Forças dos separatistas do Sul passam num veículo por uma estrada com a imagem do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohammed bin Zayed Al Nahyan (à esquerda), e do líder máximo do Conselho de Transição do Sul (STC), apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, Aidaros Alzubidi, na cidade portuária de Aden, no sul do Iémen.
Forças dos separatistas do Sul passam num veículo por uma estrada com a imagem do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohammed bin Zayed Al Nahyan (à esquerda), e do líder máximo do Conselho de Transição do Sul (STC), apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, Aidaros Alzubidi, na cidade portuária de Aden, no sul do Iémen.EPA/NAJEEB MOHAMED

Tensão no Iémen expõe rutura entre Arábia Saudita e Emirados e reacende risco de conflito regional

Riade emitiu um raro e duro aviso de segurança nacional, que classificou como “linha vermelha”, e apoiou formalmente um ultimato do governo iemenita para que as forças dos EAU abandonem o país.
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A guerra no Iémen entrou esta semana numa nova e perigosa fase, com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos (EAU), dois antigos aliados históricos e grandes produtores de petróleo, a situarem-se em lados opostos de um confronto que ameaça alastrar a toda a região.

Riade emitiu esta terça-feira (30) um raro e duro aviso de segurança nacional, que classificou como “linha vermelha”, e apoiou formalmente um ultimato do governo iemenita para que as forças dos EAU abandonem o país no prazo de 24 horas. Pouco depois, a coligação militar liderada pela Arábia Saudita lançou um ataque aéreo contra o porto de Mukalla, no sul do Iémen.

Segundo a coligação, o alvo foi o apoio militar estrangeiro (dos EAU) às forças separatistas do sul, lideradas pelo Conselho de Transição do Sul (STC), um grupo apoiado por Abu Dhabi. As autoridades sauditas afirmam que dois navios provenientes do porto de Fujairah, nos Emirados, descarregaram armas e veículos militares em Mukalla sem autorização, desligando os sistemas de localização antes da operação, escreve a agência Reuters.

O presidente do Conselho Presidencial do Iémen, Rashad al-Alimi, apoiado por Riade, cancelou um acordo de defesa com os EAU e acusou publicamente Abu Dhabi de alimentar divisões internas no país através do apoio aos separatistas do STC. "Infelizmente, foi definitivamente confirmado que os Emirados Árabes Unidos pressionaram e orientaram o Conselho de Transição do Sul (STC) a minar e rebelar-se contra a autoridade do Estado através de uma escalada militar", disse, citado pela Reuters.

Em resposta, Almini decretou um bloqueio aéreo, marítimo e terrestre de 72 horas a portos e passagens, com exceções apenas mediante autorização do governo internacionalmente reconhecido e apoiado pela Arábia Saudita.

A escalada surgiu após uma ofensiva surpresa do STC, que este mês avançou contra as forças governamentais, após anos de impasse, e consolidou controlo sobre grande parte do sul do Iémen, incluindo a estratégica província de Hadramout, junto à fronteira saudita.

O STC rejeitou o apelo saudita para recuar e afirmou que apenas alianças regionais e acordos internacionais podem determinar a presença de países da coligação no Iémen. Para os separatistas, os EAU continuam a ser um parceiro central na luta contra os rebeldes houthis, apoiados pelo Irão, que controlam o norte do país e a capital, Sanaa.

A deterioração das relações entre Riade e Abu Dhabi teve impacto imediato nos mercados, com as principais bolsas do Golfo em queda e analistas a alertarem que um confronto aberto entre dois pesos-pesados da OPEP (Organização de Países Exportadores de Petróleo) poderá complicar decisões sobre produção petrolífera e aumentar a instabilidade num Médio Oriente já marcado por múltiplos focos de tensão.

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