Após derrota Trump recua e diz querer trabalhar com democratas para "que as coisas correm bem"

Custo de vida, inflação e imigração dominam as preocupações dos eleitores numa votação que decide a margem de manobra da Casa Branca.
James Talarico venceu corrida democrata no Texas.
James Talarico venceu corrida democrata no Texas.LAURA BRETT / EPA

Democrata Richard Pan vence 6.º distrito da Califórnia e afasta o único deputado independente do Congresso

O democrata Richard Pan foi projetado vencedor na disputa pelo 6.º distrito congressional da Califórnia, superando o congressista em exercício Kevin Kiley e afastando o único membro formalmente independente com assento na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. A projeção, avançada pela CNN, alarga a nova maioria democrata na câmara baixa e confirma o impacto da reconfiguração dos círculos eleitorais na Costa Oeste.

Pan, médico pediatra e figura de destaque da política estadual que cumpriu mandato de senador na Califórnia, partiu com clara vantagem demográfica num território centrado na área metropolitana de Sacramento, redesenhado para favorecer o voto progressista. Ao longo da campanha, o candidato democrata explorou a experiência legislativa em saúde pública e associou Kiley à agenda conservadora da Casa Branca, focando a sua plataforma no acesso a cuidados médicos e no desagravamento dos custos essenciais de vida.

Kiley, que representava o antigo 3.º distrito desde 2023, optara por concorrer pelo 6.º círculo na sequência da aprovação do novo mapa eleitoral californiano. Num esforço de reposicionamento político, o congressista renunciou à filiação no Partido Republicano em março para se registar como independente sem preferência partidária, muito embora tenha continuado a reunir e a votar de forma consistente com a bancada republicana no Capitólio. Essa dualidade acabou por ser explorada pelos democratas, num eleitorado maioritariamente urbano que rejeitou a sua recondução.

A vitória de Richard Pan no 6.º distrito reforça a consolidação da delegação democrata da Califórnia em Washington, juntando-se à viragem de Mike McGuire no 1.º distrito e à conquista histórica do executivo estadual por Xavier Becerra, cimentando o domínio partidário em todo o estado.

Democrata Mike McGuire derrota congressista republicano James Gallagher no 1.º distrito da Califórnia

O democrata Mike McGuire foi projetado vencedor na disputa pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos pelo 1.º distrito congressional da Califórnia, afastando o congressista republicano em exercício James Gallagher. A projeção, avançada pela CNN, confirma mais um ganho líquido para o Partido Democrata na Costa Oeste e consolida a margem da nova maioria liderada por Hakeem Jeffries.

A vitória de McGuire assinala uma das maiores transformações geográficas e eleitorais deste ciclo. Sob o traçado eleitoral anterior, Donald Trump vencera aquele território por uma margem de 25 pontos percentuais nas eleições presidenciais de 2024. Contudo, a recente reconfiguração do mapa eleitoral promovida na Califórnia alterou drasticamente o perfil demográfico e partidário do círculo, integrando áreas consideravelmente mais progressistas e retirando redutos conservadores históricos do norte do estado.

McGuire, figura proeminente da política estadual que serviu durante mais de uma década no Senado da Califórnia — onde exerceu inclusive as funções de presidente pro tempore —, capitalizou essa nova configuração para construir uma coligação abrangente. Gallagher, antigo líder da bancada republicana na assembleia estadual que fora eleito para o Congresso numa eleição intercalar no início do ano após a morte de Doug LaMalfa, acabou por não resistir à nova composição dos cadernos eleitorais.

A conquista do 1.º distrito da Califórnia reforça o pacote de viragens parlamentares do Partido Democrata a nível nacional, somando-se aos ganhos já confirmados em estados industriais e suburbanos como a Pensilvânia, o Ohio, a Carolina do Norte e o Indiana, e cimentando o domínio confortável da oposição sobre a câmara baixa federal.

Trump muda de tom após revés nas intercalares: "Vamos trabalhar com os democratas"

Diante das projeções eleitorais que confirmaram a vitória do Partido Democrata e a perda republicana de ambas as câmaras do Congresso, o presidente Donald Trump interveio telefonicamente na transmissão em direto da noite eleitoral do portal Politico para sinalizar uma mudança de rumo nas relações com o poder legislativo.

Num tom contido, o atual inquilino da Casa Branca garantiu que a administração vai procurar pontes com a nova maioria: "Bem, vamos trabalhar com os democratas para garantir que as coisas correm bem para o nosso país. É muito importante."

A declaração marca uma viragem face à narrativa adotada nos comícios das últimas semanas, durante os quais Trump chegou a sugerir que assumiria a postura de "Senhor Veto" se o Partido Republicano perdesse a liderança parlamentar.

Confrontado com o novo cenário, o presidente reconheceu a sua prerrogativa constitucional de chumbar iniciativas legislativas, mas descartou um bloqueio total: embora sublinhe ter o direito de vetar qualquer projeto que chegue à Sala Oval, afirmou não querer "ficar sentado durante dois anos a vetar tudo".

O líder norte-americano revelou ainda que a aproximação entre as duas partes já começou nos bastidores da noite eleitoral: "Eles já ligaram e querem trabalhar comigo", garantiu, embora tenha recusado especificar quais os nomes da bancada democrata que entraram em contacto direto consigo.

Apesar da derrota do Partido Republicano — atribuída em larga medida ao aumento dos custos de vida associados à escalada militar no Médio Oriente —, Trump rejeitou qualquer arrependimento em relação à intervenção armada contra o Irão. "Muitas pessoas falam do preço do petróleo por causa do Irão, mas estou perfeitamente, totalmente convencido de que a minha decisão sobre o Irão para o bem a longo prazo do nosso país, e até do mundo, foi absolutamente correta, e continua a ser", disse.

Democrata Josh Turek vence no Iowa, vira assento de Joni Ernst e amplia maioria no Senado

O deputado estadual democrata Josh Turek foi projetado vencedor na eleição para o Senado dos Estados Unidos pelo Iowa, derrotando a congressista republicana Ashley Hinson na disputa pela cadeira deixada em aberto pela retirada de Joni Ernst, segundo as projeções avançadas pela CNN e redes norte-americanas.

Com este resultado, Turek torna-se o primeiro democrata a vencer uma eleição para o Senado no Iowa desde 2008, restaurando o estatuto do estado como um dos principais campos de batalha eleitoral do Midwest após quase uma década de domínio do Partido Republicano na era Donald Trump.

O atleta paralímpico e legislador estadual capitalizou a crescente apreensão das comunidades rurais e agrícolas face ao aumento dos custos operacionais — designadamente os preços do gasóleo e dos fertilizantes —, somados à incerteza provocada pelas disputas comerciais e tarifas internacionais.

A derrota de Ashley Hinson, congressista com forte visibilidade regional que contava com o apoio formal da liderança conservadora, confirma a quebra da muralha republicana no chamado Farm Belt. Turek estruturou uma mensagem populista focada na defesa do rendimento das pequenas explorações familiares e no combate ao monopólio corporativo no setor agropecuário, conseguindo penetrar em condados rurais onde os republicanos mantinham margens confortáveis nos últimos ciclos.

O triunfo de Josh Turek é a sexta viragem partidária líquida a favor do Partido Democrata no Senado federal nesta noite eleitoral — juntando-se aos sucessos alcançados na Carolina do Norte (Roy Cooper), Carolina do Sul (Annie Andrews), Texas (James Talarico), Ohio (Sherrod Brown) e Kansas (Adam Hamilton). Ao somar esta cadeira em Des Moines, a bancada democrata eleva a sua maioria absoluta na câmara alta para 53 assentos, blindando o controlo do Senado e consolidando o domínio pleno do poder legislativo em Washington.

Democratas conquistam maioria no Senado após vaga de viragens históricas e assumem controlo total do Congresso

O Partido Democrata garantiu a maioria absoluta no Senado dos Estados Unidos nestas eleições intercalares de 2026, segundo as projeções avançadas pelas principais redes norte-americanas.

O triunfo consumado na câmara alta, somado à reconquista e alargamento da liderança na Câmara dos Representantes, entrega à oposição democrata o controlo unificado do poder legislativo em Washington e altera de forma profunda o equilíbrio de forças no país.

A bancada democrata entrou na noite eleitoral em desvantagem numérica, partindo de uma minoria de 47 assentos contra 53 republicanos. Para contornar o voto de desempate constitucional atribuído ao vice-presidente J.D. Vance, o partido precisava de um ganho líquido de quatro lugares para regressar ao poder.

O desfecho das urnas acabou por ultrapassar até as previsões mais otimistas da oposição, traduzindo-se numa onda nacional que derrubou cinco mandatos conservadores de relevo.

O primeiro sinal de rutura surgiu na Costa Leste através do antigo governador da Carolina do Norte, Roy Cooper, que bateu os republicanos e recuperou um lugar que escapava ao partido desde 2008. Pouco depois, deu-se um terramoto político no Sul com a vitória da médica pediatra Annie Andrews na Carolina do Sul perante a republicana Darline Graham, pondo fim a quase três décadas de hegemonia conservadora naquele círculo eleitoral.

A vaga alastrou em seguida ao maior bastião republicano do país, onde o deputado estadual James Talarico, de 37 anos, bateu o procurador-geral Ken Paxton por margem clara, tornando-se o primeiro senador democrata eleito pelo Texas em quase quatro décadas.

No Midwest, o antigo senador Sherrod Brown protagonizou um regresso ao derrotar o titular Jon Husted na eleição especial do Ohio, preenchendo a vaga deixada por Vance e carimbando matematicamente o assento número cinquenta e um.

O fecho deste ciclo de vitórias deu-se no coração agrícola da América com a vitória do pastor metodista Adam Hamilton no Kansas diante do senador Roger Marshall, quebrando um jejum histórico de 94 anos sem qualquer vitória democrata para o Senado naquele estado.

