Ruja Ignatova. A "criptorainha" na lista dos 10 mais procurados do FBI

Alemã é acusada de burlar mais de três milhões de pessoas, no valor de 3, 8 mil milhões de euros, num esquema financeiro em pirâmide com criptomoedas.

Ruja Ignatova, já apelidada de "criptorainha desaparecida", por estar em parte incerta desde 2017, foi colocada esta semana na lista dos dez criminosos mais procurados do FBI. Segundo as autoridades norte-americanas, a empresária tem nacionalidade alemã com descendência búlgara. É a única mulher entre o top 10 dos fugitivos mais procurados e terá burlado mais de três milhões de pessoas através de um esquema financeiro em pirâmide com criptomoedas - o OneCoin - no valor de 4 mil milhões de dólares (cerca de 3, 8 mil milhões), um dos maiores da história.

Criada em 2014, a OneCoin foi apresentada ao Mundo num luxuoso e espetacular evento, que teve lugar na Wembley Arena, em Londres, em 2016. De acordo com uma queixa apresentada, a mentora do projeto subiu ao palco e prometeu uma moeda revolucionária para "todos fazerem pagamentos em qualquer lugar", que superaria qualquer outra criptomoeda e cujo retorno poderia ser "cinco ou dez vezes" supeior ao investimento. Houve quem investisse 250 mil euros.

Segundo o FBI, a OneCoin não tinha nenhum valor e nunca usou a tecnologia blockchain, comum a outras criptomoedas. Daí que suspeitem tratar-se de um esquema em pirâmide disfarçado de criptomoeda, uma vez que ofereciam comissão aos compradores da moeda virtual que conseguissem vender a mais pessoas. "Ela fez o esquema no tempo certo, beneficiando-se da especulação frenética dos primeiros dias da criptomoeda", disse Damian Williams, procurador federal de Manhattan.

Ignatova tinha um "excelente currículo", fazendo-se valer de um diploma de direito da Universidade de Oxford e um trabalho de consultoria na McKinsey & Company. O esquema começava com uma mensagem sobre "uma oportunidade de investimento imperdível" que chamava a atenção dos interessados, que por sua vez eram direcionados para webinars sobre a OneCoin, que duravam cerca de uma hora e geravam grande expectativa de fortuna. Os lesados confessaram que só se aperceberam que tinham sido burlados meses depois.

Sem conseguir localizar Ignatova desde 2017 - foi vista pela última vez nesse ano a embarcar num voo da Bulgária para a Grécia - o FBI resolveu colocar a alemã na lista dos mais procurados. O anúncio foi publicado no dia 30 de junho e oferece uma recompensa de 100 mil dólares (95, 8 mil euros) por qualquer informação que leve à prisão da "criptorainha", que em 2019 foi indiciada por oito crimes, incluindo fraude na Internet, fraude eletrónica, conspiração para cometer lavagem de dinheiro, fraude de valores mobiliários e conspiração para cometer fraude de valores mobiliários. As primeiras quatro acusações têm pena de prisão de até 20 anos.

Ignatova terá fugido com cerca de 500 milhões de euros, usando identidades e documentos falsos de alta qualidade e mudado de aparência, o que tem dificultado a tarefa das autoridades. Já tinha sido adicionada à lista dos "Mais procurados" da Interpol com a seguinte mensagem: "Cuidado! A pessoa procurada ou possíveis pessoas que a acompanham podem estar armadas."

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