A passagem fronteiriça de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, reabre esta segunda-feira depois de um dia de testes bem-sucedidos, segundo informaram as autoridades israelitas, no mesmo dia em que anunciaram a proibição das atividades dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) no enclave a partir de março.Depois de preparativos levados a cabo no domingo, a única passagem de Gaza para o Egito, e uma entrada essencial de ajuda humanitária no território, encerrada pelos israelitas em maio de 2024, reabre nesta segunda-feira. O seu funcionamento faz parte dos requisitos da primeira fase do plano de paz dos EUA. A unidade militar israelita que supervisiona a coordenação humanitária (COGAT) disse que o posto fronteiriço reabre em ambas as direções apenas para residentes de Gaza que se desloquem a pé. O funcionamento, disse ainda, é assegurado em coordenação com o Egito e com a UE. Numa primeira fase vai permitir a passagem de palestinianos necessitados de tratamento médico. Em declarações à Al Jazeera, o diretor dos serviços de Saúde de Gaza disse que há 20 mil pessoas em risco de vida..Fronteira entre Faixa de Gaza e Egito reabre no domingo, anuncia Israel.Se uma via de acesso aos cuidados de saúde é aberta, outra é fechada com o anúncio do governo israelita de que os MSF vão cessar as atividades no território. O Ministério da Diáspora justificou a decisão porque a ONG recusou fornecer a lista dos empregados palestinianos, apesar de se ter comprometido a fazê-lo. Em comunicado, os MSF dizem tratar-se de “um pretexto para impedir a assistência humanitária” e explica que as autoridades israelitas “forçam as organizações humanitárias a uma escolha impossível”, ou seja, “expor o seu pessoal a riscos ou interromper cuidados médicos essenciais para pessoas desesperadamente necessitadas”..Médicos Sem Fronteiras deixam de operar em Gaza a 28 de fevereiro.Na frente diplomática, os ministros dos Negócios Estrangeiros de oito países muçulmanos condenaram “veementemente” as violações de Israel ao acordo de cessar-fogo, que mataram e feriram “mais de mil” palestinianos (número que é o dobro do que as autoridades de Saúde ligadas ao Hamas dizem ser o número de vítimas). Numa declaração publi- cada pelo chefe da diplomacia do Paquistão Ishaq Dar, ele e os homólogos da Arábia Saudita, Emirados, Egito, Indonésia, Jordânia, Qatar e Turquia afirmaram que as repetidas violações constituem “uma ameaça direta ao processo político e dificultam os esforços em curso para criar condições apropriadas para a transição para uma fase mais estável na Faixa de Gaza, tanto em termos de segurança, como de condições humanitárias”, lê-se no documento. Também a comissária europeia Hadja Lahbib mostrou a indignação perante o incumprimento do cessar-fogo. "O direito internacional humanitário deve ser respeitado. Os civis devem ser protegidos em todos os lugares, em todos os momentos", disse, em referência aos bombardeamentos de sábado em vários pontos de Gaza e que fizeram 31 mortos.