Reino Unido promete excedente de vacinas a países em desenvolvimento

Gabinete de Boris Johnson avança que vacinas serão entregues à iniciativa COVAX, coordenada pela Aliança Global para as Vacinas (Gavi) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS)

O Reino Unido pretende partilhar o excedente de vacinas contra a covid-19 com países com desenvolvimento, vai anunciar o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, numa cimeira de líderes do G7 por videoconferência na sexta-feira.

De acordo com um comunicado do seu gabinete, as vacinas serão entregues à iniciativa COVAX, coordenada pela Aliança Global para as Vacinas (Gavi) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para fornecer vacinas contra a covid-19, particularmente a países de médio e baixo rendimento.

O Reino Unido tem contratos de encomenda de 457 milhões de doses com oito fornecedores diferentes, embora só três vacinas tenham recebido aprovação do regulador para uso no país e duas, da Pfizer e da AstraZeneca, tenham começado a ser administradas.

O excedente britânico só deverá ser identificado no final do ano, dependendo de a produção das vacinas continuar sem problemas e serem necessárias novas vacinas ou reforços no outono contra novas variantes do vírus, refere o comunicado.

Boris Johnson vai confirmar este compromisso durante a cimeira, realizada no âmbito da presidência britânica este ano do grupo dos sete países considerados mais industrializados, formado pelo Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e EUA, juntamente com a União Europeia (UE).

A cimeira vai ser o primeiro encontro internacional de alto nível com o Presidente norte-americano, Joe Biden, empossado em janeiro, e terá a participação dos dirigentes de todos os países membros, bem como dos presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, Charles Michel.

O primeiro-ministro britânico vai também aproveitar a cimeira para se juntar ao desafio de reduzir para 100 dias o tempo de desenvolvimento de novas vacinas, lançado pela Coligação para a Inovação na Preparação contra Epidemias (CEPI).

As vacinas contra a covid-19 foram desenvolvidas em cerca de 300 dias, mas os especialistas acreditam que é possível reduzir ainda mais este tempo para desenvolver novas vacinas para doenças emergentes e Boris Johnson pediu ao seu principal assessor científico, Patrick Vallance, para desenvolver contactos internacionais neste sentido.

"O desenvolvimento de vacinas de coronavírus viáveis oferece a perspetiva gratificante de um retorno à normalidade, mas não devemos dormir sobre os louros conquistados. Como líderes do G7, devemos dizer hoje: nunca mais. Aproveitando nossa criatividade coletiva, podemos garantir que temos as vacinas, tratamentos e testes prontos para a luta contra futuras ameaças à saúde", afirmou Johnson antes do encontro.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.430.693 mortos no mundo, resultantes de mais de 109,8 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 15.754 pessoas dos 792.829 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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