Reino Unido considera "altamente provável" invasão total da Ucrânia

Governo da Ucrânia já pediu que os seus cidadãos deixem a Rússia imediatamente, alegando que a ameaça de uma invasão russa pode complicar o funcionamento dos serviços consulares.

A ministra britânica dos Negócios Estrangeiros, Liz Truss, considerou esta quarta-feira "altamente provável" que o presidente russo queira invadir a Ucrânia e tomar Kiev, após o reconhecimento dos territórios separatistas do leste ucraniano.

"Pensamos que é altamente provável que ele [Vladimir Putin] execute o plano de invasão total da Ucrânia", disse Liz Truss no canal de televisão Sky News.

Já num artigo publicado no jornal The Times, a ministra indicou que o Reino Unido não descarta nada e aplicará mais sanções se a Rússia prosseguir com uma "invasão total" da Ucrânia, embora tenha reconhecido que ainda não há evidências disso.

Liz Truss salientou que as sanções anunciadas na terça-feira pelo Governo britânico são as primeiras, mas que o executivo tem uma lista de mais bancos, oligarcas e empresas a aplicar medidas.

Ucrânia pede aos seus cidadãos que deixem a Rússia

Paralelamente, a Ucrânia pediu esta quarta-feira que os seus cidadãos deixem a Rússia imediatamente, alegando que a ameaça de uma invasão russa pode complicar o funcionamento dos serviços consulares.

"Por causa da escalada da agressão russa contra a Ucrânia, que pode levar a uma redução substancial na possível assistência consular na Rússia, o Ministério dos Negócios Estrangeiros insta os cidadãos da Ucrânia a absterem-se de viajar para a Rússia e que os que estejam na Rússia deixem o seu território imediatamente", referiu o ministério, em comunicado.

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, determinou esta terça-feira a mobilização parcial de militares na reserva para reforçar o Exército, mas descartou por agora uma mobilização total para as forças armadas, face ao aumento da ameaça russa.

Zelensky explicou, numa comunicação ao país, que este novo decreto se aplica apenas aos ucranianos na reserva operacional, mobilizados para reforçar o Exército que combate as milícias pró-Rússia na região do Donbass e enfrenta a ameaça militar russa na fronteira.

O chefe de Estado ucraniano acrescentou que, normalmente, esta reserva é ativada em período de hostilidades e que abrange "um período especial de tempo", sem especificar.

"Precisamos de acrescentar rapidamente pessoal adicional ao Exército ucraniano e a outras formações militares", vincou.

As Forças Armadas da Ucrânia abrangem cerca de 250.000 militares e conta com uma reserva de cerca de 140.000, noticia a agência Associated Press (AP).

Zelensky divulgou ainda que irão decorrer "em breve" exercícios militares para os ucranianos em situação de reserva que vão compor as unidades de defesa territorial.

O Presidente da Ucrânia determinou o aumento do número de integrantes nestas unidades para dois milhões, onde se incluem caçadores e guardas-florestais.

Mas assegurou, que, por enquanto, "não há uma necessidade de mobilização geral" entre a população, algo que os separatistas pró-Rússia fizeram no sábado com todos os homens maiores de idade.

No discurso à nação, Zelensky descartou ainda uma guerra em larga escala com a Rússia e, desta forma, rejeitou a imposição de uma lei marcial na região do Donbass, apesar do reconhecimento por Moscovo da independência das duas autoproclamadas repúblicas separatistas, de Donetsk e Lugansk.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou que as forças armadas russas poderão deslocar-se para aqueles territórios ucranianos em missão de "manutenção da paz", decisão que já foi autorizada pelo Senado russo.

Zelensky, que considerou o reconhecimento por Moscovo uma violação da integridade territorial do seu país, não avançou com o rompimento das relações diplomáticas com a Rússia, apesar de já ter admitido este cenário e de estar a ser pressionado para o fazer.

O chefe de Estado ucraniano lamentou ainda que o Ocidente não tenha adotado sanções preventivas contra a Rússia antes de Moscovo reconhecer as repúblicas separatistas.