Ao mesmo tempo que consolidavam estas cinco viragens, os democratas defenderam com sucesso todos os círculos mais disputados sob ataque conservador, assegurando a reeleição de Jon Ossoff na Geórgia, Mark Warner na Virgínia, Chris Pappas em New Hampshire e Jeff Merkley no Oregon.

Do lado republicano, a contenção de danos limitou-se à retenção de feudos tradicionais como a Flórida, onde Ashley Moody segurou o lugar, e o Alabama, com a vitória de Barry Moore.

Ao alcançar pelo menos 52 assentos, o Partido Democrata assume a liderança incontestada da câmara alta. Este resultado confere à liderança democrata o poder exclusivo de ditar as votações de confirmação de juízes federais, embaixadores e membros do executivo, bem como o controlo direto de todas as comissões de inquérito e fiscalização orçamental, bloqueando por completo as principais prioridades legislativas da Casa Branca.

Já na Câmara dos Representantes, onde os republicanos mantinham a liderança desde 2023, os democratas conseguiram recuperar os mandatos necessários para ultrapassar o limiar de 218 assentos, garantindo os votos para eleger o líder da bancada, Hakeem Jeffries, como o próximo Speaker da câmara baixa.

A viragem na Câmara foi alavancada pela reconquista de distritos suburbanos e industriais no Midwest e no Leste, incluindo vitórias emblemáticas sobre figuras proeminentes do Partido Republicano, como a queda de Scott Perry na Pensilvânia e de Victoria Spartz no Indiana.

Com o controlo da câmara baixa, a liderança democrata assume o poder exclusivo de iniciar a legislação orçamental e a autoridade para abrir inquéritos formais e intimar membros do executivo federal.

Terramoto político confirma-se no Kansas com vitória histórica do democrata Adam Hamilton para o Senado

O democrata Adam Hamilton foi projetado vencedor na eleição para o Senado dos Estados Unidos pelo Kansas, impondo uma derrota histórica ao senador republicano em exercício Roger Marshall.

A projeção, avançada pela CNN, consuma um dos maiores abalos eleitorais do ciclo de 2026.

Kansano de quinta geração e fundador da maior igreja metodista dos Estados Unidos, Hamilton concorria pela primeira vez a um cargo público.

A sua eleição quebra um ciclo de 94 anos sem qualquer democrata eleito para o Senado federal pelo Kansas — o maior jejum partidário contínuo do país na câmara alta, que remontava à eleição de George McGill em 1932.

Hamilton centrou a sua campanha num apelo ético suprapartidário de reconciliação cívica — sintetizado no lema "isto não é uma questão de republicanos ou democratas, é uma questão de decência humana" —, conseguindo resistir a duras investidas da Casa Branca durante a campanha, que incluíram comícios locais de Donald Trump e do vice-presidente J.D. Vance com críticas contundentes à sua mensagem religiosa.

A queda de Roger Marshall no coração agrícola do país junta-se às viragens republicanas já confirmadas na Carolina do Norte (Roy Cooper), na Carolina do Sul (Annie Andrews), no Texas (James Talarico) e no Ohio (Sherrod Brown). Com este triunfo, a bancada democrata eleva a sua maioria absoluta para 52 assentos, blindando o controlo do Senado para lá de qualquer margem mínima de segurança.

Republicano Mike Mazzei vence corrida ao governo do Oklahoma e sucede a Kevin Stitt

O republicano Mike Mazzei foi projetado vencedor na eleição para o governo do Oklahoma, superando a líder da bancada democrata na câmara baixa estadual, Cyndi Munson, segundo as projeções avançadas pela CNN e pelas principais redes norte-americanas.

Mazzei, consultor financeiro que serviu no Senado estadual e exerceu funções como secretário do Orçamento na administração cessante, assegura a transição na liderança executiva do estado ao suceder ao republicano Kevin Stitt, impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo por limite constitucional.

O candidato republicano contou com o apoio formal de Stitt e com o endosso de Donald Trump, capitalizando uma plataforma focada na disciplina fiscal e no desagravamento fiscal para seniores e veteranos.

Munson, que fizera história como a primeira mulher luso/asiático-americana eleita para a assembleia legislativa estadual, tentava quebrar o ciclo conservador com uma campanha centrada no financiamento escolar, nos custos de saúde e na habitação acessível. Contudo, não conseguiu contrariar a solidez do eleitorado republicano no estado.

A vitória de Mazzei consolida a permanência de Oklahoma City nas mãos do Partido Republicano — que lidera a mansão governamental de forma ininterrupta desde 2011 —, juntando-se aos triunfos conservadores confirmados esta noite na Flórida (Byron Donalds), Carolina do Sul (Alan Wilson) e Arkansas (Sarah Huckabee Sanders).

Democrata J.D. Ford derruba republicana Victoria Spartz no Indiana e protagoniza viragem histórica

O democrata J.D. Ford foi projetado vencedor na corrida à Câmara dos Representantes dos Estados Unidos pelo 5.º distrito congressional do Indiana, derrotando a congressista republicana em exercício Victoria Spartz.

A vitória de Ford representa uma das maiores reviravoltas da noite a nível nacional, ao resgatar para o Partido Democrata um assento que não vencia há décadas e num território onde Donald Trump ganhara por quase 17 pontos percentuais em 2024.

Ford, que já fizera história a nível estadual ao tornar-se o primeiro legislador abertamente gay na Assembleia Geral do Indiana, ascende a Washington como o primeiro membro abertamente homossexual da delegação do estado no Congresso.

A queda de Victoria Spartz põe fim ao percurso de três mandatos consecutivos da congressista de origem ucraniana na câmara baixa federal. Spartz, conhecida pela sua defesa firme do apoio à Ucrânia e por uma relação por vezes conflituosa com a liderança republicana, não resistiu à mobilização suburbana e à dinâmica desfavorável ao Partido Republicano no Midwest.

Com esta viragem no Indiana — que se junta aos ganhos democratas confirmados no Kentucky (KY-6), Colorado (CO-8), Nova Jérsia (NJ-7), Carolina do Norte (NC-11), Pensilvânia (PA-7 e PA-10) e Ohio (OH-15) —, a nova maioria democrata na Câmara dos Representantes alarga ainda mais a sua margem de segurança no arranque da liderança de Hakeem Jeffries.

Sherrod Brown derrota Jon Husted no Ohio num regresso triunfal ao Senado federal

O democrata Sherrod Brown protagonizou um dos regressos políticos mais marcantes da história recente ao ser projetado vencedor na eleição especial para o Senado dos Estados Unidos pelo Ohio, derrotando o senador republicano Jon Husted, segundo as projeções avançadas pela CNN e pela Associated Press.

Brown, que perdera o seu assento em 2024 numa disputa renhida frente a Bernie Moreno, regressa ao Capitólio dois anos depois para preencher a vaga deixada em aberto pela transição de J.D. Vance para a vice-presidência dos EUA. Husted, antigo vice-governador nomeado para a vaga pelo executivo estadual, assumirá funções apenas até dezembro, altura em que Brown tomará posse para completar o restante mandato.

A campanha no Ohio converteu-se num dos maiores campos de batalha orçamentais e estratégicos de todo o ciclo de 2026. Brown ancorou a sua mensagem económica num discurso centrado na dignidade do trabalho e na descida do custo de vida familiar, transformando a proliferação acelerada de megacentros de dados num dos eixos centrais de desgaste sobre o adversário republicano.

O recrutamento de Brown pelo líder democrata Chuck Schumer confirmou-se determinante para transformar um estado recentemente dominado pelos conservadores num dos epicentros da vaga democrata.

Com esta vitória — que se soma aos triunfos na Carolina do Norte (Roy Cooper), na Carolina do Sul (Annie Andrews) e no Texas (James Talarico) —, o Partido Democrata alcança o seu quarto ganho líquido sobre mandatos republicanos e atinge a marca dos 51 senadores, assegurando matematicamente a maioria absoluta na câmara alta e o controlo unificado de ambas as câmaras do Congresso dos Estados Unidos.

Democrata Jeff Merkley reeleito no Oregon para quarto mandato no Senado

O senador democrata Jeff Merkley foi projetado vencedor na eleição para o Senado dos Estados Unidos pelo estado do Oregon, assegurando a reeleição para o seu quarto mandato consecutivo na câmara alta do Congresso, de acordo com as projeções avançadas pela CNN e pela Associated Press.

Merkley superou o republicano David Brock Smith, atual membro do senado estadual do Oregon.

Merkley, que ocupa o assento desde 2009 e lidera a bancada democrata na Comissão de Orçamento do Senado (Senate Budget Committee), destacou-se ao longo da sua carreira parlamentar como uma das figuras mais assertivas da ala progressista em Washington e um adversário frontal das iniciativas políticas de Donald Trump.

O senador ganhou particular notoriedade em outubro de 2025 ao proferir o terceiro discurso mais longo da história do Senado norte-americano, numa maratona na tribuna em protesto contra as diretrizes da administração federal.

A vitória de Merkley mantém o domínio ininterrupto do Partido Democrata nas eleições para o Senado no Oregon — onde os republicanos não elegem um representante desde 2002 —, assegurando a defesa de um assento nuclear para a bancada democrata enquanto prossegue a contagem nos estados decisivos para fechar a maioria na câmara alta.

Democrata Xavier Becerra eleito governador da Califórnia e faz história como primeiro latino no cargo

O democrata Xavier Becerra foi projetado vencedor na eleição para o governo da Califórnia, batendo o candidato republicano, empresário e comentador de comunicação social Steve Hilton, de acordo com as projeções avançadas pela CNN e pela Associated Press.

A vitória assinala um marco inédito no estado mais populoso dos Estados Unidos: Becerra torna-se o primeiro latino eleito governador na história da Califórnia. O antigo congressista federal, Procurador-Geral do estado e secretário da Saúde e Serviços Humanos da administração Biden sucede a Gavin Newsom, impedido de concorrer a novo mandato consecutivo por limite de mandatos.

