Trump admite retomar ataques ao Irão “se se comportarem mal”

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Bandeira iraniana colocada à volta de uma estátua em Teerão
Bandeira iraniana colocada à volta de uma estátua em TeerãoEPA/ABEDIN TAHERKENAREH

Irão critica Trump por se "vangloriar descaradamente de pirataria" contra navios iranianos 

O Irão condenou as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que descreveu a forma como é feita a apreensão de navios iranianos pelos Estados Unidos como semelhante a "pirataria".

“O presidente dos EUA chamou abertamente a apreensão ilegal de navios iranianos de 'pirataria', vangloriando-se descaradamente de que 'agimos como piratas'”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Bagaei, na rede social X.

O diplomata denunciou as declarações de Trump como uma "admissão direta e contundente da natureza criminosa" das ações dos EUA contra a navegação marítima internacional, aludindo ao bloqueio naval de portos e navios iranianos, reporta a agência EFE.

Plano iraniano tem 14 pontos e está centrado no fim da guerra e levantamento do bloqueio

O Irão apresentou aos Estados Unidos uma proposta de 14 pontos destinada a pôr termo de forma permanente ao conflito, segundo avançaram meios de comunicação iranianos. O plano, divulgado pela agência Tasnim, foi transmitido a Washington através do Paquistão, que atua como mediador.

De acordo com a Tasnim, citada pela agência espanhola EFE, a proposta iraniana, que surgiu como resposta a um plano norte-americano de nove pontos, estabelece um prazo de 30 dias para resolver todas as questões relacionadas com a guerra, dando prioridade ao “fim definitivo” do conflito em vez do prolongamento do atual cessar-fogo.

Fim da guerra e bloqueio naval

Entre os pontos centrais está o encerramento formal das hostilidades. Teerão rejeita a hipótese de estender a trégua em vigor e defende uma solução global e permanente.

Outro eixo fundamental é o levantamento do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos a portos e embarcações iranianas. A proposta inclui ainda a criação de um novo modelo de gestão do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo a nível mundial.

Garantias de não agressão e retirada de forças militares

O Irão exige garantias verificáveis de não agressão por parte dos Estados Unidos e de Israel, embora os meios iranianos não especifiquem o formato dessas garantias. O plano contempla também a retirada das forças militares norte-americanas destacadas na região, uma exigência recorrente de Teerão.

Sanções e compensações

O levantamento das sanções económicas impostas por Washington constitui outra das condições-chave. O Irão pede igualmente o desbloqueio de ativos financeiros congelados no estrangeiro.

Além disso, a proposta prevê o pagamento de indemnizações pelos danos causados durante o conflito, que, segundo dados iranianos, provocou milhares de vítimas e destruição de infraestruturas.

Programa nuclear fora da proposta

Segundo a agência Tasnim, o plano não inclui referências ao programa nuclear iraniano, que poderá ser tratado numa fase posterior das negociações.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado (2) que Washington poderá voltar a lançar ataques contra o Irão caso Teerão “se comporte mal”, numa altura em que decorrem contactos indiretos sobre um possível acordo.

Falando aos jornalistas em West Palm Beach, na Florida, Trump indicou que já foi informado sobre “o conceito” da última proposta iraniana para negociações, mas não entrou em detalhes. “Disseram-me qual é o conceito do acordo proposto. Vão agora informar-me sobre o texto exato”, declarou, citado pela agência Reuters.

Apesar disso, mostrou ceticismo quanto à viabilidade da proposta. Questionado sobre a possibilidade de retomar ataques militares, Trump não afastou o cenário: “Não quero dizer isso. Não posso dizer isso a um repórter. Se se comportarem mal, se fizerem algo errado… veremos. Mas é uma possibilidade.”

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