Mas saudou as decisões já impostas, como a suspensão pela Alemanha da certificação do controverso gasoduto Nord Stream 2, que deveria transportar gás russo diretamente para a Alemanha, sem passar por território ucraniano.

Biden fala em "início de invasão"

Já esta terça-feira o Presidente norte-americano, Joe Biden, afirmou estar em causa o "início de uma invasão na Ucrânia", motivo pelo qual anunciou sanções económicas a indivíduos, entidades e bancos russos.

Num discurso na Casa Branca, sem direito a perguntas, Biden anunciou sanções às elites russas e a bancos, e alertou que a Rússia "irá pagar um preço ainda mais alto se continuar com as agressões" a Kiev.

Joe Biden afirmou que os Estados Unidos da América (EUA) impõem, no imediato, um "bloqueio total" a duas grandes instituições financeiras russas e "sanções abrangentes" à dívida russa.

"Estamos a aplicar sanções completamente bloqueadoras a duas grandes instituições financeiras russas: ao VEB (um dos maiores bancos de investimento e desenvolvimento) e ao seu banco militar", disse o Presidente dos EUA.

"Isso significa que cortamos o governo russo do financiamento ocidental. Não pode mais obter capital do Ocidente e também não pode negociar a sua nova dívida nos nossos mercados ou mercados europeus", anunciou o mandatário, sublinhando que as elites russas e suas famílias não escaparão às sanções económicas.

Biden considerou que as ações do seu homólogo russo, Vladimir Putin, são uma "violação flagrante do direito internacional" e exigem uma resposta firme da comunidade internacional. No entanto, frisou ainda haver tempo "para evitar o pior cenário que infligirá um enorme sofrimento a milhões de pessoas".

"Não há dúvida de que a Rússia é o agressor, por isso estamos cientes dos desafios que enfrentamos", disse Biden na Casa Branca.

"Julgaremos a Rússia pelas suas ações, não pelas suas palavras. E o que quer que a Rússia faça a seguir, estamos prontos para responder com unidade, clareza e convicção. Espero que o caminho diplomático permaneça aberto", apelou.

Um dia depois de o Presidente russo ter reconhecido a independência de "repúblicas" no interior do território ucraniano, o chefe de Estado norte-americano anunciou ainda que autorizou o reforço de tropas norte-americanas já presentes nos países do Báltico, sem avançar com números.

"Deixem-me ser claro, estes são movimentos totalmente defensivos da nossa parte, não temos intenção de lutar contra a Rússia", disse Biden, observando que os EUA e seus aliados defenderão "cada centímetro do território da NATO" em caso de agressão.

Putin ainda aberto ao diálogo

O Presidente da Rússia insistiu esta quarta-feira que os interesses e a segurança do país "não são negociáveis", elogiou as capacidades militares russas, mas disse estar pronto para encontrar "soluções diplomáticas" para a crise da Ucrânia.

"O nosso país está sempre aberto ao diálogo direto e honesto para encontrar soluções diplomáticas para os problemas mais complexos", disse Vladimir Putin, num discurso televisivo transmitido por ocasião do Dia do Defensor da Pátria.

"No entanto, os interesses e a segurança de nossos cidadãos não são para nós negociáveis", acrescentou Putin.

A Rússia tem exigido aos países ocidentais garantias de que a Ucrânia nunca se tornará membro da NATO.

Ao citar como ameaças à Rússia "o afrouxamento do sistema de controlo de armas" e "as atividades militares da NATO", Putin defendeu, mais uma vez, que as preocupações russas permanecem "sem resposta".

A Rússia reconheceu na segunda-feira como independentes os dois territórios ucranianos separatistas de Donetsk e Lugansk.

Na terça-feira, as autoridades russas esclareceram que o reconhecimento se refere ao território ocupado quando as autoproclamadas repúblicas anunciaram esse estatuto em 2014, o qual inclui espaço atualmente detido pelas forças ucranianas.

Putin anunciou que as forças armadas russas poderão deslocar-se para aqueles territórios ucranianos em missão de "manutenção da paz", decisão que já foi autorizada pelo Senado russo.

Em 2014, a Rússia invadiu o leste da Ucrânia e anexou a Península da Crimeia, território ucraniano.

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