Becerra superou uma primária disputada e desgastante — marcada pela pesada despesa financeira do multimilionário Tom Steyer e pela quebra da candidatura de Eric Swalwell — graças à sua experiência governativa e imagem de estabilidade. Na campanha geral contra Steve Hilton, cidadão norte-americano naturalizado nascido no Reino Unido, Becerra capitalizou a sólida base progressista californiana e a contestação nacional a Donald Trump, vinculando o adversário à Casa Branca republicana.

A manutenção do executivo de Sacramento garante ao Partido Democrata a preservação do seu maior centro de formulação de políticas progressistas e contraponto regulatório a Washington, somando-se às conquistas estaduais históricas já confirmadas esta noite no Texas (Gina Hinojosa), Ohio (Amy Acton) e Iowa (Rob Sand).

Democrata Gina Hinojosa derrota Greg Abbott no Texas e torna-se a primeira governadora latina do estado

A deputada estadual e advogada democrata Gina Hinojosa foi projetada vencedora na eleição para o governo do Texas, derrotando o governador republicano em exercício Greg Abbott, que procurava garantir um quarto mandato consecutivo, de acordo com as projeções avançadas pela CNN e redes norte-americanas.

Com este resultado, Hinojosa, de 52 anos, atinge múltiplos marcos históricos: torna-se a primeira mulher de origem hispânica a governar o Texas e a primeira democrata a liderar o executivo estadual desde a icónica Ann Richards em 1990 — sendo apenas a terceira mulher a ocupar o gabinete na história do estado.

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A vitória de Hinojosa quebra uma hegemonia conservadora ininterrupta de mais de três décadas na mansão executiva de Austin. A democrata, antiga presidente do conselho escolar de Austin com raízes familiares e infância em Brownsville, no Vale do Rio Grande, capitalizou o descontentamento popular em torno do custo de vida, do impacto financeiro e infraestrutural dos megacentros de dados no estado e do investimento no ensino público primário e secundário.

A reconquista do Vale do Rio Grande foi determinante para travar o crescimento recente dos republicanos junto do eleitorado hispânico e viabilizar um desfecho que, antes da votação, se afigurava quase impensável frente à máquina eleitoral de Abbott.

O triunfo de Gina Hinojosa no governo, a par da vitória de James Talarico no Senado, sela a viragem do Texas nestas eleições intercalares e coroa a vaga democrata no mapa executivo e legislativo dos Estados Unidos.

Terramoto político no Texas com democrata James Talarico a derrotar Ken Paxton na corrida ao Senado

O democrata James Talarico protagonizou a maior reviravolta eleitoral da noite ao ser projetado vencedor na eleição para o Senado dos Estados Unidos pelo estado do Texas, impondo uma derrota expressiva ao Procurador-Geral estadual republicano Ken Paxton, segundo as projeções avançadas pela CNN e redes norte-americanas.

Com apenas 37 anos, Talarico torna-se o primeiro democrata eleito para o Senado federal pelo Texas em 38 anos (desde a reeleição de Lloyd Bentsen em 1988) e o primeiro candidato do partido a vencer qualquer eleição estadual (statewide) no Texas desde 1994. O desfecho contraria com estrondo a vantagem conservadora num estado onde Donald Trump vencera por cerca de 14 pontos percentuais em 2024.

Seminarista presbiteriano e antigo professor do ensino público em Round Rock, Talarico desenhou uma campanha inovadora que colocou os valores de fé cristã progressista no centro da sua retórica e conseguiu mobilizar eleitores suburbanos, independentes e moderados. Por contraste, Paxton — que afastara o veterano John Cornyn nas primárias republicanas — arrastou uma pesada bagagem de escândalos pessoais e judiciais, incluindo o processo de destituição de que foi alvo no parlamento estadual em 2023 e um divórcio litigioso anunciado pela esposa nas semanas finais de campanha.

A queda do Texas soma a terceira viragem líquida (flip) da oposição democrata na câmara alta (juntando-se à Carolina do Norte com Roy Cooper e à Carolina do Sul com Annie Andrews). O resultado deixa os democratas com 50 assentos assegurados e a escassos votos de alcançar os 51 lugares que ditarão a maioria absoluta no Senado.

Democrata Don Leonard 'vira' 15.º distrito do Ohio ao bater republicano Mike Carey

O democrata Don Leonard foi projetado vencedor na eleição para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos pelo 15.º distrito congressional do Ohio, derrotando o congressista republicano em exercício Mike Carey, de acordo com as projeções avançadas pela CNN.

A vitória de Leonard protagoniza uma das maiores reviravoltas da noite no mapa federal, ao conquistar um território reconfigurado no recente processo de redesenho eleitoral e onde Donald Trump tinha vencido por cerca de dez pontos percentuais nas eleições presidenciais de 2024.

Leonard, antigo professor de planeamento na Universidade Estadual do Ohio (Ohio State University), apresentou-se aos eleitores como um democrata focado em "ações concretas" e ancorou a sua campanha na redução do custo de vida e na acessibilidade económica para as famílias da classe trabalhadora. Com essa plataforma, superou Mike Carey, antigo lobista do setor do carvão que ocupava o assento em Washington desde uma eleição especial realizada em 2021.

O triunfo no 15.º círculo do Ohio soma mais um ganho líquido direto para a bancada democrata — juntando-se às viragens já confirmadas no Kentucky (Zach Dembo), Colorado (Manny Rutinel), Nova Jérsia (Rebecca Bennett), Pensilvânia (Bob Brooks e Janelle Stelson) e Carolina do Norte (Jamie Ager) —, consolidando e alargando a margem de maioria absoluta que entregará a liderança da câmara baixa a Hakeem Jeffries.

Democrata Amy Acton vence Vivek Ramaswamy no Ohio e faz história como primeira mulher governadora do estado

A médica e candidata democrata Amy Acton foi projetada vencedora na eleição para o governo do Ohio, batendo o empresário e antigo aspirante presidencial republicano Vivek Ramaswamy, de acordo com as projeções avançadas pela CNN e pela Associated Press.

A vitória de Acton quebra um duplo recorde histórico: torna-se a primeira mulher eleita governadora na história do Ohio e devolve a liderança do executivo estadual ao Partido Democrata pela primeira vez desde 2006, sucedendo ao republicano Mike DeWine.

Amy Acton
Amy ActonWikimedia Commons / CC

A governadora eleita ganhou projeção pública como diretora de Saúde precisamente na administração de DeWine durante os primeiros meses da resposta à pandemia de covid-19.

A disputa no Ohio converteu-se num dos palcos eleitorais mais tensos a nível federal. Apesar de Ramaswamy e os seus comités de apoio terem gasto mais do dobro em publicidade na reta final da campanha, as últimas semanas ficaram marcadas pela controvérsia em torno de um anúncio de ataque pessoal da candidatura republicana que envolvia a mãe biológica de Acton, com quem a democrata estava afastada desde a infância. A peça publicitária gerou críticas públicas generalizadas e desconforto mesmo entre dirigentes do próprio Partido Republicano estadual.

Ao centrar a sua mensagem económica no corte de impostos sobre imóveis para a classe média e seniores e numa moratória a centros de dados até garantia de autossuficiência energética, Acton conseguiu afastar o favoritismo conservador do estado e conquistar mais um governo estadual de primeira linha para os democratas.

Democrata Greg Landsman reeleito no Ohio e supera redesenho eleitoral republicano

O congressista democrata Greg Landsman foi projetado vencedor na corrida à Câmara dos Representantes dos Estados Unidos pelo 1.º distrito congressional do Ohio, derrotando o candidato republicano Eric Conroy, de acordo com as projeções avançadas pela CNN e pela Associated Press.

Landsman, eleito pela primeira vez em 2022 quando retirou o assento ao histórico republicano Steve Chabot, assegura o seu mandato num círculo que foi alvo de recente reorganização de fronteiras com o objetivo de o tornar mais favorável aos conservadores.

Apesar dessa alteração geográfica, o congressista conseguiu consolidar a sua base na área metropolitana de Cincinnati e travar a investida de Conroy. A manutenção do 1.º distrito do Ohio representa uma defesa indispensável para o Partido Democrata no Midwest industrial, somando-se à dinâmica favorável que consolidou a projeção da maioria do partido na câmara baixa.

Republicana Sarah Huckabee Sanders reeleita governadora do Arkansas

A governadora republicana Sarah Huckabee Sanders foi projetada vencedora na eleição para o governo do Arkansas, garantindo a sua recondução para mais quatro anos no cargo, de acordo com as projeções avançadas pela CNN e pela Associated Press.

Sanders, que em 2022 fizera história ao tornar-se a primeira mulher eleita governadora no Arkansas, consolidou a liderança republicana no estado ao superar o candidato democrata Fred Love.

Filha do antigo governador do Arkansas e atual embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, a governadora ganhou projeção nacional como secretária de imprensa da Casa Branca durante o primeiro mandato de Donald Trump, mantendo-se como uma das vozes mais proeminentes da ala conservadora do partido.

A confirmação da sua vitória assegura a retenção de mais um bastião executivo para o Partido Republicano — que lidera o governo do Arkansas de forma contínua há mais de uma década —, juntando-se aos triunfos conservadores já confirmados esta noite na Flórida (Byron Donalds) e na Carolina do Sul (Alan Wilson).

Democrata Janelle Stelson derrota republicano Scott Perry na Pensilvânia e derruba aliado de topo de Donald Trump

A democrata Janelle Stelson foi projetada vencedora na corrida ao 10.º distrito congressional da Pensilvânia, derrotando o congressista republicano Scott Perry e retirando-lhe o assento que ocupava desde 2013, de acordo com as projeções avançadas pela CNN.

A vitória de Stelson, antiga pivô e jornalista da televisão local durante mais de três décadas, concretiza-se numa desforra eleitoral após ter ficado a curta distância de Perry em 2024. A democrata contou com o apoio político e financeiro do governador Josh Shapiro, que fez da conquista deste círculo em torno da capital estadual uma das suas maiores prioridades na Pensilvânia.

