A UNESCO declarou como Património Mundial os dois teatros luxuosos de ópera construídos no coração da Amazónia brasileira, com estilos arquitetónicos e materiais europeus, que simbolizam a riqueza da chamada Belle Époque na maior floresta tropical do mundo.O Comité do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) tomou esta decisão sobre o conjunto arquitetónico composto pelo Teatro Amazonas (1896), em Manaus, e pelo Theatro da Paz (1878), em Belém, durante a assembleia anual que está a decorrer na cidade sul-coreana de Busan, nesta segunda-feira, 27 de julho.A delegação brasileira destacou durante a assembleia que esta inscrição tem "uma importância particular", pois é a primeira vez que um bem cultural localizado na Amazónia brasileira é incluído na lista.O presidente do Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional do Brasil, Deyvesson Israel Alves Gusmão, salientou que esta "conquista histórica" representa o reconhecimento de que, além de constituir um paradigma de património natural e ambiental, a Amazónia é geradora de culturas, memórias e identidade."Trata-se, portanto, de um local patrimonial que mostra ao mundo a riqueza da diversidade cultural da Amazónia brasileira", declarou. Estes espaços não só acolhem espetáculos de ópera e produções teatrais, como também atividades de uma ampla variedade artística, tais como a dança carimbó, o jazz ou o cinema.Ambos os teatros foram construídos no final do século XIX nos dois maiores centros urbanos da Amazónia, com os recursos gerados pelo auge da exploração da borracha, quando a procura mundial de látex transformou a região num dos principais pólos económicos do Brasil e permitiu reproduzir nos trópicos o requinte cultural e arquitetónico europeu.A odisseia para erguer essas construções numa região isolada e rodeada pela selva, onde praticamente todos os materiais tinham de chegar por barco após atravessarem o Atlântico e subirem o rio Amazonas, inspirou o célebre filme alemão "Fitzcarraldo" (1982), cujo protagonista sonha em construir um teatro de ópera na selva.Ambos os edifícios acolheram, durante décadas, companhias de ópera, orquestras e artistas europeus que chegavam à Amazónia atraídos pela riqueza da região, tornando-se símbolos do intercâmbio cultural entre a América e a Europa nos séculos XIX e XX..Flávio Bolsonaro é oficialmente candidato à Presidência do Brasil.Editora brasileira abre seleção para autores que vivem em Portugal