicação da região associaram aos Estados Unidos como parte da operação, atingiram as instalações do vasto campo de gás no sul do Irão, conhecido como a maior reserva natural do mundo e fornecedor de 70% do gás doméstico utilizado pelo Estado persa.

Teerão respondeu com ataques ao Qatar e Emirados Árabes Unidos, provocando um incêndio considerável na refinaria de Ras Laffan, a principal refinaria de gás natural liquefeito qatari, num depósito de combustível para aviões em Riade e assim como numa refinaria no Bahrein.

O Governo do Qatar informou que a defesa civil interveio no incêndio que causou "graves danos" em Ras Laffan, o principal local de produção de gás natural liquefeito do país.

O campo de gás de South Pars é partilhado pelo Irão e o Qatar, constituindo o maior campo de gás natural do mundo. Conhecido como South Pars no Irão e como North Field (ou North Dome) no Qatar, este enorme recurso offshore partilhado estende-se ao longo da fronteira marítima no Golfo Pérsico, servindo como uma fonte de energia essencial para ambas as nações.

A guerra no Médio Oriente provocou instabilidade no fluxo e no preço do petróleo a nível mundial, levando Trump a suspender por 60 dias uma lei que obriga o transporte de crude a ser feito exclusivamente de um porto norte-americano para outro em embarcações nacionais, com o objetivo de travar a subida dos preços da gasolina.

Preço do gás na Europa dispara 35% após ataques a infraestruturas energéticas

O preço do gás na Europa disparou hoje 35% após os ataques às infraestruturas energéticas no Médio Oriente, em particular um ataque iraniano à maior instalação de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, no Qatar.

Pouco depois do início das negociações às 07:00 de hoje (06:00 em Lisboa), o contrato de futuros holandês TTF, considerado a referência europeia, subiu 28,06% para 70 euros por megawatt-hora, depois de ter chegado a subir 35%.

A empresa estatal de energia do Qatar reportou hoje "danos consideráveis" no complexo de gás de Ras Laffan, após novos ataques com mísseis contra este local crucial, alimentando receios quanto ao fornecimento internacional de energia.

Doha esclareceu posteriormente que todos os incêndios no local estavam "controlados", acrescentando que não houve feridos e que as operações de arrefecimento e segurança continuavam.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou destruir o campo de gás de South Pars, no Irão, caso o país lançasse outro ataque contra instalações de gás no Qatar.

Lusa

China opõe-se à inaceitável eliminação de líderes nacionais

A China afirmou hoje que “a eliminação de líderes nacionais e ataques contra alvos civis no Irão são absolutamente inaceitáveis”, após Israel ter morto o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão e ex-presidente do parlamento, Ari Larijani.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou, em conferência de imprensa, que Pequim “se opõe sistematicamente ao uso da força nas relações internacionais”.

Lin lamentou que “as chamas da guerra se estejam a expandir pelo Médio Oriente e que as tensões regionais estejam a aumentar”.

“Um cessar-fogo imediato e o fim das hostilidades representam a aspiração comum da comunidade internacional”, acrescentou o porta-voz, apelando “a todas as partes envolvidas” para que interrompam “imediatamente as operações militares e evitem que a situação regional se torne incontrolável”.

Lusa

Qatar reporta "incêndios de grandes proporções" em instalações de gás natural

O Qatar informou hoje que ataques com mísseis iranianos danificaram mais instalações de gás natural liquefeito no país rico em recursos energéticos, "provocando incêndios de grandes proporções e danos adicionais extensos".

De acordo com a Qatar Energy, empresa estatal de petróleo e gás do país, o combate aos incêndios ainda decorre e, até ao momento, não se registaram feridos.

O Qatar, que é um importante fornecedor de gás natural para os mercados energéticos mundiais, já tinha suspendido a produção no início da guerra, e estes danos extensos podem atrasar o país no pleno regresso ao mercado após o fim da guerra com o Irão.

Lusa

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