A queda de Scott Perry representa um dos golpes mais duros sofridos pela ala conservadora do Partido Republicano esta noite. Perry, antigo presidente do influente House Freedom Caucus, destacou-se como um dos aliados mais leais de Donald Trump em Washington e uma das figuras centrais nas tentativas legislativas de reverter a certificação dos resultados eleitorais presidenciais de 2020.

Com a vitória de Stelson — que se junta ao triunfo de Bob Brooks no 7.º distrito do estado —, os democratas ampliam os ganhos líquidos sobre a bancada republicana e reforçam a liderança que assegura a Hakeem Jeffries o controlo da nova maioria na câmara baixa.

Republicano Tom Cotton reeleito para o Senado pelo Arkansas

O senador republicano Tom Cotton foi projetado vencedor na eleição para o Senado dos Estados Unidos pelo estado do Arkansas, batendo a candidata democrata Hallie Shoffner, segundo as projeções avançadas pela CNN e pelas principais redes norte-americanas.

Cotton, veterano do Exército dos Estados Unidos e atual presidente da Comissão de Informações do Senado (Senate Intelligence Committee), garantiu a sua recondução para um terceiro mandato consecutivo de seis anos em Washington.

A sua adversária, Hallie Shoffner, empresária agrícola que se apresentava a votos pela primeira vez, não conseguiu furar o sólido favoritismo republicano no estado.

Apesar de ter contado com o apoio formal de Donald Trump na corrida, a relação entre ambos conheceu momentos de atrito público recente, motivados por divergências em torno da proposta legislativa para tornar permanente o horário de verão nos Estados Unidos.

A confirmação da reeleição de Cotton consolida mais um assento indispensável para a bancada republicana num dos seus bastiões históricos mais consistentes — onde os democratas não vencem uma eleição para o Senado desde 2008 —, ajudando a estancar as perdas sofridas pelo partido nas duas Carolinas.

Republicano Alan Wilson vence corrida ao governo da Carolina do Sul e sucede a Henry McMaster

O Procurador-Geral da Carolina do Sul, Alan Wilson, foi projetado vencedor na eleição para governador do estado, superando o candidato democrata e congressista estadual Jermaine Johnson, de acordo com as projeções avançadas pelo The Hill.

Wilson, que exercia o cargo de Procurador-Geral desde 2011, assegura a sucessão de Henry McMaster, impedido por limite de mandatos de concorrer a novo mandato consecutivo.

A vitória de Alan Wilson garante a retenção de mais um executivo estadual para o Partido Republicano — mantendo a liderança ininterrupta do partido no governo da Carolina do Sul desde 2003 —, contrariando a viragem registada horas antes na corrida ao Senado federal no mesmo estado e somando mais um governo seguro à contagem republicana.

Democrata Rob Sand conquista governo do Iowa e quebra jejum de duas décadas do partido no Midwest

O democrata Rob Sand foi projetado vencedor na corrida ao governo do Iowa, segundo as projeções dos media americanos, consumando uma viragem histórica num estado que se tinha consolidado como um reduto conservador nas últimas eleições federais e estaduais.

Sand, que exercia funções como auditor de estado, derrotou o candidato republicano Zach Lahn numa disputa para preencher a vaga deixada pela governadora republicana Kim Reynolds, que optou por não se recandidatar a um terceiro mandato.

O triunfo representa a primeira vitória do Partido Democrata para o governo estadual do Iowa em duas décadas — desde a eleição de Chet Culver em 2006.

Conhecido pelo seu perfil abertamente moderado e independente, Sand fez campanha afastando-se das linhas mais partidárias de Washington e apelando a consensos no eleitorado rural, contrariando o ciclo conservador recente no estado e somando mais uma viragem de grande relevo para os democratas nos governos estaduais.

Republicano Barry Moore vence corrida ao Senado no Alabama

O congressista republicano Barry Moore será o vencedor na eleição para o Senado dos Estados Unidos pelo estado do Alabama, derrotando o advogado e candidato democrata Everett Wess, de acordo com as projeções avançadas pelas cadeias de televisão norte-americanas.

Moore, membro da bancada conservadora da Câmara dos Representantes (House Freedom Caucus) onde representava o 1.º distrito do estado, assegura a transição para a câmara alta do Congresso.

O republicano assume o lugar que pertencia a Tommy Tuberville, que optou por não concorrer à reeleição ao Senado para disputar o governo estadual.

A vitória de Moore mantém intacto um dos redutos mais impenetráveis do Partido Republicano no Sul profundo — onde os democratas não vencem uma eleição regular para o Senado há mais de três décadas —, assegurando mais um mandato crucial para a contagem conservadora no combate pela retenção da câmara alta.

Maioria democrata na Câmara dos Representantes garantida. Hakeem Jeffries a caminho de ser o primeiro Speaker negro da história

Cadeias de televisão CNN e CBS projetaram já que o Partido Democrata conquistou a maioria dos assentos na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos nas eleições intercalares, recuperando o controlo do hemiciclo federal e ditando uma mudança sísmica no equilíbrio de poderes em Washington.

Com esta projeção, o atual líder da bancada democrata, Hakeem Jeffries, congressista eleito por Nova Iorque, está posicionado para ser eleito presidente da Câmara dos Representantes (Speaker of the House) no arranque da nova legislatura em janeiro, tornando-se o primeiro afro-americano a assumir a liderança da câmara baixa e o segundo na linha de sucessão presidencial.

Hakeem Jeffries
Hakeem JeffriesWikimedia Commons / CC

A confirmação da maioria de pelo menos 218 mandatos consuma-se após uma sucessão ininterrupta de viragens eleitorais (flips) sobre círculos conservadores na Carolina do Norte (Jamie Ager), no Kentucky (Zach Dembo), no Colorado (Manny Rutinel), em Nova Jérsia (Rebecca Bennett) e na Pensilvânia (Bob Brooks e Paige Cognetti), neutralizando em definitivo a curta margem de partida que os republicanos mantinham na câmara baixa.

A reconquista da Câmara dos Representantes pelos democratas ergue um muro legislativo contra a agenda da administração federal, conferindo à oposição democrata o poder exclusivo de iniciativa orçamental, o controlo das comissões parlamentares de inquérito e a capacidade de travar nomeações e iniciativas políticas no Congresso.

Terramoto político na Carolina do Sul. Democrata Annie Andrews vira assento no Senado

Numa das reviravoltas mais inesperadas destas eleições intercalares, a candidata democrata Annie Andrews foi projetada vencedora na corrida ao Senado pelo estado da Carolina do Sul, de acordo com as projeções avançadas pela NBC News. Andrews derrotou a candidata republicana Darline Graham, que procurava manter a cadeira sob controlo conservador.

A vitória de Andrews quebra um jejum histórico de quase três décadas para o Partido Democrata na Carolina do Sul — estado onde os democratas não venciam uma corrida ao Senado desde a reeleição de Fritz Hollings em 1998.

Annie Andrews
Annie AndrewsWikimedia Commons / CC


Com esta conquista histórica — que se junta à viragem de Roy Cooper na vizinha Carolina do Norte —, os democratas somam o seu segundo ganho líquido (flip) no Senado.

O desfecho baralha por completo os cálculos da maioria na câmara alta, aproximando o Partido Democrata de resgatar o controlo do Senado e consolidando a força da vaga de contestação nacional no Sul do país.

Wall Street reage em baixa ao avanço democrata e perspetiva de "vaga azul" agita mercados de futuros

Os primeiros resultados e projeções das eleições intercalares norte-americanas estão já a provocar ondas de choque nos mercados financeiros de Wall Street, com as praças de futuros a registarem perdas expressivas face ao cenário de uma "onda azul" (democrata) a tomar conta de Washington.

Os futuros do índice tecnológico Nasdaq 100 chegaram a cair 1,8%, enquanto os do S&P 500 cederam cerca de 0,9%, refletindo o nervosismo dos investidores institucionais perante a confirmação de vitórias determinantes da oposição democrata na Carolina do Norte, Geórgia, Nova Jérsia, Pensilvânia e Colorado.

A reação negativa dos mercados centra-se, em larga medida, nas implicações legislativas e regulatórias de um Congresso dividido ou inteiramente recuperado pelo Partido Democrata.

Os investidores receiam uma pressão regulatória sobre a Inteligência Artificial e Big Tech. As tecnológicas lideraram os ganhos nos mercados ao longo do último ano, mas uma maioria democrata na Câmara dos Representantes e eventuais avanços no Senado colocam em mira uma supervisão muito mais apertada sobre modelos de IA de fronteira, consumo energético de centros de dados, privacidade e regras anticoncorrenciais.

Há receios sobre o que possa acontecer na política orçamental e defesa. O controlo democrata do poder de aprovação do orçamento (power of the purse) promete travar a flexibilização fiscal, limitar novos incentivos fiscais a grandes corporações e impor um escrutínio rigoroso às despesas de defesa e às dotações federais para operações militares externas.

Existe ainda a questão de maior intervenção política sobre a supervisão do setor financeiro. A transição das presidências das comissões parlamentares para mãos democratas reabrirá investigações e exigirá regras de conformidade mais estritas para fundos de investimento, ativos digitais e grandes instituições bancárias.

Os operadores de mercado admitem que o aumento da volatilidade dos ativos continuará nas próximas horas até se conhecerem os resultados definitivos nos estados do Oeste e a definição final da maioria na câmara alta.

Vaga democrata acelera no Leste com derrotas de congressistas republicanos em Nova Jérsia e na Pensilvânia

O Partido Democrata conquistou mais duas vitórias decisivas na Costa Leste ao derrotar dois congressistas republicanos em funções, acelerando a contagem de ganhos líquidos (lugares que 'viraram') e colocando a reconquista da maioria na Câmara dos Representantes dos EUA praticamente ao alcance.

