Trudeau arriscou mas ficou aquém da maioria

Primeiro-ministro antecipou as eleições à espera de aproveitar a sua popularidade para repetir a maioria do primeiro mandato. A aposta falhou.

Os liberais venceram as eleições legislativas canadianas, mas o primeiro-ministro Justin Trudeau falhou o seu principal objetivo: recuperar a maioria que o levou ao poder em 2015 e que perdeu em 2019. Trudeau, de 49 anos, tinha apostado na popularidade alcançada na resposta à pandemia de covid-19 para antecipar as eleições. Mas esse gesto não foi bem recebido, com a oposição a acusá-lo de pôr a ambição pessoal à frente do país, e a campanha acabou por ser mais difícil do que o esperado. O primeiro-ministro chegou a ser recebido numa ocasião com pedras atiradas por manifestantes.

"Ouvi-vos quando disseram que só querem voltar às coisas que amam e não se preocupar com esta pandemia ou eleições", disse Trudeau no seu discurso de vitória. "O momento que enfrentamos exige uma verdadeira mudança. E vocês deram a este Parlamento e a este governo uma direção clara", acrescentou, dizendo que está "pronto para continuar com o trabalho".

O Partido Liberal de Trudeau conquistou 158 deputados, ficando a 12 da maioria de 170 necessária para governar sem negociar com a oposição. Uma ligeira melhoria em relação aos 155 que detinha quando resolveu dissolver o Parlamento e antecipar as eleições, em agosto. Em segundo lugar ficou o Partido Conservador de Erin O"Toole, que manteve os 119 deputados. O líder admitiu a derrota, mas congratulou-se por os canadianos terem negado a maioria absoluta aos liberais.

"Há cinco semanas, Trudeau pediu uma maioria, dizendo que um Parlamento minoritário era "impraticável". Mas hoje os canadianos não lhe deram a maioria que ele queria", disse após serem conhecidos os resultados. "De fato, os canadianos deram-lhe uma nova minoria a um custo de 600 milhões de dólares canadianos [cerca de 400 milhões de euros] e mais divisões no nosso grande país", referiu.

Trudeau apostava na ideia de que os canadianos não queriam o regresso dos conservadores ao poder, nomeadamente durante uma pandemia. O governo liberal foi responsável por um plano que faz com que o Canadá esteja entre os países onde a taxa de vacinação é mais elevada - Trudeau defende mesmo que as vacinas devem ser obrigatórias para viajar -, tendo gasto centenas de milhões de dólares para apoiar a economia em pleno confinamento.

O Parlamento canadiano inclui ainda os 34 deputados do Bloco Quebequense, que defende a independência do Quebeque e também ficou aquém do seu objetivo de chegar aos 40 deputados (apesar de ter ganho dois em relação às eleições de 2019). Há ainda espaço para os 25 representantes do Novo Partido Democrático, que conquistou mais um deputado, com os Verdes a manterem os dois deputados que já tinham.

susana.f.salvador@dn.pt

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