Tornados. Destruição e morte é o "novo normal"

Há pelo menos 78 mortos e prejuízos por contabilizar em seis estados dos EUA, na sequência de uma eclosão de tornados.

Dezenas de tornados atingiram seis estados norte-americanos na sexta-feira à noite e no sábado de manhã. Só no Kentucky, o estado mais atingido - incluindo uma enorme tempestade que deixou um rasto de destruição ao longo de mais de 320 quilómetros -, o primeiro balanço oficial de vítimas é de 64. Nos restantes estados haverá pelo menos mais 14 mortos. Apesar de alguns peritos dizerem que não se pode apontar de caras para as alterações climáticas, a chefe da Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA, na sigla em inglês) não tem dúvidas e adverte para o "novo normal".

Tennessee, Arkansas, Ilinóis, Missouri, Mississípi e Kentucky foram os estados onde surgiram os tornados numa altura do ano em que estes não ocorrem com frequência e muito menos com esta gravidade.

É preciso recuar quase um século, a 1925, para encontrar registo de uma devastação com paralelo. Ficou conhecido como tornado tri-estadual (Missouri, Indiana e Ilinóis) e matou cerca de 700 pessoas, com ventos a atingirem a marca de 480 km/h. "Uma palavra: notável. Inacreditável seria outra. Foi realmente um acontecimento ao estilo do final da primavera em meados de dezembro", classificou o professor de meteorologia da Northern Illinois University Victor Gensini à Associated Press.

Joe Biden irá visitar duas das localidades mais atingidas do Kentucky, "uma zona de guerra sem guerra", como descreveu o seu governador.

O tempo quente foi um fator nesta explosão de tornados, ao que se juntou uma frente de tempestade com o cunho do fenómeno natural La Niña. "Vemos tornados em dezembro, essa parte não é invulgar, mas com esta magnitude, penso que nunca vimos um a ocorrer tão tarde no ano", disse a administradora da FEMA Deanna Criswell na CNN. "A gravidade e a quantidade de tempo em que este tornado, ou estes tornados, percorreram o terreno é inédita", continuou. "Isto vai ser o nosso novo normal, e os efeitos que estamos a ver das alterações climáticas são a crise da nossa geração", concluiu.

Nem todos partilham desta opinião. Nos EUA há uma média anual de 1200 tornados, menos de 10% de fortes tempestades, o que para o cientista de tornados Harold Brooks torna difícil chegar a conclusões sobre o papel das alterações climáticas.

O presidente dos EUA pediu no sábado para a Agência do Ambiente investigar o possível impacto das alterações climáticas no padrão dos tornados. Joe Biden, que declarou estado de catástrofe no Kentucky, mobilizando meios para o terreno e financiamento para as comunidades e para as famílias desalojadas, vai deslocar-se na quarta-feira àquele estado que foi descrito pelo seu governador, Andy Beshear, como "uma zona de guerra sem guerra", e onde há mais de 25 mil casas sem eletricidade.

Biden irá visitar duas das localidades mais atingidas, Mayfield e Dawson Springs. Na primeira, onde o repórter do Wall Street Journal viu bicicletas e frigoríficos pendurados em árvores, uma fábrica de velas ficou em escombros com mais de cem pessoas no interior. "Sinceramente, de todos os anos de experiência, isto foi a pior coisa que vi na minha vida", comentou o bombeiro A.J. Ferguson ao Washington Post.

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