Na Nova Jérsia, no 7.º Distrito, a democrata Rebecca Bennett venceu no 7.º distrito congressional de Nova Jérsia, segundo as projeções da NBC News. Bennett, antiga piloto de helicópteros da Marinha dos EUA, derrotou o congressista republicano Tom Kean Jr., que cumpria o seu segundo mandato, resgatando um assento suburbano altamente disputado para a bancada democrata.

Na Pensilvânia, 7.º Distrito, no muito disputado vale de Lehigh, o democrata Bob Brooks — líder sindical dos bombeiros profissionais do estado com forte apoio do governador Josh Shapiro — foi projetado vencedor pela publicação The Hill. Brooks superou o republicano em exercício Ryan Mackenzie, devolvendo o círculo à representação democrata após a curta passagem de Mackenzie por Washington.

Com as quedas de Kean Jr. e Mackenzie, os democratas elevam para cinco os ganhos líquidos diretos sobre cadeiras republicanas na Câmara (juntando estes desfechos aos triunfos no 11.º da Carolina do Norte, no 6.º do Kentucky e no 8.º do Colorado).

Como o Partido Republicano iniciou a noite com uma margem mínima de apenas quatro mandatos sobre a oposição, a soma destas cinco viragens sem contrapartida republicana coloca os democratas formalmente no limiar dos 218 lugares necessários para retomar a presidência da câmara baixa e o controlo da agenda legislativa federal.

Republicano Bill Hagerty reeleito para o Senado pelo Tennessee

O senador republicano Bill Hagerty foi projetado vencedor na eleição para o Senado dos Estados Unidos pelo estado do Tennessee, garantindo a sua reeleição e a permanência na câmara alta do Congresso por mais seis anos. Hagerty derrotou a candidata democrata e ativista Marquita Bradshaw, reeditando o confronto eleitoral de 2020 com o mesmo desfecho favorável aos conservadores.

Eleito pela primeira vez em 2020 após ter servido como embaixador dos Estados Unidos no Japão, Hagerty consolidou o seu perfil como uma das vozes mais influentes da bancada republicana em matérias de política económica e relações externas.

A confirmação da sua vitória traduz um resultado amplamente expectável num dos bastiões mais fiéis do Partido Republicano — onde os democratas não vencem uma eleição para o Senado há mais de três décadas.

Democratas 'viram' distritos no Kentucky e no Colorado e aproximam-se da reconquista da Câmara dos Representantes

O Partido Democrata acelerou a sua vaga de ganhos líquidos (flips) na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos ao arrebatar dois assentos anteriormente sob domínio republicano no Kentucky e no Colorado.

No Kentucky, no 6.º Distrito, Zach Dembo protagonizou uma das maiores surpresas eleitorais da madrugada ao bater o candidato republicano Ralph Alvarado no 6.º círculo congressional do Kentucky, conquistando para a oposição um assento republicano num estado com profundo pendor conservador.

No Colorado, no 8.º Distrito, No democrata Manny Rutinel venceu uma disputa altamente competitiva, derrotando o congressista republicano em exercício Gabe Evans e resgatando a representação do círculo para os democratas.

Com estes dois novos ganhos (que se juntam à viragem do 11.º distrito da Carolina do Norte por Jamie Ager e à resistência vitoriosa em círculos reconfigurados da Flórida), a oposição democrata reforça a sua posição na disputa pela maioria absoluta de 218 assentos no hemiciclo federal.

A esta hora, ainda não é matematicamente definitivo que consiga obtê-la, mas a tendência está praticamente consolidada a favor dos democratas.

Isto porque os republicanos detinham uma maioria tangencial de 218 contra 214 (com um independente alinhado e duas vagas). Para anular essa margem e alcançar os 218 lugares, os democratas precisavam de um ganho líquido de apenas quatro a cinco assentos.

Com as viragens confirmadas no 11.º da Carolina do Norte, no 6.º do Kentucky e no 8.º do Colorado, os democratas já somam pelo menos três ganhos líquidos diretos sobre mandatos republicanos, sem terem concedido qualquer assento até ao momento.

Republicano Kevin Hern vence corrida ao Senado no Oklahoma

O congressista republicano Kevin Hern foi projetado vencedor na eleição para o Senado dos Estados Unidos pelo estado do Oklahoma, derrotando a candidata democrata N’Kiyla Thomas, segundo as projeções avançadas pelas redes de televisão norte-americanas e pela Associated Press.

Hern, que representava o 1.º distrito congressional do Oklahoma na Câmara dos Representantes desde 2018, garante a transição para o Senado numa corrida desencadeada após a saída de Markwayne Mullin para a administração federal.

A vitória mantém intacto o domínio conservador no Oklahoma — onde o Partido Democrata não elege um senador desde 1990 —, somando mais um assento seguro para a bancada do Partido Republicano na câmara alta enquanto se aguarda o desfecho das contagens decisivas no Midwest e no Oeste.

Keisha Lance Bottoms faz história ao tornar-se a primeira mulher negra eleita governadora nos Estados Unidos

A democrata Keisha Lance Bottoms alcançou um marco histórico na política norte-americana ao ser projetada vencedora na corrida ao governo da Geórgia, segundo as projeções avançadas pela NBC News. Com esta vitória, Bottoms torna-se a primeira mulher negra a ser eleita governadora na história dos Estados Unidos.

A conquista surge num estado com elevado simbolismo na luta pelos direitos civis, onde nenhuma mulher negra tinha conseguido quebrar o chamado "teto de vidro" dos governos estaduais em mais de dois séculos de história da União.

Keisha Lance Bottoms
Keisha Lance BottomsWikicommons / CC

Ao bater o empresário republicano Rick Jackson, a antiga autarca de Atlanta não só quebrou esse recorde nacional como protagonizou uma das maiores viragens políticas da noite, devolvendo aos democratas o comando da Geórgia após 23 anos ininterruptos de administração republicana.

O desfecho consolida a afirmação da liderança afro-americana no Partido Democrata e coroa uma campanha em que a mobilização das minorias e dos subúrbios metropolitanos de Atlanta foi decisiva para travar o favoritismo republicano no Sul.

Republicano Byron Donalds vence na Flórida. Sucessor de Ron DeSantis é o primeiro negro a governar o estado

O congressista republicano Byron Donalds foi projetado vencedor na eleição para o governo da Flórida, derrotando o antigo congressista independente apoiado por democratas David Jolly, segundo as projeções da cadeia de televisão NBC News. Com 96% dos votos apurados, Donalds lidera com 49,9% dos votos contra 48,8% de Jolly.

Ao vencer a corrida, Byron Donalds atinge um marco histórico ao tornar-se o primeiro governador negro da Flórida. Sucede formalmente a Ron DeSantis, que se encontrava impedido por limite de mandatos de concorrer a nova reeleição.

Apesar de assegurar a continuidade do poder republicano em Tallahassee — onde o partido governa consecutivamente desde 1999 —, o escrutínio revelou uma disputa consideravelmente mais apertada do que nos ciclos anteriores. A margem de cerca de 1,1 pontos percentuais registada por Donalds contrasta de forma vincada com o triunfo esmagador de DeSantis em 2022, que vencera por quase 20 pontos de vantagem, confirmando a tendência geral da noite de maior competitividade e recuperação democrata em terrenos tradicionalmente conservadores.

Democratas ganham embalagem na noite eleitoral com viragens históricas e defesa sólida de redutos

Com o apuramento a avançar nos estados do Leste e do Centro dos Estados Unidos, o Partido Democrata vai desenhando uma vantagem clara na noite eleitoral, acumulando triunfos decisivos nas três frentes em disputa.

No Senado, os democratas asseguraram a primeira grande viragem da noite com a vitória de Roy Cooper na Carolina do Norte, roubando um assento republicano e ficando a três mandatos de resgatar a maioria absoluta na câmara alta. Mantiveram ainda todos os assentos vulneráveis sob ataque, com vitórias cruciais na Geórgia (Jon Ossoff), Novo México e Colorado.

Nos governos estaduais o maior abalo político da madrugada deu-se na Geórgia, onde Keisha Lance Bottoms foi eleita governadora, pondo fim a mais de duas décadas de liderança republicana. A vitória junta-se à reeleição de Kathy Hochul em Nova Iorque e a sucessões garantidas no Colorado, Connecticut e Pensilvânia.

Resistência na Câmara dos Representantes. Além de virarem o 11.º distrito da Carolina do Norte com Jamie Ager, os democratas travaram o impacto do redesenho partidário na Flórida, segurando três círculos altamente disputados com Kathy Castor, Jared Moskowitz e Pia Dandiya.

Apesar de o controlo final do Congresso ainda depender do apuramento nos estados industriais do Midwest e da contagem na Costa Oeste, o padrão da noite consolida uma onda de contestação à administração federal e coloca os democratas numa trajetória ascendente nas contas de Washington.

Democratas fazem o pleno no Colorado com reeleição de John Hickenlooper ao Senado e vitória de Phil Weiser para governador

O Partido Democrata assegurou duas vitórias decisivas no estado do Colorado, segurando a representação no Senado dos Estados Unidos e mantendo o controlo do governo estadual.

John Hickenlooper foi reeleito para o Senado. O senador democrata John Hickenlooper foi projetado vencedor na corrida à câmara alta, superando o senador estadual republicano Mark Baisley.

Hickenlooper, que governou o Colorado entre 2011 e 2019 antes de chegar ao Senado federal em 2021, garante o seu segundo mandato em Washington e confirma mais uma defesa obrigatória de assento para a bancada democrata.

Phil Weiser foi eleito governador. Na corrida à liderança do executivo estadual, o atual Procurador-Geral do Colorado foi eleito governador. Weiser assegura a sucessão do democrata Jared Polis — impedido de concorrer a novo mandato consecutivo por limite legal —, garantindo a continuidade de um executivo democrata no estado, onde o partido lidera ininterruptamente desde 2007.

