Suspeito de revelar esconderijo de Anne Frank identificado 77 anos depois

Uma investigação cujos resultados foram conhecidos esta segunda-feira pode ter desvendado a chave de um mistério com décadas. Anne Frank é mundialmente conhecida pelo seu livro, O Diário de Anne Frank, que descreveu como se escondeu dos abusos e torturas nazis ao longo de vários anos.

Uma nova investigação identificou o homem que identificou e denunciou o esconderijo de Anne Frank, em 1945. Segundo a BBC, trata-se de Arnold van den Bergh, um homem judeu originário de Amesterdão, que terá denunciado a jovem para salvar a sua família.

A investigação, citada pela BBC, e cujas conclusões se conheceram esta segunda-feira, durou seis anos. A equipa, constituída por um ex-agente do FBI, historiadores e outros especialistas, usou técnicas de investigação de ponta. Isso incluiu, por exemplo, o uso de algoritmos de computador para procurar conexões entre várias pessoas diferentes, algo que levaria milhares de horas para os humanos.

De acordo com a investigação, van den Bergh foi membro do Conselho Judaico de Amesterdão, um órgão que era forçado a aplicar política nazi aos judeus. Este órgão foi dissolvido em 1943, com os seus membros a serem enviados para campos de concentração. O mesmo não aconteceu com van den Bergh, que acabou por conseguir viver normalmente em Amesterdão, ao contrário dos outros membros. Há também suspeitas de que um membro do Conselho Judaico fornecia informação aos nazis.

No programa de televisão 60 Minutos, da cadeia norte-americana CBS, Vince Pankoke, ex-agente do FBI, revelou que "quando van den Bergh perdeu toda a série de proteções que tinha, ele teve de fornecer algum dado valioso aos nazis para que ele e a sua mulher ficassem seguros".

Durante o processo, a equipa de investigadores deparou-se com suspeitas de que outro judeu pudesse ser o traidor. Porém, também foram encontradas pistas que sugeriam que Otto Frank, o pai de Anne, soubesse, preferindo no entanto guardar segredo.

Nos ficheiros de outro investigador, foi encontrada uma nota de Otto Frank que denunciava Arnold van den Bergh como o traidor. De acordo com Pankoke, antissemitismo pode ter sido a razão pelo qual estes factos nunca foram revelados antes. "Talvez ele tenha sentido que tocar neste assunto de novo só colocaria mais lenha na fogueira", refere, acrescentando que é preciso ter em conta que "o facto de van den Bergh ser judeu apenas significava que ele foi colocado numa posição insustentável pelos nazis para fazer algo para salvar a sua vida".

Em comunicado, o museu Casa de Anne Frank, não envolvido diretamente na investigação, disse estar "impressionado" com as descobertas da equipa de investigação.

O diretor-executivo da instituição, Ronald Leopold, acrescentou que a pesquisa "gerou novas informações importantes e uma hipótese fascinante que merece mais estudos".

Arnold van den Bergh terá morrido nos anos 50.

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