O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil ordenou na segunda-feira a abertura de uma investigação contra o Governo do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro "por crimes de genocídio" de comunidades indígenas..Em comunicado, o STF ordenou "a Procuradoria-Geral da República, o Ministério Público Militar, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Superintendência Regional da Polícia Federal de Roraima apurem a possível participação de autoridades do governo Jair Bolsonaro na prática, em tese, dos crimes de genocídio, desobediência, quebra de segredo de justiça, e de delitos ambientais relacionados à vida, à saúde e à segurança de diversas comunidades indígenas"..A decisão foi anunciada dez dias após o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter declarado uma "emergência sanitária" na reserva Yanomami, a maior do Brasil, com cerca de 27.000 indígenas em quase 10 milhões de hectares, devido ao "abandono" que sofreram e ao número crescente de mortes e hospitalizações de indígenas devido à fome e a várias doenças..O magistrado citou um relatório que recebeu da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil sobre a "grave situação humanitária" que os Yanomami estão a viver devido à desnutrição, à propagação da malária, às elevadas taxas de mortalidade e à contaminação dos seus rios pelo mercúrio utilizado pelos mineiros ilegais..O juiz Luis Barroso disse na sua decisão que diferentes documentos que analisou "sugerem uma situação absoluta de insegurança para os povos indígenas envolvidos, bem como ações e omissões por parte das autoridades federais que a agravaram"..O magistrado citou possíveis atos de desobediência de decisões do Supremo Tribunal que ordenaram ao Governo a remoção dos quase 20.000 mineiros que operavam ilegalmente na reserva, bem como fugas das datas em que seriam realizadas as operações que permitiam a fuga dos mineiros..Na mesma decisão, Barroso reiterou a ordem que emitiu em 2020 para que o Governo utilizasse as forças militares e policiais para remover todos os mineiros ilegais que operam nas reservas das etnias Yanomami, Karipuna, Uru-Eu-Wau-Wau, Kayapó, Arariboia, Mundurucu e Trincheira Bacajá..Esta decisão foi emitida para impedir a propagação da covid-19 nas reservas indígenas e nunca foi cumprida pelo Governo de Jair Bolsonaro..A este respeito, Barroso estabeleceu um prazo de 30 dias para o Governo de Lula da Silva apresentar um diagnóstico da situação das comunidades indígenas e um plano, com um calendário, para cumprir a ordem de retirar os mineiros ilegais das reservas..Antes da decisão do Supremo Tribunal, o Ministério Público Federal (MPF) anunciou na segunda-feira que tinha aberto outro inquérito para determinar se as ações ou omissões do Estado contribuíam para a crise humanitária que os Yanomami estão a atravessar.