Os dois triunfos consolidam a inclinação progressista do Colorado em eleições federais e estaduais, garantindo aos democratas a manutenção de um reduto chave na região das Montanhas Rochosas enquanto decorre a contagem dos votos nos estados mais competitivos do Oeste.

Democratas conquistam governo da Geórgia com Keisha Lance Bottoms e seguram Connecticut

O Partido Democrata somou mais dois triunfos de peso nas corridas estaduais da noite eleitoral, destacando-se uma das maiores vitórias da madrugada com a conquista do governo da Geórgia.

Na Geórgia deu-se uma viragem histórica com Keisha Lance Bottoms. A antiga presidente da câmara de Atlantafoi projetada vencedora na corrida a governador da Geórgia, derrotando o candidato republicano e empresário Rick Jackson.

O desfecho marca uma mudança de enorme impacto político nacional: os democratas recuperam o executivo da Geórgia pela primeira vez desde 2003, sucedendo ao republicano Brian Kemp e quebrando mais de duas décadas de domínio conservador na mansão do governador em Atlanta.

No Connecticut, Ned Lamont foi reeleito. No Nordeste, o governador em funções confirmou o favoritismo e derrotou o senador estadual republicano Ryan Fazio, assegurando o seu terceiro mandato consecutivo e preservando a liderança democrata em Hartford.

Com a histórica conquista da Geórgia e a manutenção de Connecticut, o Partido Democrata alarga a sua série vitoriosa nos governos estaduais esta noite, juntando estes resultados às decisões já confirmadas em Nova Iorque (Kathy Hochul), Pensilvânia (Josh Shapiro), Maryland (Wes Moore), Massachusetts (Maura Healey) e Rhode Island (Helena Foulkes).

Republicana Harriet Hageman vence corrida ao Senado no Wyoming

A congressista republicana Harriet Hageman foi projetada vencedora na corrida ao Senado pelo estado do Wyoming, derrotando o candidato democrata James Byrd, segundo as projeções avançadas pelas cadeias de televisão norte-americanas e pela Associated Press.

Hageman, que representava o distrito único do Wyoming na Câmara dos Representantes dos EUA desde 2023 após derrotar Liz Cheney, faz agora a transição para a câmara alta do Congresso.

A republicana assume o lugar deixado vago pela senadora Cynthia Lummis, que optou por não se recandidatar. Com este desfecho, o Partido Republicano mantém intacto um dos seus bastiões mais sólidos a nível nacional — onde os democratas não vencem uma corrida ao Senado desde 1970 —, garantindo a retenção de mais uma cadeira na bancada conservadora.

Democrata Kathy Hochul reeleita governadora de Nova Iorque

A governadora democrata Kathy Hochul foi projetada vencedora na corrida ao governo do estado de Nova Iorque, assegurando mais quatro anos no cargo após bater o candidato republicano Bruce Blakeman, executivo do condado de Nassau, de acordo com as projeções avançadas pelas principais cadeias de televisão norte-americanas e pela Associated Press.

A vitória de Hochul mantém a liderança democrata no executivo de Albany, onde o partido governa consecutivamente há quase duas décadas — os republicanos não vencem uma eleição estadual em Nova Iorque desde a reeleição de George Pataki em 2002.

A reeleição consolida a posição de Hochul e junta Nova Iorque ao conjunto de vitórias estaduais já confirmadas pelo Partido Democrata esta noite, ao lado de Josh Shapiro (Pensilvânia), Wes Moore (Maryland), Maura Healey (Massachusetts) e Helena Foulkes (Rhode Island).

Democrata Ben Ray Luján reeleito para o Senado pelo Novo México

O senador democrata Ben Ray Luján foi projetado vencedor na corrida ao Senado pelo estado do Novo México, garantindo um segundo mandato de seis anos em Washington, segundo as projeções avançadas pelas cadeias de televisão norte-americanas e pela Associated Press.

Luján superou o candidato republicano Larry Marker, confirmando o estatuto de reduto democrata do estado — onde o Partido Republicano não vence uma corrida ao Senado desde 2002. Com este resultado, a oposição democrata mantém mais um assento obrigatório nas suas contas da noite eleitoral, somando a vitória no Sudoeste às reeleições já confirmadas na Costa Leste e no Midwest.

Democrata Helena Foulkes eleita governadora de Rhode Island

A candidata democrata Helena Foulkes foi projetada vencedora na corrida a governador de Rhode Island, de acordo com as projeções da NBC.

Foulkes superou o candidato independente Ken Block e o republicano Aaron Guckian, garantindo a continuidade da liderança democrata no executivo estadual após ter derrotado o atual governador Dan McKee nas eleições primárias do partido.

Com este triunfo, os democratas somam mais um executivo estadual na Costa Leste, juntando Rhode Island às reeleições já confirmadas de Josh Shapiro (Pensilvânia), Wes Moore (Maryland) e Maura Healey (Massachusetts).

Roy Cooper discursa após viragem histórica no Senado. Denuncia "caos e corrupção" em Washington

O democrata Roy Cooper subiu ao palco para o discurso de vitória após ter sido projetado vencedor da corrida ao Senado pela Carolina do Norte, protagonizando a primeira viragem de assento da noite eleitoral a favor da oposição. Perante centenas de apoiantes e voluntários, Cooper agradeceu a mobilização que permitiu "devolver este lugar no Senado ao povo da Carolina do Norte".

Num discurso centrado nas dificuldades económicas das famílias trabalhadoras, o novo senador vincou o distanciamento entre as elites políticas e a realidade do eleitorado: "Sabíamos que, para demasiadas pessoas na Carolina do Norte, a classe média parecia um sonho distante. Sabíamos que os círculos de Washington DC e os americanos mais ricos acumulavam uma riqueza inimaginável à nossa custa. Sabíamos que o caos e a corrupção em Washington estavam a prejudicar a nossa população. Hoje, vocês disseram que isto tem de parar."

Cooper sublinhou ainda que a prioridade dos representantes eleitos terá de ser travar a perda de poder de compra e o "sofrimento nas bombas de combustível", aludindo à subida acentuada dos preços da energia que marcou os debates da campanha e alimentou o descontentamento popular face à inflação no país.

Republicana Shelley Moore Capito reeleita para o Senado pela Virgínia Ocidental

A senadora republicana Shelley Moore Capito foi projetada vencedora na corrida ao Senado pelo estado da Virgínia Ocidental, mantendo o assento sob o controlo do Partido Republicano nas eleições intercalares.

A confirmação da reeleição de Capito representa um resultado esperado num dos redutos mais conservadores dos Estados Unidos, garantindo mais um assento na bancada do Partido Republicano na câmara alta do Congresso e mantendo a disputa pela maioria em aberto após a viragem democrata registada na Carolina do Norte.

Democratas viram 11.º distrito da Carolina do Norte e conquistam assento republicano na Câmara

O candidato democrata James «Jamie» Ager venceu a corrida eleitoral no 11.º distrito da Carolina do Norte para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, superando a rival republicana Jennifer Capps Balkcom.

A vitória representa uma viragem de cor partidária: o assento, anteriormente em mãos republicanas, passa agora para o controlo do Partido Democrata. O ganho líquido na Carolina do Norte reforça a contagem da oposição na tentativa de anular a curta vantagem republicana e assegurar os 218 lugares necessários para a maioria absoluta em Washington.

Chris Rabb eleito na Pensilvânia e dá primeira vitória da noite aos Socialistas Democráticos

O democrata Chris Rabb foi projetado vencedor no 3.º distrito congressional da Pensilvânia, segundo as projeções divulgadas pela CNN. A vitória representa o primeiro triunfo da noite eleitoral para os Socialistas Democráticos da América (DSA), organização que apoiou formalmente a candidatura de Rabb e que integra a corrente mais à esquerda do Partido Democrata, sucedendo ao anterior titular numa circunscrição considerada um dos maiores bastiões democratas do estado.

A entrada de Rabb no Congresso reforça o peso da ala mais à esquerda da bancada democrata em Washington, alinhando-se com figuras como Alexandria Ocasio-Cortez e os membros do grupo informal The Squad.

Balanço do Senado a esta hora: democratas conquistam primeira viragem na Carolina do Norte e republicanos respondem na Flórida

A corrida pelo controlo do Senado dos Estados Unidos entrou na fase de maior intensidade com o fecho das assembleias de voto em mais de vinte estados e a confirmação das primeiras dez decisões da noite. O equilíbrio de forças na câmara alta começou a mexer-se em terreno favorável aos democratas, que conquistaram a primeira grande viragem partidária da madrugada, enquanto os republicanos conseguiram conter perdas no sul do país.

O Partido Democrata somou um ponto crítico com a vitória projetada de Roy Cooper na Carolina do Norte, resgatando um assento que estava nas mãos dos republicanos.

Paralelamente, o partido confirmou a defesa bem-sucedida de todos os seus assentos atribuídos até ao momento: segurou a corrida renhida de Jon Ossoff na Geórgia e confirmou vitórias esperadas na Virgínia (Mark Warner), Rhode Island (Jack Reed), Massachusetts (Ed Markey), Illinois (Dick Durbin) e Delaware (Chris Coons).

O Partido Republicano, por sua vez, respondeu com a retenção do assento especial da Flórida, onde a senadora Ashley Moody derrotou a oposição. A manutenção deste mandato era considerada prioritária pela liderança republicana para evitar um colapso precoce da sua vantagem de partida e garantir um patamar seguro na defesa da maioria.

Para reconquistar o controlo do Senado — onde o vice-presidente JD Vance dispõe de voto de desempate —, os democratas necessitam de alcançar os 51 lugares. Com a vitória na Carolina do Norte, o partido cumpriu o primeiro dos quatro ganhos líquidos necessários na noite.

O destino final da câmara alta depende agora das apurações em curso nos grandes campos de batalha industriais e do centro do país: a disputa especial no Ohio (Jon Husted contra Sherrod Brown), a defesa republicana no Maine (Susan Collins frente a Troy Jackson), e as contagens no Michigan e no Texas, onde qualquer oscilação ditará se o executivo de Donald Trump mantém caminho livre no Congresso ou enfrentará o bloqueio legislativo da oposição.

