A guerra não declarada entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão centrou-se nas últimas horas no estreito de Ormuz, depois de mais navios terem sido atingidos e de Teerão ter advertido que deixará de ripostar para fazer ataques continuados, incluindo a navios de países aliados, que passaram a ser “alvos legítimos”. Mas o presidente norte-americano considerou que há condições de segurança para os navios atravessarem o estreito e encorajou-os a fazê-lo.O comandante das forças navais dos Guardas da Revolução lançou um aviso: todo e qualquer navio que queira atravessar o estreito de Ormuz tem de obter autorização das autoridades iranianas. O contra-almirante Alireza Tangsiri aproveitou para provocar os Estados Unidos: “Estavam os navios garantidos de que haveria uma passagem segura pelo estreito de Ormuz? Isto deveria ser perguntado às tripulações dos navios Express Rome e Mayuree Naree, que hoje, confiando em promessas vazias, ignoraram os avisos e pretendiam atravessar o estreito, mas foram alvejados.” O primeiro é um porta-contentores de pavilhão da Libéria, o segundo é um cargueiro da Tailândia. . Segundo a Reuters, além destes navios, outros dois — um com bandeira do Japão e o outro das ilhas Marshall — foram atingidos. Três tripulantes desapareceram. No total, segundo as contas da agência britânica de segurança marítima (UKMTO), 17 navios comerciais foram alvo das forças iranianas desde o início das operações militares dos EUA e de Israel contra o Irão. De acordo com o regime iraniano, o estreito, pelo qual transita cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos ao nível global, não se encontra bloqueado aos navios, desde que “não sirvam os interesses” dos dois países que desencadearam o conflito. O comando conjunto da República Islâmica esclareceu entretanto que os navios dos países aliados de EUA e Israel passam a ser alvo: “Não permitiremos que sequer um litro de petróleo chegue aos EUA, aos sionistas e aos seus parceiros. Qualquer embarcação ou petroleiro a caminho deles será um alvo legítimo”, disse Ebrahim Zolfaqari, um porta-voz militar. O presidente dos EUA afirmou na semana passada que a Marinha do seu país poderia escoltar os navios naquele ponto crucial. No entanto, segundo a Reuters, aquele ramo das forças norte-americanas tem declinado os pedidos quase diários para escoltar navios, alegando um risco demasiado elevado. “Preparem-se para que o barril de petróleo esteja a 200 dólares porque o preço do petróleo depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, acrescentou o porta-voz iraniano. Para tentar acalmar os mercados, os membros da Agência Internacional de Energia concordaram em desbloquear 400 milhões de barris de petróleo provenientes das suas reservas estratégicas, a iniciativa do género “mais importante” da história da instituição. Outra consequência a ter em conta com o bloqueio, segundo o chefe das operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher, é o “impacto directo” na ajuda humanitária, em particular para as zonas mais afetadas da África subsaariana.Na quarta-feira, Donald Trump voltou a falar sobre o tráfego do golfo Pérsico para o golfo de Omã ao comentar as operações dos Estados Unidos contra os navios lança-minas iranianos — “eliminámos quase todos os seus navios de minas numa noite só”, afirmou, tendo indicado que foram 28 as embarcações atingidas. “Creio que deveriam usar o estreito”, disse o presidente norte-americano sobre os navios comerciais, menosprezando os riscos associados. Segundo os meios de comunicação norte-americanos, apesar das operações de caça aos lança-minas, o estreito de Ormuz estará já minado numa dúzia de locais.Segundo a CNN, que analisou dados do MarineTraffic, pelo menos seis navios atravessaram o estreito de Ormuz nos últimos dias, a maioria depois de desligar os seus sinais de rastreamento marítimo ou tentar ocultar as suas posições em tempo real. Ao longo do dia, as tensões aumentaram ainda mais. O Comando Central militar dos EUA (CENTCOM) advertiu os trabalhadores portuários e restantes civis iranianos para evitarem os portos, considerados a partir de agora “alvos militares legítimos de acordo com o direito internacional”. Isto porque, segundo o CENTCOM, o Irão usa portos civis ao longo do estreito de Ormuz “para realizar operações militares que ameaçam a navegação internacional”. Em resposta, as forças iranianas ameaçaram responder na mesma moeda. “Se os portos do Irão forem ameaçados, todos os portos e docas na região serão os nossos alvos legítimos”, disse outro porta-voz das Forças Armadas, Abolfazl Shekarchi. Em paralelo, um comandante dos Guardas da Revolução afirmou que o país tem torpedos com uma tecnologia que só o seu país e a Rússia possuem e que podem ser utilizados nos próximos dias. “Temos mísseis que são lançados debaixo de água, e a sua velocidade é de 100 metros por segundo. Podemos usá-los nos próximos dias”, disse Ali Fadavi, citado pela agência estatal iraniana. Além desta alegada capacidade, refira-se ainda que dois petroleiros foram atingidos por drones navais nos últimos dias.Fora de sintoniaNuma das várias declarações ao longo do dia, Trump disse ainda que “não há praticamente nada mais para atingir” no Irão. Israel tem outros planos. “Como exército, ainda dispomos de uma vasta reserva de alvos. Vamos expandir as nossas operações. O objetivo é minar as fundações deste regime”, declarou o porta-voz do exército israelita Effie Defrin. Em paralelo, a aviação israelita executou uma série de ataques “em grande escala” sobre Beirute depois de o Hezbollah ter visado o norte de Israel com “dezenas de foguetes”..Ministra da Energia: “emergência é quando os aumentos chegam a 70%, ainda não estamos lá”