Um forte terramoto, que abalou esta sexta-feira (2 de janeiro) o sul e o centro do México, causou pelo menos duas mortes, segundo as autoridades locais.O sismo de magnitude de 6,5 teve o seu epicentro próximo da cidade de San Marcos, no estado sulista de Guerrero, perto da estância costeira do Pacífico de Acapulco, de acordo com a agência nacional de sismologia do México, que registou, depois mais de 500 réplicas.A agência de defesa civil do estado reportou várias derrocadas em redor de Acapulco e em outras estradas do estado.A governadora de Guerrero, Evelyn Salgado, disse que uma mulher de 50 anos, a viver numa pequena comunidade perto do epicentro, morreu quando a sua casa desabou.A presidente da Câmara da Cidade do México, Clara Brugada, por seu lado, disse que uma pessoa morreu depois de sofrer uma aparente emergência médica, seguida de uma queda, quando era retirada de um edifício.As autoridades também indicaram que um hospital em Chilpancingo, a capital de Guerrero, sofreu danos estruturais graves e vários pacientes foram evacuados.Residentes e turistas na Cidade do México e em Acapulco correram para as ruas quando o abalo começou.O Serviço Geológico dos Estados Unidos afirmou que o terremoto ocorreu a uma profundidade de 35 quilómetros, a quatro quilómetros a norte do Rancho Viejo, Guerrero, que fica nas montanhas, a cerca de 92 quilómetros a nordeste de Acapulco.José Raymundo Díaz Taboada, médico e defensor dos direitos humanos que vive num dos picos que cercam Acapulco, disse ter ouvido um forte ruído de estrondo e que todos os cães do bairro começaram a ladrar. "Naquele momento o alerta sísmico disparou no meu celular [telemóvel]," afirmou, "e depois começou a sentir-se o tremor com muita força e muito barulho."O médico considerou que este foi um tremor mais fraco do que em alguns sismos anteriores, mas mesmo assim ele preparou uma mochila com itens essenciais para estar pronto para sair, à medida que as réplicas continuavam, referindo que não tinha conseguido contactar alguns amigos que vivem ao longo da Costa, Chica a sudeste de Acapulco porque as comunicações estavam cortadas.O Serviço Sismológico Nacional (SSN) do México afirmou que só "até às 12:00 horas, foram registadas 420 réplicas, a maior de 4,7".O sismo foi reportado por aquela entidade às 07:58 (13:58 GMT) a quatro quilómetros a sudoeste da localidade de San Marcos, Guerrero, e ativou o alerta sísmico em vários estados do país.De acordo com relatórios municipais, estaduais e da Coordenação Nacional de Proteção Civil (CNPC), o terramoto foi sentido nos estados de Guerrero, Oaxaca, Veracruz, Morelos, Puebla, Jalisco, Tabasco, Colima e Hidalgo, embora com danos ligeiros.O terramoto ocorreu justamente quando a presidente do México, Claudia Sheinbaum, estava a dar a sua conferência de imprensa matinal, pelo que teve de abandonar, de forma preventiva, as instalações do Palácio Nacional junto de jornalistas e funcionários do Governo.A chefe de Governo da Cidade do México, Clara Brugada, informou que, após ativar o protocolo de atuação devido ao sismo, registaram-se "12 pessoas feridas; a queda de 5 postes e 4 árvores; assim como 18 denúncias por falta de fornecimento elétrico em várias colónias".Além disso, disse, na altura, que estavam a ser avaliadas duas estruturas com risco de colapso e que, de forma preventiva, estavam a ser inspecionados 34 edifícios e cinco habitações.O sismo de hoje recorda o de 19 de setembro de 1985, quando se registou o terramoto mais destrutivo na história do país, de magnitude 8,1, com epicentro no oceano Pacífico, na costa do estado de Michoacán, e efeitos no centro, sul e oeste do país, com um número oficial de 3.192 mortos, embora organizações estimem que na realidade houve mais de 20.000 devido a irregularidades na contagem.A 19 de setembro de 2017, um terramoto de magnitude 7,7 com epicentro nos estados de Puebla e Morelos, no centro do país, deixou 370 mortos e mais de 7.000 feridos, com a maioria das mortes na Cidade do México, que totalizou 228.