Republicana Ashley Moody segura assento no Senado pela Flórida em eleição especial

A senadora republicana Ashley Moody foi projetada vencedora na eleição especial para o Senado pelo estado da Flórida, segurando um assento crucial para o Partido Republicano nas contas pelo controlo da câmara alta do Congresso norte-americano.

Moody, que exercia o cargo de Procuradora-Geral da Flórida, tinha sido nomeada pelo governador Ron DeSantis em janeiro de 2025 para ocupar interinamente a vaga deixada por Marco Rubio, após a sua transição para a administração de Donald Trump como Secretário de Estado. Ao derrotar a candidata democrata Angie Nixon, Moody garante a permanência no cargo até ao final do mandato original, em janeiro de 2029.

A vitória republicana na Flórida confirma a tendência conservadora do estado nos últimos anos e estanca a tentativa dos democratas de somarem mais um assento, depois da vitória conquistada horas antes por Roy Cooper na Carolina do Norte.

Democrata Roy Cooper vence na Carolina do Norte. É a primeira grande viragem da noite no Senado

O democrata Roy Cooper foi projetado vencedor na corrida ao Senado pelo estado da Carolina do Norte, derrotando o candidato republicano Michael Whatley, segundo as projeções da cadeia de televisão NBC News.

O triunfo assinala a primeira vez na noite em que um assento no Senado muda de cor partidária, desferindo um golpe direto nas aspirações conservadoras de preservar o controlo da câmara alta do Congresso.

O resultado tem um impacto estrutural nas contas de Washington. Para alcançar a maioria de 51 assentos no Senado (composto por 100 lugares), o Partido Democrata entrou na noite eleitoral obrigado a defender todos os mandatos em seu poder e a somar um ganho líquido de quatro assentos entre os 35 que foram a votos.

Com a vitória de Cooper na Carolina do Norte, a oposição cumpre o primeiro quarto desse objetivo.

A eventual perda da maioria republicana no Senado ameaça condicionar severamente o resto do mandato e o legado político de Donald Trump. Um Senado sob controlo democrata criaria barreiras intransponíveis à aprovação de diplomas do executivo, congelaria nomeações judiciais e ministeriais e devolveria à oposição comissões parlamentares com poder para abrir inquéritos formais à administração federal.

Democratas conquistam três vitórias cruciais para a Câmara na Flórida contra novo mapa eleitoral

O Partido Democrata conquistou três vitórias de grande peso na Flórida na batalha pelo controlo da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Os triunfos assumem particular relevo político por terem sido alcançados em círculos cujo desenho eleitoral tinha sido alterado para favorecer o Partido Republicano:

Kathy Castor reeleita no 14.º distrito. Segundo as projeções da CNN, a congressista veterana Kathy Castor garantiu o seu 11.º mandato consecutivo. Apesar da reformulação do mapa para criar vantagens conservadoras, Castor travou a eleição do republicano Mike Beltran, que contava com o apoio formal de Donald Trump.

Jared Moskowitz segurou o 25.º distrito. O congressista democrata garantiu a reeleição ao derrotar o republicano Scott Singer, atual presidente da câmara de Boca Raton. Isto apesar das novas fronteiras distritais desenhadas para beneficiar os conservadores.

Pia Dandiya venceu no 22.º distrito. De acordo com as projeções da CNN, a antiga diretora escolar e estreante política Pia Dandiya foi eleita congressista pelo recém-reconfigurado 22.º distrito. Dandiya bateu o empresário republicano Casey Askar numa das disputas mais competitivas do estado, garantindo uma nova representante democrata no Congresso.

Ao contrariarem o impacto previsto do redesenho eleitoral na Flórida, estas duas vitórias reforçam as contas da bancada democrata na tentativa de recuperar a maioria absoluta dos 435 lugares da Câmara Baixa do Congresso.

Democratas seguram governos estaduais com reeleições na Pensilvânia, Maryland e Massachusetts

A par da batalha pelo Congresso, a noite eleitoral trouxe as primeiras grandes decisões nas corridas a governador, com o Partido Democrata a assegurar a continuidade no poder em três estados do Leste.

Na Pensilvânia, Josh Shapiro foi reeleito. Segundo as projeções da NBC News, o governador garantiu um segundo mandato consecutivo, derrotando a candidata republicana e tesoureira estadual Stacy Garrity. A vitória de Shapiro num dos swing states mais cobiçados do país consolida a sua liderança e reforça o seu peso político no mapa nacional.

No Maryland, Wes Moore renova mandato. Num estado de tradição marcadamente democrata, o governador Wes Moore assegurou a reeleição para um segundo mandato de quatro anos, de acordo com as projeções da CNN.

No Massachusetts, Maura Healey bate Michael Minogue. Sem surpresas, a governadora foi reconduzida no cargo, travando o desafio apresentado pelo empresário republicano Michael Minogue e mantendo o estado firmemente sob comando democrata.

Urnas fecham em mais de 20 estados e democratas seguram bastiões tradicionais no Senado

A maior vaga da noite na contagem de votos das eleições intercalares norte-americanas arrancou à 01h00 (hora de Lisboa), com o encerramento das assembleias de voto em 20 estados. Entre eles contam-se os estados cruciais da Pensilvânia e do Michigan, além de grandes circunscrições eleitorais como o Texas.

Logo após o fecho das urnas, as primeiras projeções avançadas pela NBC confirmaram a reeleição esperada dos senadores democratas nos seus bastiões tradicionais do Nordeste e do Midwest: Rhode Island (Jack Reed), Massachusetts (Ed Markey), Illinois (Dick Durbin) e Delaware (Chris Coons).

As decisões imediatas nestes quatro estados mantêm intacta a bancada de partida do Partido Democrata no Senado, enquanto a atenção dos analistas se volta para a contagem nos distritos suburbanos e zonas industriais da Pensilvânia e Michigan, vitais para definir o controlo da Câmara dos Representantes.

Trump assiste à noite eleitoral na Casa Branca e já proclamou "Semana Anticomunista"

O Presidente norte-americano, que segue a noite eleitoral na Casa Branca, com conselheiros e aliados, passou as últimas horas da votação a apelar nas redes sociais ao voto nos candidatos republicanos e a proclamar uma "Semana Anticomunista". 

Enquanto decorria a votação, Donald Trump fez apelos ao voto em candidatos como Barry Moore (Senado pela Geórgia), Dan S. Sullivan (Senado pelo Alasca) e Andy Biggs (Senado pelo Arizona) — pelos quais fez comícios, de um total de 28 que realizou na campanha para as eleições intercalares de terça-feira.

Poucos minutos antes do encerramento dos primeiros locais de voto no Kentucky e no Indiana, a Casa Branca divulgou uma proclamação de Trump, da “Semana Anticomunista”, de 01 a 07 de novembro. 

“Faço um apelo a todos os americanos para que se mantenham firmes na sua defesa contra qualquer ameaça ao estilo de vida americano e para que protejam das trevas do comunismo a nossa chama ardente de liberdade”, refere a proclamação.

De acordo com a proclamação, o objetivo desta semana é "homenagear as vítimas do socialismo e do comunismo, recordando as suas vidas e defendendo as liberdades que lhes foram negadas".

Durante a campanha eleitoral, o Presidente recorreu ao discurso sobre uma alegada ameaça comunista para convocar a mobilização das bases republicanas em todo o país. Lusa

O presidente Trump ficou a ver a noite eleitoral na Casa Branca.
O presidente Trump ficou a ver a noite eleitoral na Casa Branca.EPA/SHAWN THEW

Democrata Jon Ossoff reeleito na Geórgia - primeiro grande teste em estado oscilante

O senador democrata Jon Ossoff foi projetado vencedor na corrida ao Senado pelo estado da Geórgia, segundo as projeções da cadeia norte-americana NBC.

Esta vitória é o primeiro resultado confirmado num battleground state (estado oscilante) nestas eleições intercalares, fornecendo um sinal de relevo na batalha pelo controlo político de Washington e pelo legado da presidência de Donald Trump.

A manutenção deste assento era obrigatória para as aspirações do Partido Democrata. Para conseguir recuperar a maioria de 51 lugares no Senado (composto por 100 mandatos), os democratas precisam de defender com sucesso todos os seus assentos em disputa e conquistar um ganho líquido de quatro lugares adicionais entre os 35 que vão a votos esta noite.

O principal adversário de Jon Ossoff na corrida ao Senado pela Geórgia foi o congressista republicano Mike Collins, empresário que teve apoio declarado do presidente Donald Trump.

Festa na sede de campanha de Jon Ossoff.
Festa na sede de campanha de Jon Ossoff.CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH / EPA

Atenções viram-se para o Ohio e Carolina do Norte após primeira projeção na Virgínia

Com o encerramento gradual das primeiras assembleias de voto na Costa Leste, as atenções da noite eleitoral norte-americana concentram-se no Ohio e na Carolina do Norte, dois estados determinantes para o equilíbrio de forças em Washington.

No Ohio a batalha é pelo Senado. Visto como um swing state que votou em Donald Trump em 2024, o estado enfrenta agora disputas apertadas. O confronto direto entre o senador republicano Jon Husted e o democrata Sherrod Brown apresenta-se taco a taco e é apontado como crucial para decidir qual dos partidos garantirá a liderança da câmara alta.

Na Carolina do Norte a balança faz-se na Câmara dos Representantes. O estado concentra múltiplos distritos sem favorito declarado (é um toss-up), cujos desfechos locais poderão definir a curto prazo o controlo da maioria parlamentar na Câmara Baixa.

Democrata Mark Warner reeleito para o Senado pela Virgínia no primeiro resultado para a câmara alta

O senador democrata Mark Warner foi projetado vencedor na corrida ao Senado pelo estado da Virgínia, assegurando um novo mandato de seis anos em Washington, segundo as projeções divulgadas pela NBC News e pela Associated Press.

