A última vez que o presidente colombiano, Gustavo Petro, esteve nos EUA, criticou o homólogo norte-americano na tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas e junto a manifestantes pró-Gaza nas ruas de Nova Iorque. O ex-guerrilheiro de esquerda, que apelida Donald Trump de “racista” e “autoritário”, já ia a caminho de casa quando foi anunciado que o seu visto tinha sido revogado e, um mês depois, foi colocado na lista de sanções. Esta terça-feira (3 de fevereiro), o inquilino da Casa Branca, que acusa o colombiano de ser “traficante de droga” e ameaçou com uma intervenção militar no país, abre-lhe as portas do n.º 1600 da Avenida da Pensilvânia. Uma reunião de alto risco depois de um telefonema a 7 de janeiro, que durou uma hora e correu melhor do que o esperado entre os dois presidentes de lados totalmente opostos da política mas com uma particularidade em comum: dizem o que querem sem ter em conta as consequências. “Numa palavra, eles são imprevisíveis”, disse ao jornal The New York Times um antigo chefe da diplomacia colombiano, Julio Londoño Paredes, falando tanto de Trump como de Petro. O diplomata faz parte de um grupo de conselheiros que reuniu com Petro para o preparar para a visita. O objetivo é que o encontro não seja como o de há um ano entre Trump e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.“É bastante imprevisível o que vai acontecer”, afirmou à Bloomberg o investigador de estudos latino-americanos do Council on Foreign Relations, Will Freeman. “Na pior das hipóteses, Petro tentará usar esta oportunidade para dar uma lição ou embaraçar Trump, o que não será nada bom”, disse, temendo que isso possa resultar em novas tarifas ou cortes nos apoios em segurança. A Colômbia é o principal parceiro de segurança dos EUA na América Latina, recebendo centenas de milhões de dólares em apoio para a luta contra o narcotráfico. Antes da reunião, Petro voltou às críticas nas redes sociais (alegando que o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro devia ser entregue à justiça do seu país) mas procurou também gestos de pacificação. O presidente colombiano, que termina o mandato este ano, anunciou por exemplo que a Colômbia vai aceitar 20 voos por semana de deportação de imigrantes dos EUA.