Relatório alerta para risco de acidente grave no edifício do parlamento britânico
O Palácio de Westminster, edifício onde funciona o parlamento britânico, arrisca sofrer um incêndio "semelhante ao de Notre-Dame" ou outro acidente grave se a renovação for adiada, alertaram esta quarta-feira, 4 de novembro, deputados britânicos.
Instalações elétricas envelhecidas, fugas de água recorrentes e níveis elevados de amianto estão entre os numerosos problemas que afetam o edifício histórico, segundo um relatório da comissão parlamentar de contas públicas.
A comissão advertiu que os atrasos estão a provocar um aumento dos custos e poderão conduzir a uma "falha catastrófica", com consequências para o património, para o funcionamento da democracia britânica e, potencialmente, para a segurança das pessoas.
"Imaginem o impacto de imagens transmitidas em direto em todo o mundo, mostrando chamas, como em Notre-Dame [catedral em Paris], a sair do telhado do edifício, levando à destruição do nosso património ou, pior ainda, a feridos ou mesmo mortos", declarou o presidente da comissão, o deputado Geoffrey Clifton-Brown.
Segundo o político conservador, "não são riscos teóricos, mas ameaças bem reais".
Algumas partes do palácio, situado no centro de Londres, junto ao rio Tamisa, têm mais de 900 anos, mas a maioria do conjunto de construções, incluindo a torre com o famoso relógio Big Ben, foi construída no século XIX, durante o reinado da Rainha Vitória.
A renovação do edifício, classificado como Património Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), exigirá milhares de milhões de libras.
Contudo, há anos que os parlamentares não conseguem chegar a acordo sobre a forma de avançar com o projeto.
Em 2018, os deputados votaram a favor de uma mudança temporária para permitir as obras, mas desde então não foi alcançado consenso sobre a sua execução.
Está prevista uma série de votações no parlamento nos próximos meses.
Uma das opções prevê a saída total do parlamento durante a maioria das obras, com um custo que poderá atingir 15,6 mil milhões de libras (cerca de 18,6 mil milhões de euros) e uma duração de até 24 anos.
Outra alternativa, de saída parcial, manteria no local, no máximo, 30% dos funcionários durante os trabalhos.
Nesse cenário, o custo está estimado em 39 mil milhões de libras (47 mil milhões de euros) e a duração poderia chegar aos 61 anos.
Segundo o calendário atualmente previsto, as obras não deverão começar antes de 2032.
A comissão parlamentar advertiu ainda que o custo semanal de manutenção do parlamento do Reino Unido deverá passar dos atuais 1,5 milhões de libras (1,8 milhões de euros) para dois milhões de libras (2,4 milhões de euros) nos próximos anos.