Warner superou o candidato republicano Bert Mizusawa, um major-general reformado do Exército.

A vitória de Warner marca o primeiro resultado oficial da noite eleitoral para o Senado dos Estados Unidos. O desfecho na Virgínia confirma o favoritismo democrata no estado e constitui o pontapé de saída no apuramento das disputas que vão definir o controlo da câmara alta do Congresso para os próximos dois anos.

Momento de tensão. Candidato democrata no Michigan Abdul El-Sayed recusa responder à Sky News

Abdul El-Sayed, candidato do Partido Democrata ao Senado pelo estado do Michigan, recusou-se a responder às perguntas do correspondente da estação britânica Sky News.

O momento de tensão ocorreu durante as ações de campanha do escrutínio, quando o candidato confrontou diretamente a pertinência de falar para uma audiência estrangeira. O post no X está a gerar polémica:

"Porque me devia importar de falar consigo?", diz El-Sayed ao jornalista James Matthews, questionando logo de seguida a sua proveniência e a da cadeia de televisão. Ao sublinhar que não está a disputar votos de eleitores britânicos, o aspirante ao Senado desvalorizou o alcance da estação em território norte-americano: "A Sky News não é vista nos Estados Unidos da América. Cinco pessoas veem".

Incomodado com a insistência da equipa de reportagem, o candidato democrata pediu ao repórter para deixar de o "perseguir" e rematou o confronto perguntando se o jornalista estava sequer recenseado para votar nas eleições dos Estados Unidos.

O Michigan protagoniza uma das corridas mais disputadas ao Senado nestas intercalares, onde cada aparição pública e interação com a imprensa está sob forte escrutínio à medida que as urnas fecham.

Republicano Hal Rogers e democrata Morgan McGarvey vencem no Kentucky nos primeiros resultados para a Câmara

O republicano Hal Rogers e o democrata Morgan McGarvey foram projetados vencedores nas respetivas corridas eleitorais no Kentucky, marcando as primeiras decisões da noite para a Câmara dos Representantes nas eleições intercalares norte-americanas, de acordo com as projeções da NBC News.

No 5.º distrito, Hal Rogers — um dos membros com maior longevidade na história da câmara baixa, onde tem assento ininterrupto desde 1981 — garantiu mais uma reeleição no reduto conservador do leste do estado.

Logo depois, no 3.º distrito, o democrata Morgan McGarvey assegurou a vitória na área metropolitana de Louisville, mantendo sob controlo democrata o único enclave "progressista" da bancada federal do Kentucky.

Ambos os desfechos confirmam as expectativas dos analistas e mantêm inalterada a divisão partidária no estado, oferecendo o primeiro retrato parcelar da disputa pelos 435 lugares da Câmara dos Representantes, onde cada assento conta para definir quem controlará a agenda legislativa em Washington.

Sondagem AP: Eleitores profundamente descontentes com Trump

Os norte-americanos têm vontade de mudar, segundo uma sondagem da Associated Press (AP), que apurou que aproximadamente três quartos dos eleitores dizem sentir-se "zangados" ou "insatisfeitos" com a situação atual do país.

Em dia de eleições intercalares, a maioria parece culpar a administração de Donald Trump pelos elevados custos de vida no país.

Cerca de seis em cada 10 dos inquiridos dizem que os preços mais altos do que o normal devem-se "mais às políticas de Trump" do que "a fatores fora do controlo de Trump".

Além disso, cerca de 70% dos eleitores querem que o Congresso forneça mais mecanismos de controlo e equilíbrio da presidência. Lusa

Eleitores a votar no Texas, um dos estados que pode virar democrata.
Eleitores a votar no Texas, um dos estados que pode virar democrata.LAURA BRETT / EPA

Fecham as primeiras assembleias de voto no Indiana e no Kentucky

As primeiras assembleias de voto encerraram esta noite nas zonas orientais do Indiana e do Kentucky, dando início formal à contagem de votos nas eleições intercalares norte-americanas para sete lugares da Câmara dos Representantes.

A maior parte das mesas nestes dois estados fecha às 18h locais (23h em Lisboa), embora a existência de dois fusos horários mantenha algumas assembleias abertas até às 19h locais (00h em Lisboa).

As regras eleitorais estipulam que qualquer eleitor que se encontre na fila à hora limite de encerramento tem o direito legal de permanecer no local e exercer o seu voto até que todas as cédulas sejam depositadas.

Calendário de fecho das urnas (hora de Lisboa):

  • 23:00: Leste do Indiana e do Kentucky.

  • 00:00: Geórgia, Virgínia, Carolina do Sul, Vermont e restantes assembleias do Indiana e do Kentucky.

  • 00:30: Carolina do Norte, Ohio e Virgínia Ocidental.

  • 01:00: Vaga principal da Costa Leste e estados centrais (incluindo Pensilvânia e Florida).

  • 04:00 – 06:00: Costa Oeste (Califórnia), Havai e Alasca.

Departamento de Justiça envia observadores para Los Angeles

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) enviou esta manhã uma vaga urgente de observadores eleitorais para Los Angeles, noticiou o Los Angeles Times, aprofundando o choque judicial com a Califórnia em pleno dia de eleições intercalares.

A tensão resulta da alegação da administração Trump de que 20 mil pessoas sem cidadania estariam nos cadernos eleitorais do estado.

Na segunda-feira, o Supremo Tribunal dos EUA rejeitou o pedido do executivo para isolar esses votos contestados. Contudo, nas últimas horas, o Tribunal de Apelações do 9.º Circuito autorizou a administração a avançar com ameaças de processos criminais contra os funcionários das assembleias de voto locais.

O reforço em Los Angeles integra uma mobilização sem precedentes de mil monitores do DoJ por todo o país, descrita pelas autoridades federais como a maior da sua história.

A intervenção de última hora num reduto democrata está a ser fortemente criticada por observadores locais e organizações cívicas, que acusam a administração de usar o aparelho federal como manobra de intimidação sobre os trabalhadores eleitorais.

Os estados-chave que vão ditar o futuro de Washington

Com as primeiras assembleias de voto a encerrar na Costa Leste, a noite eleitoral norte-americana entra na sua fase decisiva. O equilíbrio de poder no Congresso, onde os democratas precisam de somar apenas três lugares para resgatar a Câmara dos Representantes e quatro para virar o Senado, depende diretamente de poucas corridas estaduais de margem milimétrica:

  • Geórgia e Carolina do Norte (00h00 – 01h00 em Lisboa): São os primeiros grandes testes da madrugada. Na Geórgia, o assento senatorial ocupado por Jon Ossoff frente ao republicano Mike Collins serve de barómetro para a mobilização nos subúrbios de Atlanta. Na Carolina do Norte, o desempenho democrata dará o primeiro sinal claro sobre a dimensão de uma eventual onda de voto de protesto contra o custo de vida.

  • Ohio (00h30 em Lisboa): A eleição especial para o lugar no Senado que pertencia a JD Vance opõe o republicano Jon Husted ao veterano democrata Sherrod Brown. Uma vitória democrata neste estado industrial seria um forte revés político para a Casa Branca em território tradicionalmente alinhado com o executivo.

  • Michigan (01h00 em Lisboa): Palco de uma das disputas mais renhidas do Rust Belt, o confronto ao Senado entre Abdul El-Sayed (Democrata) e o ex-congressista Mike Rogers (Republicano) é considerado crucial para ambos os partidos consolidarem maiorias parlamentares.

  • Maine (01h00 em Lisboa): A senadora republicana moderada Susan Collins enfrenta o escrutínio mais apertado da carreira contra o democrata Troy Jackson, num estado onde os democratas veem uma das suas maiores oportunidades de resgatar um assento.

  • Iowa e Kansas (02h00 em Lisboa): Historicamente conservadores, estes estados rurais do Midwest transformaram-se em campos de batalha inesperados devido ao descontentamento do setor agrícola com os preços de fertilizantes, combustíveis e tarifas aduaneiras. As corridas de Roger Marshall no Kansas e de Ashley Hinson no Iowa são alvos diretos da oposição.

  • Califórnia e Alasca (04h00 em Lisboa em diante): A apuração tardia na Costa Oeste e a contagem pelo sistema de preferências no Alasca podem arrastar o desfecho da Câmara dos Representantes e da margem senatorial pelas primeiras horas da manhã.

Milhões de eleitores norte-americanos votam esta terça-feira para definir o equilíbrio legislativo de Washington e fixar o alcance político do mandato de Donald Trump para os próximos dois anos. Em causa está a renovação integral dos 435 lugares da Câmara dos Representantes, 35 assentos no Senado e mais de três dezenas de governos estaduais, num escrutínio que funciona tradicionalmente como um referendo nacional à liderança da Casa Branca.

A governabilidade federal constitui o eixo central da disputa: caso o Partido Republicano retenha as maiorias parlamentares, a administração assegura caminho livre para aprofundar cortes fiscais, nomeações judiciais e controlos fronteiriços mais rigorosos. Mas uma vitória democrata em qualquer das câmaras devolverá à oposição instrumentos cruciais de supervisão, poder de veto orçamental e a capacidade de conduzir investigações a membros do executivo.

O veredito eleitoral é influenciado de forma direta pelo custo de vida, pela inflação e pelos preços dos combustíveis, que se mantêm no topo das preocupações do eleitorado a par de temas como imigração e cuidados de saúde. A par das disputas federais, dezenas de estados levam a votos iniciativas locais sobre matérias sensíveis como planeamento energético, infraestruturas tecnológicas e direitos civis.

No plano externo, o mapa que sair das urnas ditará o grau de previsibilidade dos Estados Unidos no comércio mundial e a continuidade do financiamento a alianças militares e de segurança.

Um Congresso dividido pode limitar significativamente as iniciativas externas da presidência e redefinir as prioridades estratégicas globais de Washington até à corrida presidencial de 2028.

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